Floating Data Centers: Samsung quer levar os centros de dados para o mar
A crescente procura por infraestrutura digital para suportar a Inteligência Artificial (IA) está a empurrar as grandes tecnológicas para soluções cada vez mais criativas. A Samsung Heavy Industries quer tirar os centros de dados de terra firme e colocá-los no oceano.
A explosão da IA generativa trouxe consigo um problema logístico de infraestrutura. Espaço, energia e arrefecimento são os três grandes obstáculos dos centros de dados tradicionais em terra.
Por isso, a Samsung Heavy Industries, divisão de construção naval do Grupo Samsung, acredita ter encontrado uma resposta: os Floating Data Centers (FDC), ou seja, centros de dados flutuantes instalados em embarcações no mar.
O projeto ganhou tração na Posidonia 2026, a maior exposição marítima do mundo, realizada em Atenas, onde a Samsung Heavy Industries assinou um acordo com a grega Capital Clean Energy Carriers Corp e a Lloyd's Register.
O conceito é simples na teoria, mas complexo na execução: construir navios de raiz especificamente preparados para albergar infraestrutura de centro de dados, algo diferente do que outros estão a tentar.
Como funciona e o que o distingue de outros projetos
Enquanto a Hitachi está, em parceria com a Mitsui O.S.K. Lines, a converter navios existentes em plataformas de data center reutilizadas, a Samsung aposta na construção de embarcações de origem concebidas especificamente para o efeito.
O modelo FDC de 50 MW que a empresa desenvolveu já obteve aprovação do American Bureau of Shipping e do Lloyd's Register, que confirmou a viabilidade técnica do design, incluindo a integridade estrutural e a integração de sistemas de geração de energia a bordo.
Uma das grandes vantagens destes centros de dados flutuantes está no arrefecimento. A água do mar é bombeada através de um sistema de permuta de calor em circuito fechado, onde absorve o calor gerado pelos servidores e o devolve ao oceano sem qualquer contacto direto com os equipamentos informáticos.
Este mecanismo elimina o consumo de água doce e pode reduzir o consumo energético destinado ao arrefecimento entre 40 a 60% face aos sistemas convencionais de ar condicionado.

Maquete de um projeto de centro de dados flutuante no stand da Samsung Heavy Industries na Data Center World, em Washington. Crédito: Rich Miller
Samsung tem vários parceiros para tornar o conceito realidade
Além do acordo com a Capital Clean Energy e a Lloyd's Register, a Samsung Heavy Industries assinou também um acordo com a Supermicro, especialista norte-americana em servidores para IA, com o objetivo de desenvolver configurações de servidores adaptadas ao ambiente marinho.
Mais recentemente, juntou-se ainda a Mousterian Corporation, empresa sediada em Dallas especializada em infraestrutura de centros de dados flutuantes e "adjacentes à água".
Os desafios ainda por resolver
Transformar um centro de dados numa embarcação marítima não é tarefa fácil. A parceria com a Capital Clean Energy serve, por isso, para validar o conceito com protótipos reais, testando potenciais problemas relacionados com a humidade, a salinidade, as vibrações e a fiabilidade das workloads em ambiente marítimo.
As questões práticas que ainda ficam em aberto incluem o custo de construção de uma unidade de 50 MW, o prazo entre contrato e entrada em operação, e quais os mercados costeiros que a Samsung e a Capital irão visar primeiro.
O que é certo é que a Samsung está a montar peça a peça toda a estrutura comercial necessária para lançar este produto, nomeadamente certificação, tecnologia, análise de mercado e hardware adaptado ao mar, antes de construir um único navio.
Se o modelo de centros de dados flutuantes se provar viável, algumas das estruturas da Samsung poderão, no futuro, ser instaladas algures no oceano.
Leia também:
Neste artigo: centro de dados, samsung



















Vão aparecer agora os feiticeiros da desgraça para comentar que os mares vão secar ousubir de temperatura.
Serão os mesmos terraplanistas.
Eu acho que o local certo é o espaço, lá não há problema com o arrefecimento sem causar danos.
O maior problema é o arrefecimento pois no espaço existe o vácuo, não existe circulação de ar logo só é possivel arrefecer por radiação com paineis gigantes e extremamente lentos e pesados …
Os oceanos ainda não estão quentes que chegue, bora lá aquecê-los mais um bocado.
+1000
Pronto, já começou a conspiração.
Temos que ponderar seriamente voltar ao cavalo, tudo isto é insustentável.
Se voltasses ao cavalo, o número de cavalos que seriam precisos, o metano que iriam produzir e o alimento que terias de produzir para esses cavalos destruíam o planeta por completo.
O problema do mundo não é o que fazemos com ele é a quantidade de pessoas que o habitam e a sua crescente população
Tudo tem impacto ambiental, até mesmo as iniciativas com intenção de salvar o ambiente. É necessário esperar e investigar, a ver se estas estruturas vão contribuir para mais aquecimento oceânico e consequente alteração de correntes marinhas. Depois há a questão da vulnerabilidade em contexto de guerra. O lado positivo: Talvez seja criado um mercado de cruzeiros para visitar os datacenters, xd.
Parece uma daquelas mentiras do dia 1 de Abril… proteção contra ataques?
Coloquem uma cena dessas na Costa da Caparica a ver se a água aquece.
Ou em Leixões. Talvez consigam uma temperatura amena nos próximos 150 anos. Não vão poder usufruir mas talvez os vossos netos depois venham a saber que tinha uma geração anterior a eles que alguns acreditavam na terraplanagem.