Uma tatuagem que aparece quando queremos e depois volta a ficar quase invisível? A ideia parece saída de um filme, mas já está a ser estudada. Chama-se PhotoTat e pode dar à arte na pele uma espécie de interruptor.

Escolher uma tatuagem costuma envolver uma pergunta de peso: “Vou gostar disto daqui a 20 anos?” Agora, a ciência está a acrescentar outra, bastante mais divertida: “Quero que se veja hoje?”
Uma equipa da Universidade do Colorado Boulder desenvolveu tintas que mudam de cor quando recebem determinados tipos de luz.
Com luz ultravioleta, o desenho ganha vida. Com luz visível intensa, pode voltar a ficar quase impercetível. O trabalho foi apresentado na revista Matter & Light, segundo o comunicado da Cell Press.

A luz faz a magia. A química trata do resto
O segredo está em corantes sensíveis à luz, protegidos dentro de pequenas partículas de PMMA, um plástico transparente mais conhecido pela sua utilização no acrílico.
Quando recebem luz ultravioleta com um comprimento de onda de 365 nanómetros, os corantes revelam tons de azul, magenta e amarelo. Combinando estas cores, é possível criar outras tonalidades.
Depois da ativação, a cor desvanece-se ao longo de várias horas. Uma luz visível intensa acelera esse processo. A tinta continua na pele; o que muda é a sua aparência. É esta alternância que permite falar em “ligar” e “desligar” a tatuagem.
Hoje um desenho, amanhã outro?
A parte mais curiosa é poder ativar apenas determinadas zonas da tinta. Com moldes e projeções de luz UV, os investigadores conseguiram produzir diferentes padrões multicoloridos em silicone e pele de porco.
A mesma área com tinta poderia, assim, mostrar imagens diferentes em momentos distintos. Uma espécie de guarda-roupa de desenhos, mas na pele.
Há também um resultado que merece atenção: num único participante humano, os três canais de cor continuaram a responder à luz entre 1,4 e 2,2 anos após a aplicação. É um sinal promissor, embora esteja longe de demonstrar que a tecnologia está pronta para uso generalizado.
Há uma utilidade que vai além do estilo
A equipa vê potencial nas pequenas marcas usadas para orientar tratamentos de radioterapia. A possibilidade de as tornar visíveis apenas quando necessárias poderia evitar que funcionassem como uma recordação permanente do tratamento.
Esta é, para já, uma aplicação proposta pelos investigadores no comunicado da Cell Press.
Ainda não vale marcar sessão no tatuador
A segurança destas formulações ainda precisa de ser demonstrada. Além disso, a luz solar também contém radiação UV e pode fazer surgir alguma cor involuntariamente. A visibilidade dos desenhos diminuiu ainda com o aumento da pigmentação nos modelos de pele testados.
Por enquanto, o interruptor das tatuagens continua no laboratório. Mas a ideia tem graça: além de escolher o desenho, poderíamos um dia escolher quando o mostrar.
E desse lado: uma tatuagem com “modo discreto” era motivo para experimentar?

















