O seu cocó pode salvar vidas: não quer ser dador? Pagam até 1380 euros por mês
A medicina moderna está a transformar algo que todos consideramos banal e pouco nobre num recurso clínico de alto valor: as fezes. À medida que a ciência descodifica o papel do microbioma intestinal na saúde, começam a surgir bancos de fezes que recolhem, processam e utilizam este material em transplantes e em investigação. Portanto, já há quem seja "dador" de cocó!
As fezes são armazenadas e servem para salvar vidas. Isto porque, do outro lado, estão doentes com infeções recorrentes e outras patologias graves, para quem um transplante de microbiota fecal pode significar uma melhoria dramática da qualidade de vida.
O texto que se segue explica como este novo “ouro castanho” está a ser usado e por que razão o seu cocó pode, literalmente, salvar vidas.
Já pode ser dador de fezes
Pode estar sentado, por assim dizer, sobre um recurso muito valioso que os cientistas adorariam ter nas mãos: o seu cocó. Para além de sangue, plasma e órgãos, já pode doar amostras fecais a bancos de fezes para investigação e utilização em transplantes.
Um cientista da University of New South Wales Sydney (UNSW Sydney) escreveu um anúncio de utilidade pública para sensibilizar para o aparecimento e a importância dos bancos de fezes, algo em que investigadores e instituições médicas de todo o mundo também estão agora a trabalhar.
A ideia é utilizá-lo para transplantes de ‘cocó’, também conhecidos como transplante de microbiota fecal. É quando produtos derivados de fezes de dadores saudáveis são transplantados para outra pessoa para melhorar a sua saúde.
Explicou Nadeem O. Kaakoush, professor do Host-Microbiome Interactions Group na UNSW Sydney.
Até à data, existem estudos sobre a forma como o procedimento poderá beneficiar o tratamento de perturbações do espetro do autismo, perturbações do consumo de álcool, obesidade, melanoma e cancro.
Os transplantes também têm sido investigados como possíveis vias de tratamento para doenças inflamatórias intestinais e hepáticas, infeções urinárias de longa duração e muito mais. Mas os ensaios clínicos, e a investigação em geral, precisam de material para começar, e é aqui que pode entrar em ação.
Pense numa dádiva de cocó como doar um tipo diferente de ‘órgão’, o seu microbioma intestinal. Esta é a comunidade de microrganismos no seu intestino responsável por funções críticas no organismo, incluindo moldar o seu sistema imunitário e a forma como metaboliza os alimentos.
Disse Kaakoush.
Calma, não é um cocó qualquer, tem de ser um "excecional"
Verdade. Nem todas as amostras fecais são adequadas para utilização. A investigação científica continua a exigir que cumpram critérios de inclusão e exclusão e, para que sejam apropriadas para tratamento médico, têm de ser “excecionais” em termos de segurança e qualidade. E, tendo em conta o seu prazo de validade, por assim dizer, é geralmente necessário viver a uma determinada distância de um banco de fezes para poder doar.
Os dadores são submetidos a uma extensa triagem médica antes de serem selecionados. Quando transplantamos fezes, queremos garantir que o dador está livre de vírus transmitidos pelo sangue (como o VIH ou a hepatite).
Também queremos garantir que as suas fezes estão livres de parasitas e de vírus e bactérias causadores de doença (como Clostridioides difficile), bem como de determinadas bactérias resistentes a antibióticos.
Para complicar, é esperado um compromisso de doação consistente. Todas estas restrições reduzem rapidamente o número de dadores que conseguimos recrutar.
Afirmou Kaakoush.
Nos EUA já se salvam americanos com este tipo de transplante
Nos Estados Unidos, os transplantes de microbiota fecal (FMT) são uma área da medicina em rápido crescimento e a procura de dadores é elevada.
Em 2022, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou o primeiro produto comercial de FMT, o RBX2660 (Rebyota), para a prevenção de infeção recorrente por C. difficile (CDI) em adultos.
Num ensaio de Fase 3, o RBX2660 foi significativamente mais eficaz do que o placebo na prevenção de CDI recorrente (70,6% de sucesso contra 57,5%).
No ano seguinte, a FDA aprovou o SER-109 (Vowst), o primeiro produto oral comercial de FMT para CDI recorrente. Em doentes com três ou mais episódios de CDI num ano, o medicamento levou a uma taxa de recorrência inferior ao fim de apenas oito semanas, em comparação com o placebo (12,4% contra 39,8%).

Existem na sociedade pessoas, que os cientistas identificaram ser superdadores, pessoas cuja qualidade fecal é de tal forma elevada,
Além de poder salvar alguém, o dador pode saber mais sobre a sua "vida"
Atualmente, existem centros especializados em fezes por todo o país, entre eles, o OpenBiome, o Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP), que recolhe amostras de pessoas até aos 21 anos para tratar doenças pediátricas.
Existe também a GoodNature, uma entidade que chega mesmo a ter um programa que oferece até 1500 dólares (cerca de 1380 euros) por mês a dadores elegíveis que consigam fornecer amostras que correspondam aos critérios.
Pode estar a salvar a vida de alguém, ou pelo menos a melhorar significativamente a sua qualidade de vida. É provável que a sua dádiva venha a tratar alguém com infeção recorrente por C. difficile. Caso contrário, será utilizada num ensaio clínico ou estudo para tratar outra condição médica importante.
Ainda estamos longe de conseguir replicar toda a comunidade microbiana intestinal em laboratório. Por isso, temos de depender de produtos microbianos vivos feitos a partir de fezes doadas, à medida que a investigação passa da bancada de laboratório para a clínica.
Concluiu Kaakoush.
Nos últimos anos, os cientistas identificaram que, entre nós, circulam alguns superdadores, pessoas cuja qualidade fecal é de tal forma elevada, em termos de sucesso dos transplantes, que é extremamente valorizada.
Os investigadores esperam que dar maior visibilidade aos bancos de fezes ajude a descobrir mais membros do público cujo cocó “vale” muito mais do que se poderia imaginar.






















o meu cócó vale muito mais do que isso pá 😉
E por aqui tudo a chorar com o SMN.. falta de visão
Há tempos vi um artigo, posso não ter percebido bem, mas nos intestinos existe variada vida microbiana, e, com o nosso modo de vida actual, com os antibióticos, a nossa higiene maior, vida fora do campo rural, há bactérias benéficas que vão desaparecendo do organismo de alguma pessoas, ficando deficitárias no “trânsito” e “flora” intestinal.
existe um “negócio”, digamos, nos iogurtes estilo “Danone” e “Activa” que dizem ter milhões de probióticos, para as pessoas comprarem.
Actimel
Não sei já se foi também num artigo em que li também o mesmo ou se foi num documentário no tempo em que canais de documentários ainda passavam documentários. Seja como for foi já há bastantes anos e percebi o mesmo que o Filipe. A flora ou microbióta intestinal em algumas pessoas torna-se deficitária o que pode originar diversos tipos de problemas de saúde e o transplante dessa microbióta de uma pessoa com microbióta saudável (geralmente microbiótas de jovens) poderia ser um tratamento eficaz.
O que não percebi na altura e continuo a não perceber é: se fazem colheitas de matéria fecal cujo único objectivo são os microorganismos aí presentes… por que não fazem então a cultura desses diversos microorganismos em larga escala para posteriormente os administrarem oralmente através de cápsulas tal como fazem com tantos outros medicamentos como, apenas como exemplo, o Ultra Levura, provavelmente o mais conhecido medicamento probiótico…
Creio que sim, vi um documentário num canal, a falarem assim de défice de flora ou microbióta intestinal em algumas pessoas, tornando-as mais vulneráveis. Então seriam tratadas desse modo como descreves.
Como posso fazer para ser um dador
O título tem “piada” mas se forem ver, depois apenas meia dúzia de pessoas (jovens e saudáveis) podem ser elegíveis 🙂
Mas já estou a imaginar um negócio que irá surgir nos EUA, existem celebridades a receber transfusões de sangue de adolescentes (dadores com consentimento) com a crença que retarda o envelhecimento, há clínicas a fazer isso nos EUA.
Qualquer dia vamos ver celebridades a querer receber no recto transplantes de fezes de adolescentes jovens :-)))
kk kkk
Olha o putin, tem uma farm de jovens saudáveis como repositório de órgãos para ir trocando e mantendo-se jovem
Entao eu vou-vos contar uma novidade, toda a informacao esta corrompida. Eles os DDT sabem muito bem como passar uma narrativa as pessoas. E conseguem-no com a ajuda da comunicacao social. Comeca por lermos artigos na wikipedia depois documentarios, etc, tudo a falar o mesmo e nos assimilamos aquilo como verdade. Se eu vos dissesse que os dinossauros nunca existiram iriam-me chamar maluco nao e ? Pois claro. Ha muito mais esoterismo na vida do que aquele que pensamos.
Os dinossauros nunca existiram isso ja toda a gente sabe, mas se eu te disser que o universo não existe e não ha planetas nem estrelas mas sim vivemos num estúdio onde Deus simplesmente nos usa como atore de teatro para o entreter de uma vida monotona?
Hoje até dava para receber uns trocos valentes, depois do jantar da empresa 😉
isto aqui em Portugal ainda nao é possível certo
a minha retrete já me deve uns milhões!
Mas, pessoal, bancos de Merda é o que mais temos neste país! 😀
Aposto que sou um super dador, a minha qualidade fecal é excepcional a ver se me qualifico