A Microsoft prepara uma alteração profunda no armazenamento do Windows 11 e vai apanhar muitos utilizadores desprevenidos. Quem utiliza pens ou discos externos formatados com o sistema de ficheiros ReFS arrisca-se a perder o acesso aos conteúdos em breve. O sistema vai deixar de montar estas unidades por omissão, obrigando a contornos para aceder à informação.

A medida surge numa altura em que o ReFS ganha terreno como alternativa de topo ao velhinho NTFS, oferecendo resistência acrescida a falhas e funções dedicadas a programadores. Contudo, a gigante de Redmond esclarece que este formato nunca foi oficialmente suportado para suportes removíveis, apontando agora razões de segurança para fechar de vez a porta a ligações externas descuidadas.
Calendário em duas fases para travar o ReFS externo
O plano de bloqueio não acontece de um dia para o outro e segue um calendário dividido em duas etapas bem definidas. A primeira fase arranca já com a atualização cumulativa de outubro de 2026, onde o Windows 11 passa a monitorizar ativamente estas pens e discos. Nesta fase preliminar, o sistema não impede a leitura nem a escrita, mas começa a registar alertas técnicos diretamente no Visualizador de Eventos sempre que deteta uma partição deste tipo ligada por USB.
O corte definitivo fica reservado para janeiro de 2027, altura em que uma atualização de segurança vai bloquear por completo a montagem automática das pens e discos externos em ReFS. Quando esse momento chegar, ligar a drive à porta USB não abrirá qualquer janela no Explorador de Ficheiros. Quem pretender continuar a usar estas unidades terá de meter as mãos na massa, alterando definições avançadas no Editor de Registo do Windows ou nas Diretivas de Grupo locais.

Ficheiros continuam intactos, mas inacessíveis
Convém sublinhar que a medida não apaga nem corrompe os dados gravados nas pens ou discos afetados. Os ficheiros continuam exatamente onde estavam, mas o Windows 11 simplesmente recusa-se a carregá-los sem intervenção prévia do utilizador. Quem não dominar o registo do sistema vai deparar-se com um disco fantasma, incapaz de ser lido até ser formatado de raiz ou desbloqueado através dos passos manuais.
Esta decisão levanta estranheza entre os utilizadores mais avançados, sobretudo porque a própria Microsoft continua a investir fortemente no ReFS para outros cenários. Este formato suporta partições astronómicas até 35 petabytes, inclui clonagem de blocos e alimenta recursos modernos como o Dev Drive, desenhado especificamente para acelerar projetos de programação pesados.
O caminho parece agora traçado com rigor cirúrgico: o ReFS fica reservado para servidores, estações de trabalho e ambientes de desenvolvimento em discos internos. Para o utilizador comum e para qualquer dispositivo de bolso, o velhinho NTFS e o formato exFAT vão continuar a ser os reis indiscutíveis no Windows 11.


















