75 anos da BIC Cristal e a história da escrita acessível
Quem nunca teve uma, ou várias esferográficas BIC Cristal? Este objeto continua a ser a tecnologia mais precisa para transportar para o papel aquilo que o cérebro idealiza, funcionando como a ligação direta entre o pensamento humano e a comunicação escrita.
A BIC começou a sua história em 1945, quando o empresário francês Marcel Bich e o seu sócio Édouard Buffard fundaram uma pequena fábrica em Clichy, França, com o objetivo de produzir peças para instrumentos de escrita.
Rapidamente, Bich percebeu o potencial da caneta esferográfica e comprou as patentes da invenção de László Bíró, aperfeiçoando o design através de tecnologia suíça para melhorar a esfera metálica e a fluidez da tinta.

Húngaro de nascimento e argentino por escolha, László Bíró (1899–1985) foi o jornalista e inventor que revolucionou a escrita ao criar a caneta esferográfica moderna.
Em 27 de dezembro de 1950, nasce o seu primeiro produto sob o nome Bic, uma versão simplificada e económica da esferográfica que viria a revolucionar a forma de escrever no mundo.
A caneta mais vendida do mundo
A BIC Cristal é uma caneta esferográfica de baixo custo, produzida em larga escala e comercializada em dezenas de países.
Lançada em 1950, rapidamente se tornou não apenas um fenómeno de vendas, como um objeto presente em praticamente todas as salas de aulas, escritórios e lares.
Até 2006, já haviam sido vendidas mais de 100 mil milhões de unidades, um número que continua a crescer diariamente.
Estima-se que sejam vendidos milhões de modelos todos os dias, reforçando o carácter universal desta caneta.
Se todas as unidades já vendidas fossem alinhadas, poderiam contornar a Terra várias vezes, uma imagem que ilustra o seu impacto global.
Tecnologia simples, eficácia máxima
A esferográfica distingue-se pelo seu mecanismo simples, mas eficaz: uma pequena esfera de metal na ponta gira com o contacto no papel, libertando tinta de forma consistente e sem fugas.
Esta solução eliminou muitos dos problemas das canetas anteriores, como o ressecamento ou os derrames de tinta, e permitiu uma escrita mais fluida e fiável.
O corpo hexagonal foi pensado para evitar o rolamento involuntário na mesa e oferecer uma pega confortável, enquanto o pequeno furo no corpo regula a pressão interna e previne fugas de tinta em alturas elevadas, um detalhe técnico muitas vezes ignorado, mas importante para a funcionalidade global.
Design e cultura material
Mais do que um instrumento de escrita, a BIC Cristal tornou-se um ícone de design industrial.
O seu formato simples, funcional e reconhecível levou a que fosse incluída em coleções permanentes de museus como o Museum of Modern Art (MoMA) em Nova Iorque e, posteriormente, no Centre Pompidou em Paris.

A caneta BIC Cristal assinala 75 anos de história com uma homenagem invulgar, transformada num candeeiro gigante desenhado por Mario Paroli para a marca italiana Seletti. Conhecida como um dos objetos mais comuns e universais do quotidiano, a caneta ganha agora uma nova escala e função, assumindo-se como peça escultórica de iluminação.
Este reconhecimento institucional valida o estatuto da BIC Cristal como objeto cultural e não apenas utilitário.
Impacto global e mercado
Ao longo das décadas, a BIC expandiu-se globalmente, estando presente em mais de 160 países e diversificando a sua oferta para incluir isqueiros, aparelhos de barbear e outros produtos de consumo quotidiano.
A caneta esferográfica permanece, contudo, o produto mais emblemático e um dos principais motores do reconhecimento da marca.
Legado de 75 anos
Sete décadas e meia depois da sua criação, a BIC Cristal continua a simbolizar a escrita no mundo. A sua longevidade baseia-se na eficácia do design, na fiabilidade da tecnologia esferográfica e na acessibilidade que proporcionou a milhões de pessoas em todo o planeta.
Enquanto muitos produtos mudaram radicalmente ao longo dos anos, a essência da BIC Cristal permaneceu praticamente inalterada, um sinal de que a sua fórmula foi, desde o início, quase perfeita.
Este equilíbrio entre simplicidade e funcionalidade explica não só o enorme volume de vendas, como o lugar de destaque que esta caneta ocupa na história dos objetos mais produzidos e usados na história da humanidade.


























Não sei como é hoje, mas no meu tempo os adolescentes não andavam com caneta e papel, chegavam à aula e para não levarem falta de material pediam à colega do lado.
As famosas esferográficas que até nos ajudava a enrolar as fitas das cassetes…
Exatamente 😀
Amigo, tens de arranjar maneira de fazer como no Shitbook, criar uns emojis para colocar também aqui…
Mais tralha? 😀 Gosto que as pessoas se expressem… têm “voz”.
Sabes que às vezes evitam-se discussões inúteis com alguns “artolas”.
Com um boneco emotivo, a coisa é mais leviana e uma pessoa não se chateava tanto mas pronto, era mesmo só uma ideia…
Também é verdade!
Ou a enrolar cabulas
Pois, esse procedimento nunca fiz…
Cábulas sim mas em modo pergaminho, nunca me lembrei de fazer…
Fun fact: A esferográfica não existia na 2ª guerra mundial. A Ann Frank escreveu o seu diário com caneta de tinta.
pobrezinha, antes a camara de gás
Sujavam as mãos com tinta. Borravam o bolso da camisa que dificilmente se conseguia lavar. Grande porcaria. As de gel são bem melhores.
E quem é que ainda se lembra da publicidade, Bic Bic laranja escrita fina, Bic Bic Cristal escrita normal Bic Bic Bic Bic
https ://www.youtube.com/watch?v=rL_P2aP-uzI
Artigo muito interessante.
Lembro-me da “guerra” Bic vs Molin
As Molin colavam-se umas tampas e anda se brincavam com elas a imitar naves espaciais…
Ok pronto, já naõ volto a ver mais episódios do Espaço 1999
A bic encaixa tão bem que suspeito, quem definiu o tamanho do buraco já contava usar a caneta para esse fim.
Carlos essas conversas não são aqui!!!!!.
Há…, espera, estavas a falar do buraco das cassetes…, peço desculpa!!!!…
Hehehehe!!!