Pax Silica: a jogada dos EUA para ganhar uma das corridas mais importantes da atualidade
Enquanto o mundo ainda olha para o petróleo e o gás como sinónimos de poder económico no Médio Oriente, os Estados Unidos da América (EUA) estão a piscar o olho ao silício. A corrida da Inteligência Artificial (IA) está a redefinir alianças e estratégias globais, e países como o Qatar e os Emirados Árabes Unidos (EAU) ganham um novo protagonismo. Entenda o que é a Pax Silica!
Com fundos soberanos multimilionários e energia abundante, os países do Golfo podem ser um dos trunfos de Donald Trump para liderar uma das corridas mais importantes da atualidade.
Ambos têm recursos financeiros para financiar projetos massivos como o Stargate, a iniciativa de centros de dados de 500 mil milhões de dólares anunciada pela OpenAI, SoftBank e Oracle, em janeiro do ano passado, bem como a eletricidade barata necessária para operar os centros de dados que treinam modelos de IA.
Desta forma, o Golfo pode tornar-se uma peça-chave na cadeia de abastecimento de IA, ligando Washington a uma tecnologia que promete moldar o século XXI.
Segundo Jacob Helberg, subsecretário de Estado dos EUA para Assuntos Económicos, depois de o Qatar ter assinado a declaração Pax Silica, ontem, 12 de janeiro, conforme anunciado, seguem-se os EAU, a 15 de janeiro, previsivelmente.
Os dois Estados do Golfo juntar-se-ão a Israel, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Reino Unido e Austrália, numa coligação de capacidades, conforme descrito por Helberg.
Para os EAU e o Qatar, isto marca uma mudança de uma arquitetura de segurança centrada nos hidrocarbonetos para uma centrada na diplomacia do silício.
Disse Helberg, à Reuters, numa entrevista a 11 de janeiro.
Entretanto, o país norte-americano terá acesso a dois dos fundos soberanos mais ricos do mundo, enquanto procura reduzir a dependência da China em matérias-primas e poder computacional essenciais para a IA.
Entenda a Pax Silica!
De nome Pax Silica, a iniciativa liderada pelos EUA procura assegurar as cadeias de abastecimento da IA e dos chips de computador. Aliás, o Departamento de Estado descreve a iniciativa como o seu projeto principal em IA e segurança da cadeia de abastecimento.
Lançada no mês passado, a iniciativa visa reduzir a dependência ocidental da China em minerais críticos, chips e infraestruturas de IA.
O nome combina Pax Romana, um período de cerca de 200 anos considerado a idade dourada do imperialismo romano, com sílica, o composto refinado em silício para chips de computador.
Se o século XX funcionou com petróleo e aço, o século XXI vai funcionar com computação e minerais.
Explicou Helberg, numa apresentação, em dezembro.
A declaração Pax Silica é uma afirmação de princípios partilhados sem mecanismo de aplicação. Segundo Helberg, trata-se de um conjunto de "princípios fundamentais" destinados a orientar a cooperação futura.
Por que motivo os países do Golfo são importantes?
Os EAU e o Qatar oferecem três elementos de que Washington precisa:
- Dinheiro: a Qatar Investment Authority gere cerca de 524 mil milhões de dólares, enquanto os fundos soberanos dos Emirados controlam mais de 1 bilião de dólares (em inglês, $1 trillion).
- Energia: os centros de dados de IA consomem enormes quantidades de eletricidade, e a procura vai triplicar até 2030, segundo o think tank Middle East Institute. Ora, os países do Golfo estão entre os maiores produtores de energia do mundo.
- Localização: o Golfo situa-se no centro do Corredor Índia-Médio Oriente-Europa, um projeto para ligar portos indianos aos mercados europeus. As conversas sobre a Pax Silica incluirão a modernização destas rotas comerciais com tecnologia dos EUA.
De acordo com Helberg, no mês passado, "a nossa estratégia é criar uma vantagem competitiva tão íngreme e intransponível que nenhum adversário ou concorrente consiga alcançá-la".
Fonte: Rest of World
Neste artigo: EUA, inteligência artificial, Pax Silica, silício























