Encontrado primeiro narcosubmarino com Starlink: a evolução na logística do narcotráfico
Foi a Armada da Colômbia que apreendeu o primeiro narcosubmarino equipado com antena Starlink, o que demonstra que os traficantes estão a modernizar-se para aumentar a sua eficácia. A embarcação foi encontrada totalmente vazia, levando as autoridades a considerar que se tratava apenas de um protótipo de testes.
Starlink: tecnologia de ponta ao serviço do crime
O verdadeiro desafio do narcotráfico não está na produção da droga, mas sim na sua distribuição.
Depois de anos a infiltrar droga em veículos comerciais ou usando correios humanos (“mulas”), os traficantes passaram a construir e operar frotas de submarinos artesanais, conhecidos como narcosubmarinos. E a novidade é que estes veículos estão agora a integrar tecnologia de ponta.
O caso mais recente envolve um narcosubmarino sem tripulação, controlado à distância com recurso à rede de internet por satélite Starlink, de Elon Musk, algo que representa uma dor de cabeça adicional para as autoridades marítimas.
No início de abril, a marinha colombiana encontrou este submarino preso a uma lancha com capacidade para transportar até 1,5 toneladas de droga.
Apesar de não se destacar pelo tamanho ou capacidade, já existem narcosubmarinos bem maiores, o detalhe que chamou a atenção foi a antena Starlink na parte frontal.
Controlo remoto e invisibilidade
Este sistema permitiria ao veículo operar de forma semiautónoma, com um operador remoto em terra. Isso representa uma grande vantagem logística: se for intercetado, perde-se o carregamento, mas não se capturam pessoas. E, como não têm tripulação, também se tornam mais difíceis de detetar por radar ou outros sistemas.
Além da antena Starlink, o submarino contava com duas câmaras: uma interna, para monitorizar o motor e a transmissão, e outra externa, para visão da rota e desvio de obstáculos.
Investimento e sofisticação crescentes
Ainda que este exemplar estivesse vazio, o facto de já existir demonstra investimento sério no desenvolvimento destes veículos. Em 2009, estimava-se que operavam cerca de oito destes submarinos; em 2020, esse número terá subido para cerca de 180.
Alguns são frágeis e com pouca durabilidade, mas têm surgido modelos cada vez mais sofisticados, com até 30 metros de comprimento e com design semelhante ao dos submarinos militares.
Rede global e desafio às autoridades
Recentemente, a Armada da Colômbia intercetou uma destas embarcações com destino às costas da Austrália ou da Nova Zelândia, provando que nenhum país está imune à rede de tráfico internacional centrada na Colômbia, que continua a ser o maior produtor mundial de cocaína.
Mesmo sendo apenas uma experiência, o uso do Starlink em narcosubmarinos marca uma nova era tecnológica no narcotráfico, e um enorme desafio para as autoridades. Comparado com os modelos rudimentares dos anos 90, trata-se de um salto gigantesco.






















