Paramount avança com processo judicial contra a Warner Bros. pelo acordo com a Netflix
O setor do entretenimento está a ser abalado por uma nova batalha jurídica, após a Paramount ter decidido confrontar formalmente a Warner Bros. em tribunal. Este movimento surge na sequência da polémica fusão entre a Warner e a gigante do streaming Netflix.
Novo capítulo no "conflito" entre Paramount, Warner Bors. e Netflix
A tensão entre a Paramount, a Warner Bros. e a Netflix atingiu um novo ponto de ebulição. Durante vários meses, a Paramount Skydance envidou esforços para adquirir a Warner, mas esta última optou por uma aliança estratégica com a Netflix. Esta decisão provocou a indignação dos executivos da Paramount, que parecem determinados a não facilitar o desfecho desta operação.
Após acusar a Warner Bros. de ter conduzido o processo com a Netflix de forma pouco ética e sem a devida transparência, e tendo visto a sua Oferta Pública de Aquisição (OPA) hostil ser inicialmente rejeitada, a Paramount volta agora ao ataque.
De acordo com informações avançadas pela Variety, a empresa avançou com um processo judicial para exigir que a Warner Bros. revele os contornos financeiros detalhados do seu acordo de 83 mil milhões de dólares com a Netflix.
Segundo David Ellison, presidente e CEO da Paramount, esta ação judicial tem como único propósito obrigar a Warner Bros. Discovery (WBD) a facultar informações essenciais. Em carta aberta dirigida aos acionistas da Warner, Ellison sublinha que estes dados são vitais para que os investidores possam tomar uma decisão informada sobre a eventual venda das suas ações no âmbito da proposta da Paramount.
No referido documento, Ellison critica a opacidade da Warner Bros. Discovery, alegando que a empresa não forneceu esclarecimentos sobre a valorização do capital residual da Global Networks nem sobre os moldes da transação global com a Netflix. Além disso, questiona a base dos "ajustes de risco" aplicados à oferta em numerário da Paramount, que se fixa nos 30 dólares por ação.
Valor estratégico das propriedades intelectuais
A persistência da Paramount em não desistir desta fusão prende-se com o valor imenso das marcas envolvidas. Durante semanas, a empresa foi vista como a principal candidata à compra do lendário estúdio, o que lhe conferiria um poder mediático sem precedentes através de propriedades intelectuais como Harry Potter, o Universo DC ou Game of Thrones.
Contudo, o cenário mudou drasticamente quando a Netflix entrou na corrida. Após negociações surpreendentemente céleres, ambas as empresas confirmaram um acordo previsto para se tornar efetivo no final de 2026.
Esta rapidez não foi bem recebida pela Paramount, que sustenta que a sua OPA hostil é financeiramente superior à oferta da Netflix. Perante a iminente rejeição dos acionistas da Warner, a Paramount tenta agora expor toda a documentação do negócio antes que o mesmo se torne irreversível.
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Americanisses, eles que passem mais tempo a tirar de lá o presidente laranja e deixem-se de coisas. Quero ver o GoT e HP na Netflix em HDR e sem pagar mais por isso.
Olha outro… Desengana-te se achas que a Warner ser comprada pela Netflix é uma coisa boa.
Ora diz lá que parte é que é má. Mesmo que a Netflix sofresse um ligeiro aumento, continua a ser infinitamente mais barato do que adicionar outro serviço ao que já pago
“sem pagar mais nada por isso”, confia…
Incrível os acionistas não querem mais dinheiro, mas quando é para ir aos bolsos dos clientes nem hesitam.
As ofertas são diferentes:
– Netflix: a) oferta de 27,75 USD por ação, em dinheiro + troca de ações; b) a compra é parcial – inclui Warner Bros, Pictures, HBO, HBO Max, DC Studios e biblioteca de conteúdos; não abrange a rede cabo (incluindo a CNN e e o Discovery Channel) que são separadas numa empresa independente (“Discovery Global”; c) o valor que vai para os acionistas (equity value) é de 72 mil milhões (mM) de USD; d) a Netflix assume ainda dívidas parte da dívidas líquida (dívida menos disponibilidades) da Warner Discovery, no valor (cerca) de 10,7 mM USD, o que somado ao equity value dá um total de enterprise value de 82,7 mMUSD; e) a compra é financiada com dívida a bancos internacionais (Wells Fargo, HSBC, BNB Paribas e emissão de ações. Se a aquisição não se concretizar por oposição dos reguladores, a Netflix pagará 5,8 mM (correspondente a 8% do equity value, considerada uma percentagem elevada).
– Paramount: a) oferta hostil de 30 USD por ação, em dinheiro; b) sobre a totalidade da WB Discovery); c) o equity value é de 74,4 mM USD; d) a Paramount assume a totalidade da dívida líquida da WBD, cerca de 34 mM USD, o que dá um enterprise value de 108,4 mM USD; e) a compra é financiada com mais 50-54 mM de nova dívida (Bank, of America, Citi, Apolo, etc).
Parece que a Paramout está a oferecer mais, mas as duas propostas não são diretamente compararáveis, porque não se está a comprar/vender exatamente o mesmo – há uma diferença relativamente à rede cabo, à dívida assumida na compra e ao modo de pagamento aos acionistas (em dinheiro no caso da Paramout e dinheiro e ações no caso da Netflix).
O que pretende a Paramout com a ação judicial, que lançou uma OPA hostil (ou seja, não apoiada pelo Conselho de Administração da WBD, que apoia a proposta da Netflix)? Criar desconfiança nos acionistas da WBD de que a sua Administração não defendeu os seus melhores interesses e levá a preferir a sua proposta, em vez da da Netflix.