McMurtry inicia produção de um hipercarro capaz de circular de cabeça para baixo
Dez anos após a sua fundação, a irreverente equipa da McMurtry Automotive prepara-se para dar vida comercial ao hipercarro recordista Spéirling Pure. O modelo entra agora em produção numa nova unidade industrial em Wotton-under-Edge, em Inglaterra, estando a primeira entrega prevista para antes do final de 2026.
Este momento representa o culminar de uma década de desenvolvimento por parte desta pequena, mas altamente especializada, empresa de engenharia. O Spéirling foi sujeito a mais de 5.000 quilómetros de testes em protótipo e incorpora mais de 20 patentes, refletindo um nível de inovação pouco comum na indústria automóvel.
O fundador, Sir David McMurtry, falecido em 2024, não estará presente para assistir à saída das primeiras unidades de produção. O seu legado, contudo, será continuado pelos filhos e pelo cofundador da empresa.
Produção numa nova fábrica e ambição tecnológica
O Spéirling Pure será produzido numa nova instalação com cerca de 2.694 metros quadrados. Segundo a empresa, este espaço permitirá não só fabricar o modelo atual, como também expandir a gama de veículos nos próximos anos.
Paralelamente, a McMurtry está a criar uma nova divisão na sua sede em Gloucestershire com o objetivo de comercializar as suas tecnologias focadas em desempenho, nomeadamente ao nível de baterias, grupos motopropulsores elétricos e soluções avançadas de downforce.
McMurtry: um elétrico extremo com tecnologia inédita
O Spéirling Pure é uma máquina verdadeiramente singular. Trata-se de um monolugar 100% elétrico, com uma distância entre eixos extremamente curta, cerca de 3.815 mm. O elemento mais distintivo encontra-se na base do veículo: dois ventiladores capazes de atingir 23.000 rotações por minuto.
Estes ventiladores geram aproximadamente 2.000 kg de downforce, garantindo um nível de aderência praticamente sem precedentes. A força descendente é tal que permite, em teoria, que o automóvel circule invertido, sustentado pela sucção aerodinâmica.
Com 1.000 cavalos de potência provenientes do sistema elétrico, o Spéirling Pure atinge uma velocidade máxima de 305 km/h e acelera dos 0 aos 100 km/h em apenas 1,55 segundos. O desempenho resulta da combinação entre peso reduzido, cerca de 1.300 kg, elevada tração proporcionada pelo downforce e ausência de asas convencionais, que aumentariam o arrasto aerodinâmico.
Estes números já se traduziram em recordes no Goodwood Festival of Speed Hillclimb e em tempos superiores aos de monolugares de Fórmula 1 no circuito de testes do programa Top Gear.
Um brinquedo de pista para poucos
Quando a produção arrancar em pleno, o Spéirling Pure posicionar-se-á entre os automóveis de aceleração mais rápidos disponíveis para utilização em pista. O preço acompanha a exclusividade: cerca de 1,16 milhões de euros, antes de impostos e transporte.
Para os entusiastas que vivem para dias em circuito, as encomendas já podem ser efetuadas através do site da marca. A versão em tom azul-esverdeado destaca-se particularmente, sublinhando o caráter quase futurista deste hipercarro elétrico.























Desculpem lá, mas isto é para homens piegas porque hoje em dia um carro é desejável porque:
1) Tem de ter alma;
2) Tem de ter herança da marca – heritage
3) Tem de oferecer sentimento e emotividade ao condutor.
Agora, onde é que já se viu oferecem velocidade, tempos de aceleração ridículos e downforce para curvar?!
O que é que querem que se faça com os carros, fazer corridas?!?!
Calma rapaz. O carro está bonito, mas ouviste bem o barulho dos dois ventiladores?
Não é isso que o pessoal da alma, da heritage e da emotividade quer ouvir…
No entanto o pessoal da alma, heritage e emotividade acaba por ouvir o Active sound design (ASD) vindo das colunas, e que as marcas estão a colocar nos carros a combustão já faz 15 anos, desde o Golf R ao BMW M3 passando pelo E-Class…
Mas o active sound, compara-se aquele barulho que parece que estás numa oficina de carpintaria?
Depende dos teus ouvidos de princesa.
Não sei quem é pior, os responsáveis pelo fabrico de tal coisa ou os que gastam dinheiro a comprar tal coisa.
Há gente para tudo. Já vi aqui no Pplware um gajo dar uma fortuna por uma banana e um pedaço de fita-cola. Certo tipo de gente só quer é ser falado, não importa o preço nem as aberrações que compra
Lá está, o não aceitarem as opções dos outros.
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A ideia nao é nova ja houve um carro que competia e utilizava força de sucção para aderir , mas teve de deixar de competir porque atirava com um jato de ar cheio de pó e detritos para os que vinham atras
Isso é o que fazem todos os carros a combustão, aliás, só não deitam o pó porque ainda o filtram.
Basta procurar , e eu sou do tempo ainda me lembro , O carro de competição antigo famoso por se prender ao chão por sucção é o Chaparral 2J, frequentemente apelidado de “sucker car” (carro aspirador).
Petroleum Museum
Petroleum Museum
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Aqui estão os detalhes sobre este veículo revolucionário:
Época e Categoria: Competiu na série Can-Am em 1970.
Como Funcionava: Desenvolvido por Jim Hall, o 2J utilizava dois grandes ventiladores na parte traseira, movidos por um motor de dois tempos separado (um motor de snowmobile).
O “Efeito Venturi”: “Saias” de plástico Lexan nas laterais selavam o assoalho contra o chão, permitindo que os ventiladores retirassem o ar debaixo do carro, criando um vácuo.
Vantagens: Este sistema gerava força descendente (downforce) máxima mesmo quando o carro estava parado, oferecendo uma aderência extrema em curvas de baixa e alta velocidade.
Proibição: O 2J era tão rápido que gerou protestos dos rivais (principalmente a McLaren) e foi banido pela SCCA (Sportscar Club of America) após apenas uma temporada, sob o argumento de que os ventiladores lançavam detritos nos carros de trás.
Outro Exemplo Famoso:
Na Fórmula 1, o Brabham BT46B de 1978, desenhado por Gordon Murray, utilizou um conceito semelhante com um grande ventilador para resfriar o motor e, simultaneamente, aspirar o ar debaixo do carro. Venceu a sua única corrida (GP da Suécia de 1978) antes de ser excluído
Já estou a ver as corridas estilo “hot wheels” a aproximarem-se da existência.