Primeiro telemóvel dobrável do mundo faz 30 anos em 2026
Em 2026, assinalamos as três décadas do lançamento do icónico Motorola StarTAC, o dispositivo que transformou o telemóvel num objeto de portabilidade extrema.
O StarTAC não foi apenas o primeiro: definiu o conceito de telemóvel dobrável
Corria o ano de 1996 e o panorama das telecomunicações móveis era, no mínimo, pouco inspirador. Os aparelhos da época assemelhavam-se a pesados "walkie-talkies" que exigiam bases de carregamento volumosas e pouco práticas.
Foi neste contexto que o Motorola StarTAC surgiu como algo vindo diretamente da ficção científica, evocando os comunicadores da saga Star Trek e alterando para sempre a perceção do público sobre o que um telefone poderia ser.
Embora tenha introduzido diversas inovações tecnológicas, o StarTAC é recordado principalmente pelo seu formato. Este conceito de "concha" (ou flip), que acabou por cair em desuso com a ascensão dos ecrãs táteis retangulares, vive agora um renascimento através dos novos ecrãs dobráveis.
O StarTAC estabeleceu o molde para o que viríamos a conhecer como o telemóvel de abrir e fechar. Na altura, a própria Motorola comercializava o dispositivo como algo "vestível", um termo bastante revelador para a época. O grande argumento de venda era a possibilidade de transportar o telemóvel no bolso ou preso ao cinto, algo impensável para os modelos concorrentes de então.
Recordando os modelos da Nokia do início dos anos 2000, muitos deles eram ainda demasiado volumosos para um transporte discreto. Como seria de esperar, tamanha inovação tinha um custo elevado: o StarTAC foi lançado por cerca de 1000 dólares. Em valores atualizados, estaríamos a falar de aproximadamente 2000 euros.
A simplicidade do design como expoente máximo da funcionalidade
Não é exagerado afirmar que o StarTAC foi o primeiro "telemóvel da moda". Não foi desenhado apenas por engenheiros focados na utilidade, mas sim como um acessório de estilo de vida. Contudo, essa estética foi alcançada através de uma eficiência de design implacável.
Comparado com os seus contemporâneos, o StarTAC era altamente especializado. Apresentava um ecrã monocromático simples capaz de exibir poucas linhas de texto e, nas suas primeiras versões, permitia receber mensagens, mas não as enviar.
Enquanto a maioria dos fabricantes insistia nas baterias de NiMH, este modelo foi um dos pioneiros a oferecer a opção de iões de lítio. Além disso, introduziu a função de vibração, algo que hoje tomamos como garantido, mas que na época era uma herança tecnológica dos pagers, que a Motorola soube integrar magistralmente num telefone.
Os dobráveis atuais resolvem problemas que talvez não existam
Curiosamente, o design articulado do StarTAC visava resolver desafios distintos dos que enfrentamos hoje com os modelos dobráveis. Naquela altura, a prioridade era reduzir drasticamente o tamanho do aparelho. Atualmente, ninguém tem dificuldades reais em colocar um smartphone convencional no bolso.
O design do StarTAC servia, acima de tudo, para proteger o ecrã, o teclado e os componentes internos sensíveis. Em contraste, os dobráveis modernos parecem tornar os dispositivos mais frágeis do que os modelos rígidos tradicionais.
Parece evidente que, enquanto o StarTAC se tornou um objeto de moda devido à sua engenharia de usabilidade, os dobráveis contemporâneos são desenhados como itens de luxo e estilo, tentando recuperar uma utilidade que, por vezes, parece forçada pela necessidade de inovação estética.
Apesar do seu custo inicial proibitivo, a série StarTAC vendeu cerca de 60 milhões de unidades, consolidando-se como um dos dispositivos mais importantes da história tecnológica. Este sucesso deixa uma lição importante para as marcas atuais: o formato de concha deve oferecer uma utilidade real e não apenas uma redução cosmética de tamanho.
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Ainda tenho dois em funcionamento com a caixa original e com uma capa de couro para colocar no cinto!
Não dobra o ecra mas a sensura não deixa passar comentarios
se quiseres mesmo, dobra o ecrã sim. Se bem que apenas uma vez…
O meu primeiro telemóvel, ainda me lembro de ter o meu caderno de escola cheio de números de tlm escritos porque não dava para aceder á lista para enviar mensagens.