Três em quatro chamadas para o 112 são indevidas: chamar um canalizador, pedir pizza…
Ainda que o volume global de chamadas para o 112 venha a diminuir há dois anos consecutivos, cerca de dois terços das chamadas ainda são indevidas.
Segundo dados da PSP divulgados pelo Jornal de Notícias, cerca de dois terços das chamadas efetuadas para o 112, em 2025, foram consideradas indevidas.
Estes números revelam um uso inadequado persistente de um serviço destinado a situações de risco iminente.
Dos 5,4 milhões de contactos registados ao longo do ano, quase quatro milhões, correspondentes a 73,5%, não se enquadravam no âmbito do serviço.
Entre os exemplos identificados pelas autoridades estão chamadas feitas por cidadãos sem saldo no telemóvel, aproveitando a gratuitidade do contacto, bem como pedidos totalmente alheios a qualquer emergência, nomeadamente a solicitação de um canalizador, de um táxi ou mesmo de uma pizza.

Segundo a PSP, o elevado número de chamadas falsas ou inadequadas continua a ser motivo de preocupação, uma vez que pode atrasar ou mesmo impedir o atendimento de verdadeiras situações de emergência.
Mais do que isso, há casos em que os contactos são feitos com intenções maliciosas: conforme exemplificado pelo Jornal de Notícias, em 2014, um homem foi condenado pelo Tribunal da Relação do Porto a três meses de prisão após chamadas falsas que mobilizaram dezenas de meios da GNR, bombeiros, ambulâncias e helicópteros.
Chamadas falsas podem dar prisão ou multa
Segundo o superintendente Carlos Martins, quando é detetado um número excessivo de chamadas a partir do mesmo contacto num curto espaço de tempo, são levantados autos de notícia e remetidos às entidades judiciais.
As falsas ocorrências podem configurar crime, previsto no artigo 306.º do Código Penal, punível com pena de prisão até um ano ou multa até 120 dias.
O coordenador nacional do 112 sublinha, no entanto, que a expressão “chamadas falsas” pode ser enganadora, pois uma parte significativa dos telefonemas indevidos não corresponde a relatos intencionalmente falsos.
Por sua vez, trata-se de contactos inadequados de pessoas que desconhecem quando devem recorrer ao número de emergência.
Quando deve ligar para o 112?
O número de emergência deve ser utilizado apenas em situações graves ou de risco de vida, como as seguintes:
- Paragens cardíacas;
- Dificuldades respiratórias severas;
- Suspeitas de AVC;
- Dores intensas no peito;
- Hemorragias abundantes;
- Convulsões prolongadas;
- Queimaduras graves.
O 112 deve, também, ser acionado em casos de crime em curso, como assaltos, agressões, violência doméstica, sequestros ou ameaças imediatas, bem como em incêndios, fugas de gás, explosões, quedas de estruturas com risco iminente, acidentes de viação com feridos, catástrofes naturais e acidentes industriais graves.
Via Verde AVC: como funciona a “autoestrada” que dá prioridade absoluta no hospital?
Monitorizado pela PSP, o serviço 112 não é responsável pelo acionamento direto dos meios, mas pela triagem e encaminhamento das chamadas para as entidades competentes.
Em 2025, a maioria das ocorrências consideradas válidas foi encaminhada para o INEM, seguindo-se a PSP, a GNR e a Proteção Civil.
Em média, são efetuadas cerca de 15 mil chamadas diárias para o 112.
Número global de chamadas para o 112 diminuiu
Apesar da elevada percentagem de contactos indevidos, o volume global de chamadas para o número de emergência nacional tem vindo a diminuir há dois anos consecutivos.
Em 2025, foram registadas 5.416.444 chamadas, menos do que em 2024, quando o total atingiu 5.851.146, e bastante abaixo de 2023, ano em que se contabilizaram cerca de 6,95 milhões de contactos.
A tendência de descida verifica-se tanto no número total de chamadas como nas indevidas e abandonadas.
A redução registada nos últimos anos é atribuída às campanhas de sensibilização promovidas pela PSP, pelo INEM e pelo SNS 24, que têm procurado esclarecer a população sobre o uso correto do 112 e encaminhar situações não urgentes para outras linhas de apoio.



















