A dona do Facebook decidiu passar do software para as fábricas e produziu um robô humanoide bípede funcional. Batizado internamente como Max, o aparelho nasceu de uma parceria da Meta com os técnicos da chinesa Fourier, especialista em atuadores e robótica médica. A estrutura física ficou montada em apenas três meses, aproveitando linhas de montagem em Xangai e Shenzhen para acelerar o processo.

Engenharia em segredo nas fábricas de Xangai
Com cerca de 1,50 metros de altura e a rondar os 48 quilos, o robô afasta-se do perfil sério da indústria pesada. O objetivo passa antes por testar tarefas quotidianas num ambiente residencial comum, apanhando objetos no chão ou organizando prateleiras. No topo da carcaça e na zona frontal do tronco estão instaladas câmaras e microfones calibrados para responder a ordens de voz a cinco metros e comandos por gestos a três metros.
Hardware da NVIDIA a coordenar movimentos
No interior do chassis do robô corre o módulo Jetson Thor da NVIDIA, o cérebro eletrónico encarregue de processar imagem e movimento em frações de segundo. Esta capacidade de computação serve de base para o modelo de inteligência artificial Muse, desenvolvido pelos investigadores para dar autonomia espacial ao protótipo. Mãos articuladas com cinco dedos garantem a destreza necessária para agarrar copos ou transportar peças de roupa sem as deixar cair.
Para evitar um aspeto puramente mecânico, a carcaça frontal integra um ecrã com expressões visuais simples e colunas de áudio embutidas no peito. A evolução já arrancou e chama-se Max 2, uma segunda iteração com distribuição de peso melhorada e novos sensores concebidos para subir degraus sem perder o equilíbrio. Esta versão de testes ganha ainda um projetor de vídeo integrado, pensado para interagir diretamente com quem estiver na mesma divisão.

Entraves alfandegários e corrida ao mercado
Mesmo com avanços rápidos na oficina, o projeto deste robô enfrenta barreiras que pouco têm a ver com linhas de código. As regras alfandegárias mais duras nos Estados Unidos para componentes robóticos vindos da China criaram entraves logísticos imediatos, limitando o número de unidades que podem voar entre a Ásia e os laboratórios norte-americanos. A autonomia energética das baterias em trabalho contínuo continua a ser outro quebra-cabeças evidente nos testes práticos.
A saída de quadros de topo na divisão de robótica forçou uma reorganização interna profunda, motivada pela pressa em responder a concorrentes como a Figure ou a divisão da Tesla. A equipa contratou gestores focados na viabilidade técnica de produção em grande escala para evitar que o aparelho fique retido nos testes de bancada. Oficialmente, a postura mantém-se prudente, com a garantia de que o Max serve apenas como plataforma de pesquisa interna sem data de lançamento comercial fechada.
Ainda assim, a montagem rápida de protótipos funcionais sinaliza que a corrida pelas máquinas domésticas entrou numa fase em que o hardware conta tanto quanto o modelo de linguagem.

















