Inteligência Artifical: breve história que começou em 1950
A Inteligência Artificial (IA) pode parecer um fenómeno recente, catapultada para a ribalta por desenvolvimentos como o ChatGPT. No entanto, a sua história é longa, com uma evolução contínua através de avanços matemáticos, científicos e tecnológicos.
Inteligência Artifical... a tecnologia que está a revolucionar o mundo
O verdadeiro alicerce para a IA moderna começou com o desenvolvimento da computação e da lógica formal.
Em 1950: Alan Turing propôs o "Teste de Turing" no seu artigo "Computing Machinery and Intelligence". Este teste sugeria uma forma de avaliar a inteligência de uma máquina: se ela pudesse conversar de modo que um humano não conseguisse distinguir se estava a falar com outro humano ou com uma máquina, então ela poderia ser considerada inteligente.
O ano de 1956 é amplamente considerado o nascimento oficial do campo da IA. No famoso workshop de verão no Dartmouth College, John McCarthy cunhou o termo "Inteligência Artificial". Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon também foram figuras centrais neste evento, que reuniu os pioneiros da área.
Os "Invernos da IA" (1974-1993)
O otimismo inicial esbarrou na dura realidade. Os problemas revelaram-se muito mais complexos do que o esperado. A falta de progresso significativo em áreas como o processamento de linguagem natural e a visão computacional, combinada com a capacidade limitada dos computadores da época, levou a uma desilusão generalizada.
Destaque também para o corte de financiamento, mas foi também nesta altura que surgiram os "Sistemas Especialistas" (década de 1980), programas desenhados para emular a capacidade de tomada de decisão de um especialista humano num domínio específico.
O final do século XX viu um ressurgimento do interesse em IA, impulsionado por vários fatores:
- Aumento do Poder Computacional
- Os computadores tornaram-se exponencialmente mais rápidos e mais baratos (Lei de Moore).
- Disponibilidade de Dados
- A internet e a digitalização criaram vastos conjuntos de dados (Big Data), essenciais para treinar algoritmos.
- Novas Abordagens Algorítmicas: Novas técnicas, como as Máquinas de Vetores de Suporte (SVMs) e as redes neuronais (com o algoritmo de retropropagação a ganhar força), mostraram resultados promissores.
Em 1997: Deep Blue vence Garry Kasparov: O supercomputador da IBM, Deep Blue, derrotou o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, um marco simbólico na capacidade de resolução de problemas da IA.
Desde 2010, entramos na era da IA que conhecemos hoje, dominada pelo Deep Learning (Aprendizagem Profunda), um subcampo do Machine Learning que utiliza redes neuronais artificiais com múltiplas camadas ("profundas").
Em 2012: AlexNet vence ImageNet: Uma equipa liderada por Alex Krizhevsky venceu o desafio ImageNet, um marco na visão computacional, usando uma rede neural profunda (AlexNet). Este evento foi um divisor de águas, demonstrando o poder do Deep Learning.
O uso de unidades de processamento gráfico (GPUs), originalmente desenhadas para jogos, provou ser incrivelmente eficaz para o treino intensivo de redes neurais.
Surgiram arquiteturas inovadoras como as Redes Neuronais Convolucionais (CNNs) para visão computacional e as Redes Neuronais Recorrentes (RNNs) para sequências de dados.
A IA tornou-se ubíqua em assistentes de voz (Siri, Alexa, Google Assistant), recomendações de produtos, tradução automática, reconhecimento facial e carros autónomos.
IA Generativa (2020s): O surgimento de modelos de linguagem grandes (LLMs) como o GPT-3 e, mais tarde, o ChatGPT (OpenAI, 2022) e geradores de imagem como o DALL-E e o Midjourney marcou uma nova era na IA, com a capacidade de criar conteúdo original e interagir de forma mais natural e sofisticada.
A história da IA é uma saga de otimismo, desilusão, renascimento e avanços exponenciais. Estamos numa era em que a IA está a transformar a sociedade, desde a medicina à educação, passando pela economia e pela arte.
Os desafios futuros incluem não só o desenvolvimento técnico (rumo à AGI), mas também questões éticas, de segurança, regulamentação e o impacto social desta tecnologia cada vez mais poderosa.
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Muito bom, Pedro. Há quem pense que a IA nasceu no século XXI.
Bom artigo. Aqui não há muito espaço para grandes desenvolvimentos, porque a maioria não lê mais do que 2 minutos de texto.
Nasceu quando, ó entendido?
Duas clarificações, porque senão começa-se a dizer que os computadores há muito tempo usam IA:
1) “Em 1997: Deep Blue vence Garry Kasparov: O supercomputador da IBM, Deep Blue, derrotou o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, um marco simbólico na capacidade de resolução de problemas da IA.”
O Deep Blue não usava IA, baseada no aprendizado de máquina (machine learning). Usava algoritmos altamente otimizados para busca e avaliação no xadrez, aliado a um poder computacional que lhe permitia analisar cerca de 200 milhões de posições por segundo.
2) “A IA tornou-se ubíqua em assistentes de voz (Siri, Alexa, Google Assistant)” – entenda-se que a IA começou a ser usada por eles em 2024-2025. Quando apareceram, a partir de 2011, usavam comandos de voz e técnicas de linguagem mas não se baseavam no aprendizado de máquina e modelos LLM.
3) Em 2012, o AlexNet, através de IA, aprendeu a catalogar imagens e foi o que mais acertou a catalogar as da base de dados ImageNet.
A IA tem raízes no século XX, mas é um produto do século XXI – e que ganhou destaque há pouquíssimos anos.
Se tem raízes no século XX é porque nasceu nessa altura. Eu sei que agora vais começar a discutir semântica.
Quero lá saber da semântica. Só me interessa que não se ponham a inventar computadores com IA no século XX – e que um era o Deep Blue que em 1997 venceu Garry Kasparov.
Está-se a falar de computadores que usam IA, não é uma questão de semântica. Por isso é que dar a entender que o Deep Blue, em 1997, usava IA é um erro.
excelente artigo
O post induz num erro conceptual frequente. “Em 1950: Alan Turing propôs o “Teste de Turing” no seu artigo “Computing Machinery and Intelligence”. Este teste sugeria uma forma de avaliar a inteligência de uma máquina: se ela pudesse conversar de modo que um humano não conseguisse distinguir se estava a falar com outro humano ou com uma máquina, então ela poderia ser considerada inteligente.”
Invocar o teste de Turing dá a ideia que IA são os chatbots e a interação linguística – que é um erro frequente, associado à explosão da IA, “ontem”, com o lançamento da versão web do ChatGPT, em 30/11/2022 (e, em 2023, como app).
Deixa de fora outras formas de IA, não conversacionais que têm que ser avaliadas de outra forma.
À maior parte das pessoas vai dizer que a IA são os chatbots. E em que nível de IA estão os chatbots? No nível 1 da ANI, ou seja, são pouco inteligentes relativamente ao que se espera que possa ser o desenvolvimento da IA (que, a partir de dada altura, será capaz de se desenvolver a si própria).
Podia-se ter falado também do Bert da google em 2018 ou 2019 acho eu, nas o artigo ficaria muito grande. As respostas que usas com o chatgpt também podias meter palavras tuas pra não parecer tão mal, digo eu amigo max
Achas que preciso do ChatGPT para escrever o que está acima?
Precisei do ChatGPT foi para escrever isto:
Max 21 de Novembro de 2025 às 22:20
Não há nada a fazer, está-se na ANI. por vários anos. não se sabe quantos. Então como se mede o progresso? A OpenAI criou 5 níveis, internamente … que foram divulgados pela imprensa.
1 – Conversacional (“Chatbots”) – IAs que interagem por texto (ou voz), respondem a perguntas, geram texto – como o ChatGPT, Gemini, Perplexity e outros. A OpenAI considera que está próxima do nível 2.
2 – Raciocinadores (“Reasoners”) – IA que consegue resolver problemas com nível semelhante a alguém com doutoramento, mesmo sem usar ferramentas externas sofisticadas
3 – Agentes (“Agents”) – Sistemas que podem agir de forma autónomapara os utilzadores por períodos de tempo, por exemplo, fazer o trabalho de alguém enquanto está de férias
4 – Inovadores (“Innovators”)-IA capaz de criar novas ideias, soluções e inovações por si própria, não apenas executar tarefas, mas inventar/ melhorar processos
5 – Organizações (“Organizers/ organizations”) – IAs tão poderosas/ sofisticadas que poderiam gerir organizações inteiras, realizar funções complexas organzacionais de form autónoma.
Já nos 50s a USA nos ameaçava com inteligência artificial!
https://www.youtube.com/watch?v=ASsNtti1XZs
Não era os USA que ameaçava. Era a civilização galática que ameaçava a Terra, agora que possuía rudimentos da energia nuclear. A ameaça foi clara: “A sua escolha é simples: junte-se a nós e viva em paz, ou siga o seu curso atual e enfrente a obliteração.” (Wikipédia)
Também pode acontecer que uma super-IA diga isso aos humanos, sobreviventes.
Basicamente é um filme americano com mensagem para o mundo dos Humanos, o alien e o robô ali é meramente cosmética sci-fi. Ou fazem da maneira que os americanos querem ou estão em apuros, é só isso! O robô com inteligencia artificial já funciona de maneira autónoma, já ninguem o para… não me aprece inteligente mas é mesmo á americana!
É tão absurdo este fascínio pela IA que ninguém vê o óbvio. Inteligência significa apenas a capacidade de resolver problemas.
A criação de IA demonstra que a inteligência biológica pode ser representada,ou emulada, por uma máquina artificial, criada pela inteligência biológica, mas a um nível básico.
Quem fala da IA substituir a Inteligência biológica, pelo menos nós os humanos, tem de ser mais claro, porque a inteligência biológica, quando se depara com um problema, que necessita de solução, tem muitos fatores que influencia a sua resolução, como por exemplo fatores internos, tais como biológicos, emocionais, químicos que uma IA nunca conseguirá representar ou emular.
Neste momento, onde a IA está a substituir humanos, só demonstra que muitos problemas, que antes eram resolvidos pelos humanos, eram de fácil solução, básicos e sem necessidade da influência dos tais fatores internos como a biologia.
Ganhar um jogo de xadrez demonstra apenas que a IA conseguia ter mais previsoes de futuras jogadas que o seu oponente humano. Apenas isso.
No entanto se fossemos a pedir a IA e ao Kasparov para fazer uma omelete é provável que a IA não saberia fazê-lo ao contrário do Kasparov.
E por fim a IA irá substituir-nos até que ponto?
O medo irracional, algo que a IA não consegue emular, levá-los a ter comportamentos do mesmo tipo, no entanto o medo é também uma característica da inteligência biológica que a faz evoluir, obrigando-a a procurar soluções como por exemplo a cura do cancro.
Onde a IA pudera substituir-nos?
Na criação precisamente de modelos teóricos para questões como a cura do cancro porque consegue criar mais rápido vários cenários possíveis de possíveis curas.
Portanto vejam a IA como a criação do sistema implementado por Ford para criar a fábrica-modelo da criação de automóveis que ainda hoje utilizamos, ou seja, a IA é essa nova fábrica-modelo que vai ser a nova forma de criar coisas.
Não, a IA não derrotou Kasparov, ainda não existia. Quem te disse isso enganou-te