Trabalhar com agentes de IA está a levar muitos engenheiros à loucura
A utilização intensiva de agentes de inteligência artificial (IA) está a gerar um fenómeno psicológico preocupante entre os engenheiros de software mais qualificados do mundo. O que era prometido como o auge da produtividade está a transformar-se num quadro clínico de exaustão.
O fenómeno da psicose de IA em Silicon Valley
Andrej Karpathy, uma das mentes por trás da fundação da OpenAI e o criador do conceito de "vibe coding", admitiu recentemente estar a atravessar um estado que classifica como "psicose de IA". O engenheiro revelou, numa entrevista concedida a Sarah Guo, que mantém rotinas de 16 horas diárias a coordenar vastos sistemas de agentes autónomos.
Karpathy confessou sentir uma ansiedade invulgar quando se aproxima o fim do mês e ainda possui recursos computacionais - os chamados tokens - por utilizar, evidenciando uma pressão constante para manter a máquina em funcionamento.
Embora o discurso oficial do setor tecnológico foque nos ganhos de eficiência e no perfil do programador "10x", os resultados práticos nos utilizadores mais ativos revelam um algo mais sombrio. Garry Tan, diretor executivo da Y Combinator, descreveu a sua própria vivência como uma "ciberpsicose".
Este não é um caso isolado, existindo relatos de diretores de tecnologia que, devido à estimulação constante destas ferramentas, precisam de recorrer a medicação prescrita para conseguir interromper o fluxo de pensamento e dormir.
O mecanismo do vício
A inquietação sentida perante a possibilidade de desperdiçar recursos assemelha-se aos padrões comportamentais observados em gamers compulsivos. Esta "assinatura de conduta" mostra como o cérebro humano pode interpretar a escassez digital como uma ameaça real.
Armin Ronacher, outro nome de relevo no desenvolvimento de software, confirmou que a facilidade em construir soluções complexas com agentes cria uma dependência perigosa, onde o descanso é negligenciado em prol de resultados imediatos.
Diferente de um sistema de IA de conversação comum, agentes como o Claude Code trabalham de forma autónoma durante horas, executando e testando código sem interrupção. O papel do programador passou a ser o de um supervisor que deve corrigir e delegar tarefas a um ritmo sobre-humano.
O problema reside no facto de a biologia humana não estar adaptada para monitorizar processos que avançam a tamanha velocidade. Ao contrário das maratonas de programação tradicionais, que ocorriam em momentos pontuais, este novo modelo cria uma ativação cerebral permanente que não se desliga.
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Ups…
O que está aqui a ser falado já se passa comigo, ja algum tempo.
Com algumas sessões de mais de 15 horas, acabo completamente drenado, e demoro depois imensos dias para recuperar, para não ter ataques cardiacos, tomo medicação forte, para baixar a ansiedade.
E mesmo assim ando no limite.
A noite passada, por exemplo, não consegui dormir, e a cabeça não parava, com dores de cabeça, dei por mim, com uma arritmia cardiaca forte, que só consegui faze-la parar depois de respirar fundo encher o peito de ar, e puxar o diafragma para baixo, o que ajudou a recuperar, uns 5 segundos depois voltei ao normal.
Já estava a pensar em chamar o 112, ou sair da cama e apanhar um taxi, mesmo de pijama, e ir ás urgências.
Mas depois passam-se horas, em que estamos, em pânico, e temos medo de adormecer, porque se a arritmia volta, pode ser fatal, pois estamos a dormir.
Os serviços de AI, esgotam uma pessoa, por vários motivos, desde os volumes de informação colossal, até ao facto de termos que estar superconcentrados, para perceber quando eles começam a fazer asneira.
Porque depois de certo tempo, eles começam a fazer estragos, com todo o trabalho que já fizemos, e vai ao ponto de parecer que ha um “esquecimento” do que estivemos a falar.
E isso errita-nos ainda mais, e provoca muito receio, pressão, porque de um momento para o outro, podemos estar a destruir o trabalho de uma maratona de horas, ou mais..
Parece haver um “esquecimento”, ou “desleixo” por parte do sistema, que sem nos avisar de antemão, começa a fazer asneiras, ha 2 dias atrás, fez tanta asneira que passei 8 horas a tentar corrigi-las, a elas, e a corrigir constantemente a AI.
É como se tivessemos alguém ao lado, sempre a fazer estragos, e nos a tentar concentrar.nos e avançar algo.
É muito mau, e esse é um dos motivos pela qual eu considero deixar de usar estar porcarias.
A saude de uma pessoa deve estar acima de tudo!!
Até os meus animais, me interrompem, veem para cima do teclado, para eu não escrever mais, com ciumes, e com o stress em que uma pessoa fica, e com isso ficam eles também stressados, e fazem inclusivé diarreia, do stress que eu lhes transmito, é impressionante.
Agora estou de molho, só la volto daqui ha uns tempos, se voltar.. assim tenho tempo para dar atenção aos meus patudos 🙂
Esta é a minha experiência, talvez haja casos diferentes, mas duvido que seja assim tão diferente.
O dinheiro justifica continuar assim?
Dasse….
Posso não ter um salário fantástico, mas perco 3 minutos por dia em viagens trabalho/casa, desligo quando saio e ainda tenho tempo de ir dar uma volta de skate, ir tocar guitarra ou comer um gelado com os putos. Se há coisa que nunca quis foi viver para um trabalho. Ganho dinheiro a trabalhar para poder viver, não o contrário.
Desde que vi um amigo de escola (“Senhor Doutor Importante” bem de vida) à porta da imobiliária, fatinho bom, em pé ao lado do carrão, a fumar como que se o mundo fosse acabar e aquele fosse o último cigarro à face da terra e um ar de quem tinha 500 mil coisas para fazer até à hora de almoço, tive a certeza que tomei a decisão correta. Gostava de ganhar mais? Claro que sim. Gostava de ter outro trabalho? Ora, ora… mas há coisas que o dinheiro não paga. Para o resto, ainda vai dado e sobra qq coisa. Não tenho carrão, mas o meu charolo ainda me leva onde quero e é poupadinho.
Boa sorte.
Nem mais, a rico não chego de pobre não passo, digo frequentemente, não tenho o trabalho dos meus sonhos, mas sonho com o meu trabalho.
Sou uma pessoa poupada, talvez as maiores loucuras são as viagens em quanto der para comer, beber e viajar está tudo bem.
O meu herdeiro já sabe, o que esperar de mim, nada, paguei a educação dei-lhe as ferramentas, para se safar, se deixar alguma coisa é bom mas o melhor é não esperar nada.
Deixa-lhe algumas vírgulas. Não as gastes todas. 🙂
Ui, usa vibe code e ainda se queixa. Programadores a sério, não usam internet, quanto mais IA. As big tech agradecem hahaha
Um bocadinho de empatia, só lhe ficava bem.
Por acaso, não partiu do principio, que há empresas que obrigam os programadores a utilizar a IA, para aumentar a produtividade. As que ainda não obrigam, ou começam a obrigar, ou vão ficar para trás. Infelizmente, é a triste realidade. Por isso mais empatia, pelo próximo.
Programadores a sério, não usam internet?
Em que mundo vives? Deves ler livros enquanto programas, só pode…
Deves ser um programador de vão de escada só pode!
Eu também já tomo medicação para a ansiedade e ainda há um mês tive um ataque de pânico tudo causado pleno stress. Se tiver que ser peço a demissão pois a minha saúde está em primeiro lugar.
Eu percebo essa ansiedade, e descreves bem um dos custos do vibe coding: a IA generativa atual não é consistente e, pela falta de memória e incapacidade de aprender (verdadeiramente), introduz muitos erros e divida técnica ao longo do ciclo de desenvolvimento. Teres situações de código que já estava finalizado e a funcionar, mas que a IA resolveu alterar porque alucinou e ignorou um requisito anterior, é como estar a programar com alguém com problemas psiquiátricos. E depois a IA é um mentiroso compulsivo que tens de estar monitorizar, num esforço super desgastante onde é muito complicado não falhar alguma coisa, principalmente em projetos grandes. E quando são introduzidos bugs super subtis que podes passar horas a tentar resolver?
Pessoalmente eu prefiro continuar a utilizar a IA generativa apenas como um autocomplete turbinado para completar alguns pequenos blocos de código ou ajudar a documentar o código. Mais do que isso é um risco demasiado grande. Posso não programar tão rápido como um agente de IA, mas a rapidez é apenas mais uma métrica que muitas vezes não compensa a dívida técnica que introduz.
À medida que os fornecedores destes agentes migram para pagamento por uso, estes erros que a IA generativa comete deixaram de ser um inconveniente para passarem a ser uma funcionalidade do serviço para obrigar a consumir mais tokens para corrigir os erros. O discurso que, “se a IA errou, então foi um problema de prompt” anda por aí, e é apenas a ilusão para deslocar as culpas dos fornecedores para os clientes…
Mas isso já é bastante comum no dia a dia de um developer. Só que o bottleneck é mesmo o próprio debug, documentação e afins que chega a ser irritante quando as ideias são demasiadas e não acompanham a velocidade “das burocracias”.
Fora essas limitações sim, levamos o nosso pensamento ao extremo já que temos alguém a fazer tarefas a uma velocidade absurda.
Só discordo de uma coisa. Mais tokens gastos não significa propriamente mais entrega. Pelo contrário, significa que tem os agentes mal otimizados. Más regras, falta de indexação e afins origina um gasto de tokens absurdos.
Quando as subscrições acompanharem o gasto real dos servidores, ou começarem a usar as próprias máquinas, pensam diferente.
Já se começa a ver a qualidade de um dev pelo consumo de tokens
É como tudo no trabalho, têm de ter um processo, um fluxo de trabalho que seja adequado para vocês.
Para quem circula pelo medium já leu alguns artigos sobre isso.
Estudem como podem optimizar o vosso trabalho, é verdade que programar com agentes pode ser overwhelming mas há soluções, apenas como ainda é algo relativamente novo ainda não chegou a todos