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Análise Xenoblade Chronicles 2 (Nintendo Switch 2)

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Poucos jogos representam tão bem a filosofia evolutiva da Nintendo como Xenoblade Chronicles 2. Lançado em 2017, este RPG da Monolith Soft impressionou tudo e todos por uma tremenda ambição e expetativas, oferecendo um mundo gigantesco, personagens memoráveis e uma aventura épica, sem precedentes. Contudo, o preço a pagar foi grande demais. Agora com todo o potencial da Nintendo Switch 2 chegou uma “nova versão” do jogo.


Quase uma década depois, a Nintendo Switch 2 oferece finalmente ao título a oportunidade de brilhar da forma que sempre mereceu.

A nova edição do clássico não só corrige os problemas que acompanharam o lançamento original, como transforma aquela que já era uma excelente experiência num tremendo exemplo de como um remaster deve ser levado a cabo.

Um mundo demasiado grande para a Switch original

A série Xenoblade, criada por Tetsuya Takahashi e com mais de 10 anos de vida, adquiriu um carisma e valor emocional bem estabelecida entre os fãs de JRPG japoneses. Conhecida pelos seus cenários colossais, histórias complexas e sensação constante de descoberta, a série desde cedo se caracterizou por exigir muito do hardware das máquinas onde corria.

No caso de Xenoblade Chronicles 2, a situação era particularmente evidente. O jogo apresentava ambientes vastos e repletos de detalhes, mas a Switch original simplesmente não tinha potência suficiente para acompanhar as ambições da Monolith Soft, acabando por revelar essa mesma insuficiência de forma notória.

Criado pela Monolith Soft e liderado por Tetsuya Takahashi, criador de séries como Xenogears e Xenosaga, Xenoblade Chronicles 2 destaca-se pela sua enorme escala. A aventura acompanha Rex, Pyra e um conjunto de personagens inesquecíveis numa viagem épica pelos Titãs gigantes que sustentam o mundo de Alrest.

As consequências eram difíceis de ignorar. Em determinadas áreas, especialmente nas regiões mais densas, a resolução descia para níveis extremamente baixos, comprometendo a qualidade da imagem. Os cenários perdiam definição, os detalhes tornavam-se difíceis de distinguir e, em alguns momentos, a experiência visual ficava longe daquilo que a equipa de desenvolvimento tinha imaginado.

A situação também não era ideal em termos de desempenho com quebras de framerate frequentes durante os combates mais exigentes.

A transformação que Xenoblade Chronicles 2 esperava

Com a Nintendo Switch 2, Xenoblade Chronicles 2 recebe finalmente o tratamento que sempre mereceu. O salto técnico é imediatamente perceptível. esta edição surge como a atualização tão desejada para uma das aventuras mais memoráveis da Nintendo. As melhorias visuais, a maior fluidez e os conteúdos adicionais transformam esta na melhor forma de explorar o vasto mundo de Alrest.

A nova versão corre a 60 fps, tanto em modo portátil como ligado à televisão, oferecendo uma fluidez que altera por completo a sensação de jogo. Os combates tornam-se mais responsivos, a exploração mais agradável e as transições entre animações muito mais naturais.

A resolução também beneficia significativamente da nova plataforma. Com saída em 4K através de upscaling quando ligado à televisão e imagem a 1080p em modo portátil, o jogo apresenta-se com uma nitidez impressionante, permitindo apreciar melhor a escala dos seus cenários e o trabalho artístico da equipa de desenvolvimento.

O salto técnico que os fãs esperavam

Se a qualidade do jogo nunca esteve verdadeiramente em causa, o mesmo não se podia dizer do seu desempenho técnico na primeira Switch.

Em modo portátil, a resolução sofria cortes agressivos para manter o jogo funcional, prejudicando a nitidez da imagem e dificultando a apreciação dos vastos cenários criados pela Monolith Soft. Ainda assim, muitos jogadores passaram mais de uma centena de horas a explorar Alrest graças à qualidade da aventura.

A Nintendo Switch 2 Edition muda completamente esse panorama.

A resolução atinge os 4K através de técnicas de upscaling quando ligada à televisão, enquanto o modo portátil apresenta uma imagem dinâmica a 1080p que tira partido do écran da consola. O resultado é uma apresentação visual muito mais limpa, detalhada e fiel à visão original dos criadores.

As melhorias não se ficam pela resolução. As sombras apresentam maior qualidade, a iluminação ganha profundidade adicional e diversas texturas foram significativamente refinadas. Os trajes das personagens, criaturas e elementos do cenário exibem agora um nível de detalhe que simplesmente não era possível na versão original.

Mais do simples melhoria de resolução

As mudanças não se limitam aos aspetos técnicos. A Monolith Soft aproveitou a oportunidade para melhorar diversos aspetos visuais que contribuíram para modernizar a apresentação do jogo.

As texturas encontram-se mais detalhadas, as personagens com contornos mais definidos e muitos dos problemas relacionados com objetos a aparecer subitamente no ecrã foram significativamente reduzidos. A visibilidade à distância também foi melhorada, algo fundamental num jogo que incentiva constantemente a exploração de vastos territórios.

O universo de Alrest ganha nova vida e consegue finalmente transmitir toda a imponência dos seus gigantescos Titãs.

Sistema de combate recompensa a estratégia

Xenoblade Chronicles 2 apresenta um sistema de combate em tempo real que, à primeira vista, pode parecer demasiadamente simples. As personagens atacam automaticamente quando ao alcance do inimigo, enquanto o jogador decide quando utilizar as diferentes habilidades especiais. No entanto, esta aparente simplicidade apresenta um sistema surpreendentemente profundo, no qual o momento certo para lançar cada ataque pode fazer toda a diferença.

A relação entre Drivers e Blades é o coração desta mecânica. Os Drivers são os guerreiros que enfrentamos diretamente nas batalhas, enquanto as Blades funcionam como companheiros de combate que lhes concedem armas, habilidades e afinidades elementais diferentes. Cada Driver pode utilizar várias Blades e alternar entre elas durante o combate, permitindo adaptar a estratégia ao inimigo e à situação.

É aqui que os ataques automáticos ganham uma importância especial. Em vez de obrigar o jogador a carregar constantemente em botões para atacar, Xenoblade Chronicles 2 permite que as personagens mantenham o combate enquanto o jogador se concentra na gestão das habilidades. Os ataques automáticos não são apenas uma forma de causar dano: servem também para carregar as Artes, que podem depois ser utilizadas para provocar efeitos específicos, interromper ataques ou iniciar combinações mais poderosas.

E é precisamente na combinação entre ataques automáticos e Artes que o sistema começa verdadeiramente a revelar a sua profundidade. Esperar pelo momento adequado para utilizar uma habilidade, posicionar corretamente a personagem ou trocar de Blade pode transformar um combate aparentemente difícil numa sequência perfeitamente controlada.

Combos que transformam o combate

O verdadeiro espetáculo surge quando começamos a combinar Driver Arts, Blade Specials e diferentes elementos. As Artes podem contribuir para criar sequências de ataques que permitem derrubar, lançar ou atordoar adversários, enquanto as habilidades especiais das Blades podem ser encadeadas para criar os chamados Blade Combos.

À medida que os combates avançam, torna-se possível aplicar diferentes efeitos elementais em sequência e terminar essas combinações com ataques de maior potência. Quando conseguimos executar a sequência correta, o resultado é particularmente satisfatório: os ataques sucedem-se, os efeitos visuais enchem o ecrã e o inimigo fica progressivamente mais vulnerável.

A introdução das orbes elementais acrescenta ainda outra camada estratégica. Ao completar determinados Blade Combos, podemos colocar orbes elementais nos adversários. Posteriormente, durante uma fase de Chain Attack, essas orbes podem ser destruídas para prolongar a sequência e aumentar significativamente o dano provocado.

O sistema acaba por criar uma espécie de jogo dentro do próprio combate: não basta causar o máximo de dano possível a cada momento. Muitas vezes é preferível preparar cuidadosamente o inimigo, construir as combinações elementais certas e guardar os recursos para desferir um ataque devastador no momento ideal.

A equipa certa pode mudar tudo

A composição da equipa assume,uma importância crucial, pois cada Blade possui uma afinidade elemental e diferentes capacidades, pelo que escolher corretamente quem acompanha cada Driver influenciará a forma como enfrentamos cada inimigo.

Uma equipa equilibrada permite combinar diferentes elementos e construir Blade Combos mais facilmente. Também é importante considerar o papel desempenhado por cada personagem, criando uma formação capaz de causar dano, resistir aos ataques adversários e recuperar pontos de vida quando necessário.

Esta liberdade é uma das características mais interessantes do sistema. À medida que desbloqueamos novas Blades, o jogador é constantemente incentivado a experimentar diferentes combinações e a descobrir quais funcionam melhor.

Existe, contudo, uma curva de aprendizagem considerável. Xenoblade Chronicles 2 apresenta muitas destas mecânicas de forma gradual e algumas só se tornam verdadeiramente intuitivas depois de várias horas. Para quem chega pela primeira vez à série, o número de sistemas envolvidos é complexo. Mas a recompensa justifica…

Evoluir os Drivers, desenvolver as Blades

A progressão também está profundamente ligada ao sistema de combate. Os Drivers ganham experiência, desbloqueiam novas capacidades e podem melhorar as suas estatísticas, enquanto as Blades possuem os seus próprios sistemas de desenvolvimento.

Cada Blade pode ser personalizada através de diferentes melhorias, armas, acessórios e habilidades, permitindo adaptar as personagens ao estilo de jogo de cada jogador. O desenvolvimento das Blades não se limita, por isso, a aumentar números: também desbloqueia novas possibilidades de combate e exploração.

Esta progressão cria uma relação interessante entre exploração, combate e desenvolvimento. Quanto mais exploramos Alrest, mais oportunidades encontramos para melhorar a nossa equipa; quanto melhor preparada estiver a equipa, mais facilmente conseguimos enfrentar inimigos e zonas de maior dificuldade.

Novidades discretas, mas divertidas

Além das melhorias técnicas, a Nintendo e a Monolith Soft introduziram alguns conteúdos inéditos.

O destaque vai para o modo Assalto Merc, uma nova forma de participar diretamente em missões anteriormente concluídas de forma automática pelos Blades. Neste modo, os jogadores controlam várias personagens durante combates frenéticos repletos de efeitos visuais, habilidades especiais e trocas constantes entre membros da equipa.

Embora não tenha a profundidade do sistema de combate principal, funciona como uma adição divertida que oferece recompensas úteis e permite passar mais tempo com algumas das personagens favoritas dos fãs.

A atualização introduz ainda a nova Blade curandeira MOMO, acompanhada por uma missão própria, bem como novos visuais para Pyra e Mythra que podem ser utilizados ao longo da aventura.

A melhor versão de Xenoblade até hoje?

Curiosamente, esta atualização revela tudo o que a Monolith Soft aprendeu ao longo dos vários relançamentos da série. Enquanto outras versões para a Switch 2 apresentavam algumas inconsistências relacionadas com resolução ou desempenho, Xenoblade Chronicles 2 encontra um equilíbrio exemplar.

A combinação entre qualidade de imagem, estabilidade e melhorias visuais faz desta edição aquela que melhor aproveita as capacidades da nova consola.

Além disso, a expansão independente Torna: The Golden Country recebeu o mesmo tratamento técnico. Melhor ainda, o upgrade para este conteúdo foi disponibilizado gratuitamente, uma decisão bastante bem-vinda por parte da Nintendo.

O RPG que sempre esteve escondido por trás das limitações

Quando foi lançado, Xenoblade Chronicles 2 já era considerado um dos RPGs mais ambiciosos da Nintendo Switch. A força da sua narrativa, o carisma das personagens e a escala impressionante do seu mundo eram suficientes para conquistar os jogadores, apesar das limitações técnicas.

Quase uma década depois, a Nintendo Switch 2 permite finalmente apreciar essa visão sem compromissos. O resultado é uma experiência mais fluida, mais bonita e mais próxima daquilo que os criadores idealizaram desde o início.

Para os veteranos, esta é a oportunidade perfeita para revisitar uma das maiores aventuras da Nintendo. Para quem nunca deu uma oportunidade à série, dificilmente haverá um melhor ponto de entrada. Afinal, Xenoblade Chronicles 2 continua a ser um dos RPGs mais marcantes da geração passada, mas só agora consegue mostrar toda a sua grandeza.

Vale a pena regressar a Alrest?

Sem qualquer dúvida. Xenoblade Chronicles 2 continua a ser um dos JRPG mais marcantes da última década. A sua narrativa emocional, os seus sistemas profundos e o extraordinário sentido de escala permanecem tão impressionantes hoje como em 2017.

A Nintendo Switch 2 Edition não resolve todas as questões, contudo, as melhorias visuais e de desempenho elevam significativamente a experiência.

Para quem nunca jogou a aventura de Rex e Pyra, esta é claramente a melhor porta de entrada. E para os veteranos, é uma oportunidade perfeita para redescobrir um dos mundos mais fascinantes alguma vez criados pela Monolith Soft, agora com a qualidade técnica que o jogo sempre mereceu.

Comentários

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  1. Avatar de Paulo
    Paulo

    Senti alguma repetição na matéria escrita