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Península Ibérica está a rodar lentamente entre duas placas tectónicas

9 Comentários

A Península Ibérica não está imóvel, aliás, até tem “tremido”. Um novo estudo científico revela que esta região está a rodar lentamente no sentido dos ponteiros do relógio em relação às placas tectónicas da Eurásia e de África.

Ilustração Península Ibérica

Apesar de quase impercetível à escala humana, este movimento ajuda a explicar padrões sísmicos observados no sul da Europa e no norte de África.

Um novo olhar sobre a fronteira entre a Eurásia e África

O trabalho foi liderado por Asier Madarieta-Txurruka, da Universidade de Granada, e integra um vasto catálogo de mecanismos focais de sismos com dados atualizados de velocidade GNSS provenientes da Rede Permanente EUREF, do sistema espanhol ERGNSS e de entidades associadas em Portugal e Marrocos.

Ao cruzar estas informações, os investigadores conseguiram refinar a geometria da chamada fronteira difusa entre as placas tectónicas da Eurásia e África, uma zona particularmente complexa onde não existe uma linha única de separação clara.

O estudo permitiu ainda mapear com maior detalhe os campos de tensão e as taxas atuais de deformação da crosta terrestre.

Os dados geodésicos de deformação confirmam a lenta rotação no sentido dos ponteiros do relógio da Península Ibérica em relação à Eurásia e a África. Asier Madarieta-Txurruka et al. 2026, Gondwana Research. Crédito da imagem: Asier Madarieta-Txurruka et al. 2026, Gondwana Research

Como funciona a tectónica nesta região?

A equipa científica calculou tensores de tensão sísmica e campos de deformação geodésica para compreender como os diferentes domínios da crosta continental e oceânica se deformam ao longo desta fronteira tectónica.

Os resultados dividiram a região em quatro grandes setores:

  • Atlântico
  • Gibraltar
  • Alborão
  • Baleares Argelinos

Cada um apresenta orientações de tensão próprias e estilos distintos de deformação.

No setor Atlântico, a transferência de tensões ocorre diretamente entre placas convergentes. Já nas regiões mediterrânicas, a deformação é absorvida por uma crosta continental mais fina, criando movimentos variáveis em torno do Arco de Gibraltar e da Bacia de Alborão.

Microplaca Ibérica roda lentamente, mas de forma persistente

Os dados recolhidos através de medições GNSS mostram que a microplaca Ibérica apresenta uma rotação subtil, mas constante, no sentido dos ponteiros do relógio relativamente às placas vizinhas.

O movimento é extremamente lento. Os investigadores estimam um deslocamento médio de cerca de 3 milímetros por ano para oeste-sudoeste ao longo da margem sul da Península Ibérica.

Campo de taxa de deformação geodésica calculado. Eixos εHmax e εHmin da taxa de deformação e da taxa de variação da área. As falhas ativas e potencialmente ativas são marcadas por linhas cinzentas contínuas e tracejadas, respetivamente. Crédito: Asier Madarieta-Txurruka et al. 2026 Gondwana Research

Apesar da reduzida velocidade, este deslocamento é suficiente para explicar a distribuição do cisalhamento tectónico e vários padrões sísmicos observados no sul da Península Ibérica e no norte de Marrocos.

O estudo reforça modelos geodinâmicos anteriores, como o proposto por Serpelloni e colaboradores em 2013, mas apresenta agora uma diferença importante: baseia-se em medições diretas da deformação, em vez de estimativas indiretas baseadas em blocos cinemáticos.

Nem o interior da Península está totalmente parado

Outro dado relevante é que regiões tradicionalmente consideradas estáveis, como o interior da Península Ibérica e os Pirenéus, também apresentam deformações mensuráveis, embora reduzidas.

Segundo os investigadores, estas deformações são maioritariamente compressivas, demonstrando que mesmo zonas intraplaca continuam sujeitas a forças tectónicas ativas.

Os autores destacam ainda que a análise multidisciplinar baseada na integração entre tensão sísmica e deformação geodésica permite compreender melhor padrões sismotectónicos complexos em zonas extensas de contacto entre placas.

Esta abordagem revela-se particularmente importante para decifrar os processos geodinâmicos que ocorrem na zona de transição entre o Atlântico e o Mediterrâneo, onde interagem diretamente as placas da Eurásia e de África.

A investigação foi publicada em janeiro de 2026 na revista científica Gondwana Research e apresenta um novo modelo geofísico que combina dados sísmicos e medições por satélite para mapear a deformação atual da crosta terrestre na Península Ibérica e no noroeste africano.

Comentários

9
  1. PO
    PowerVerde

    bem que tinha razão o Saramago quando escreveu a jangada de pedra!

  2. TI
    TiagoR

    Assim explica a nossa atração histórica por Africa afinal sempre houve um fundamento científico ! 🙂

  3. AU
    aubing

    Por isso é que os povos de Portugal, Espanha e Itália se cruzaram ao longo de séculos com os povos do Norte de África ao ponto de já não haver brancos puros nestes três países.

    Não é por acaso que os meus três sobrinhos dizem sempre que aquele senhor que berra muito de um partido de extrema direita em Portugal, tenha a barba por fazer ou a barba bem cortada, parece-se sempre com um marroquino…

    Eu acho que o problema de se parecer com um marroquino não está tanta na barba (por fazer) mas na tez da côr da pele e na farta cabeleira, farta cabeleira que se verifica também nos marroquinos com a mesma tez da côr da pele.

    Algum marroquino ou marroquina faz parte dos antepassados desse senhor desse partido…

    1. SI
      Simão

      Lá tinha que vir a politica ao barulho.
      O artigo é cientifico, deixem a politica de fora

    2. LC
      Luis Castro

      Expulsamos os Mouros, mas eles ganharam a batalha genética, de Coimbra para baixo já é praticamente Marrocos.

      1. CR
        Cromo

        Estás enganado. Segundo os estudos genéticos efectuados é precisamente ao contrário.

    3. PO
      PorcoDoPunjab

      aubing, vc é b)(/&o que até dói e os seus sobrinhos vão pelo mesmo caminho.

      Cana familiar, portanto, bate certo.

      Só se estraga uma casa.

      Por isso estamos como estamos.

      É quase tudo atrasado mental.

      O problema associado a Marroquinos e demais islâmicos, não é por serem mais escuros, azuis, amarelos, ou lilases, é devido à sua cultura, ou falta dela, e hábitos miseráveis que nem na Idade Média se usava e a quererem instalar nos países para onde vão, contra a vontade dos nativos.

      No entanto, já que gosta tanto deles, convido-o a vender a sua casa e a mudar-se, junto com os seus sobrinhos, para um local onde estejam esses marroquinos.

      Vai ficar a ganhar bom dinheiro com isto, porque uma casa perto dessa gente, vá-se lá saber porquê, perde valor imediatamente na venda.

      Já viu o sábio conselho do PorcoDoPunjab? Até sem querer dou bons conselhos para investimentos imobiliários…

      Aproveite, fica feliz de duas maneiras, dinheiro no bolso e boa vizinhança…

      Escreva Piddington e pesquise, pode ser que amanhã seja menos ignorante que hoje.

      Escusa de agradecer

      PorcoDoPunjab, o representante da burguesia exploradora

      Em relação ao artigo, aos anos que digo aqui que Portugal deveria separar-se fisicamente de espanha.

      Ficar uma ilha.

      Espanha fica agarrada a França e nós ficamos uma ilha, separada daquela corja.

      Detesto espanhóis, franceses, alemães, ingleses e etc.

      Não gosto de ninguém…

      Até nisto, pelos vistos, a realidade me dá razão.

      Sou mesmo um Nostradamus, sou ou não sou?

  4. FE
    Fernanda

    Quando leio sobre isto, recordo o filme 2012.

    A questão é qual o desfecho de toda esta análise, e se estão a descrever tudo e o real problema. Se em situação de colapso mundial. Serão transparentes com as pessoas. Provavelmente não!

  5. ZA
    Zé Fonseca A.

    isto é Espanha a manipular as placas para nos roubar o Mediterrâneo e o Atlântico, e ninguém faz nada… finalmente há provas da invasão e toda a gente a assobiar para o lado

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