‘Candida auris’: que fungo é este que está a gerar preocupação em Portugal?
Identificada pela primeira vez em 2009, no Japão, o Candida auris é um fungo resistente aos medicamentos normalmente utilizados para tratar infeções fúngicas e, por isso, tem suscitado alguma preocupação na comunidade médica. Agora, uma equipa de investigadores estudou os primeiros casos confirmados, em Portugal.
Pelas dificuldades de diagnóstico e de tratamento, o fungo da família Candida, presente sobretudo em doentes internados em hospitais ou residentes em lares, pode constituir um sério risco para a saúde.
Por isso, é importante que se conheçam os principais fatores de risco que motivam o desenvolvimento desta infeção, como se diagnostica e o que envolve o tratamento.
Mais detalhes sobre o Candida auris
#1 - Porque pode ser perigoso?
O fungo Candida auris apresenta caráter invasivo, podendo entrar na corrente sanguínea e causar infeções graves, por exemplo, no sangue, em feridas, ouvidos ou até no coração e cérebro.
A infeção por Candida auris pode mesmo ser fatal: com base em informação relativa a um número limitado de pacientes, citada pela CUF, entre 30 a 60% dos doentes que contraíram esta infeção morreram.
Contudo, é importante ter em consideração que a maioria destas pessoas tinham outros problemas de saúde graves que aumentaram o seu risco de mortalidade. O facto de existirem já outras doenças pode, também, contribuir para que seja mais difícil diagnosticar esta infeção.

Fonte: De Gaetano, S., Midiri, A., Mancuso, G., Avola, M. G., & Biondo, C. (2024). Candida auris Outbreaks: Current Status and Future Perspectives. Microorganisms, 12(5), 927.
#2 - Como é feito o diagnóstico?
A infeção por Candida auris é normalmente diagnosticada através de uma colheita de sangue ou de outros fluidos corporais. No entanto, esta estirpe é difícil de identificar através dos métodos que são geralmente utilizados em laboratório para as infeções mais comuns causadas por esta família de fungos, como é o caso do Candida haemulonii.
Este fator dificulta um correto diagnóstico, o que, por sua vez, pode colocar em causa o correto tratamento do doente. Consequentemente, este fungo pode espalhar-se mais fácil e rapidamente.
Assim sendo, o diagnóstico de Candida auris requer métodos laboratoriais específicos.
#3 - Quais são os principais fatores de risco?
Habitualmente, a infeção por Candida auris não afeta pessoas previamente saudáveis, podendo ocorrer sobretudo em:
- Doentes internados ou residentes em lares;
- Doentes polimedicados ou com cirurgia recente;
- Alterações do sistema imunitário (algumas situações de cancro ou diabetes);
- Toma de antibióticos ou de antifúngicos de largo espectro;
- Presença de tubos ou cateteres, como, por exemplo, sondas de alimentação, algálias ou cateteres venosos centrais.
#4 - Como é feito o tratamento?
A maioria das infeções provocadas por Candida auris são tratadas com uma classe específica de medicamentos antifúngicos: as enquinocandinas.
Contudo, existem casos em que esta infeção é resistente e não responde de forma positiva à sua administração, tornando-se difícil de tratar. Deste modo, torna-se muitas vezes necessária a toma de múltiplas classes de antifúngicos em doses elevadas para tratar a infeção.
Situação global
O Candida auris é considerado uma ameaça emergente para a saúde pública, tendo sido incluído pela Organização Mundial da Saúde na lista de fungos prioritários devido ao seu potencial impacto.
Considerado uma ameaça à saúde pública global, está disseminado em vários continentes, atingindo cerca de 60 países.
Segundo a CNN, Espanha, Grécia, Itália, Roménia e Alemanha foram os países com a maioria dos casos ao longo da década, tendo sido registados "surtos recentes no Chipre, em França e na Alemanha, enquanto Grécia, Itália, Roménia e Espanha indicaram que já não conseguem distinguir surtos específicos devido à ampla disseminação regional ou nacional".
Conjuntura atual portuguesa
Em Portugal, uma equipa de investigadores liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) estudou os primeiros casos confirmados de infeção por Candida auris.
Num comunicado enviado à agência Lusa, a FMUP descreve que este estudo identifica os primeiros casos no país, resultando em conclusões que reforçam a importância da vigilância hospitalar.
É fundamental que as instituições dedicadas ao ensino e à investigação se articulem com os hospitais e ULS [Unidades Locais de Saúde], no sentido de uma investigação transnacional integrada, de modo a reforçar a capacidade de resposta a desafios emergentes em saúde pública com base em evidência.
Disse Sofia Costa de Oliveira, docente da FMUP que coordenou o estudo, cujos resultados foram publicados na revista científica Journal of Fungi, em outubro de 2025.
Segundo o resumo do artigo, no qual é salvaguardado que "nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva reportados esteve exclusivamente associada à infeção", foram classificados oito casos identificados, em 2023, num hospital da região Norte.
Além disso, Sofia Costa de Oliveira sublinhou que "é importante perceber que este fungo é de propagação hospitalar e não comunitária", referindo que "a sua relevância em saúde pública está associada principalmente à facilidade de transmissão em unidades de cuidados de saúde e à resistência a alguns antifúngicos, o que justifica uma vigilância reforçada".
A deteção precoce de colonização ou infeção em doentes em risco permite uma intervenção mais eficaz e limita a propagação nos serviços de saúde. As medidas de controlo de infeção, como a higiene rigorosa das mãos, a desinfeção de superfícies e equipamentos e a vigilância laboratorial, são cruciais para reduzir a transmissão.
O microrganismo não é transmitido pelo ar, mas por contacto entre doentes, entre profissionais de saúde, ou com superfícies e equipamentos contaminados.
Esta espécie distingue-se pela resistência a múltiplos fármacos antifúngicos e pela capacidade de persistir em superfícies e equipamentos, o que pode facilitar a transmissão em unidades de cuidados de saúde.
O artigo resultou de um trabalho de investigação que juntou, também, Isabel Miranda, da FMUP e RISE-Health, Dolores Pinheiro, José Artur Paiva e João Tiago Guimarães, da FMUP e da ULS São João, Micael Gonçalves, do CESAM, e Sandra Hilário, da FCUP.
Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou para a rápida propagação nos hospitais deste fungo resistente a medicamentos e pediu medidas para travar a sua disseminação.
























Ou seja: continua o facilitismo na limpeza dos estabelecimentos hospitalares e lares de idosos. Para quando uma instituição dedicada a controlar as limpezas e fortes penalizações (incluindo proibição de trabalhar na área, e de trabalhar no Estado ou para o Estado) para desincentivar facilitismos.
Desincentivar facilitismos e Portugal na mesma frase? É para rir?
Despedimento por incompetência em órgãos do estado?
Acho que tens que fazer um stand-up comedy.
As pessoas não querem reformas no sistema. Sabes isso pelos votos que fazem.
Despedir alguém no Estado?
Isso são empregos para toda a vida, e ainda que se provasse incompetência de algum funcionário, seria apenas “penalizado” com transferência para outro serviço.
É o que faz colocarem água dentro de produtos supostamente bons para diluir e enganar quem está a ver. Era o que fazíamos enquanto empregadas de limpeza de um condomínio. Trazíamos para casa o produto bom e limpávamos com agua e sabão!! E os ricaços todos contentes hehe
É o fungágá da bicharada.
Neoliberalismo a produzir os seus efeitos desde 2005.