Comprar um PC para jogar pode parecer uma tarefa complicada. Processadores, placas gráficas, RAM, SSD, FPS, Hz… há muitas siglas e números pelo caminho. Mas não é preciso ser especialista para fazer uma boa escolha. O segredo está em perceber onde vale realmente a pena investir e evitar pagar por desempenho que provavelmente nunca irá utilizar. Vamos a isso?

CPU ou GPU: onde devemos gastar mais?
Num PC gaming existem dois componentes que recebem grande parte das atenções: o processador (CPU) e a placa gráfica (GPU).
De uma forma muito simples, a CPU é o cérebro do computador, tratando dos cálculos, da lógica do jogo e de muitas das tarefas que acontecem nos bastidores. A GPU é o componente especializado em criar as imagens que vemos no monitor.
Na maioria dos computadores destinados principalmente a jogos, faz sentido reservar uma parte maior do orçamento para a placa gráfica.
Mas há um equilíbrio a respeitar. Uma placa gráfica muito potente acompanhada por um processador demasiado modesto pode ficar limitada. É aquilo a que normalmente se chama “bottleneck” ou estrangulamento: um componente está pronto para avançar, mas fica à espera do outro.

Afinal, o que são os FPS?
É uma das siglas que mais aparece quando falamos de gaming. FPS significa “frames per second”, ou fotogramas por segundo.
Imagine um jogo como uma sucessão muito rápida de fotografias. Quanto mais imagens forem apresentadas em cada segundo, mais fluido parece o movimento.
Um jogo a 30 FPS é perfeitamente jogável em muitas situações, mas a diferença para 60 FPS é facilmente percetível. Subir para 120, 144 FPS ou mais pode tornar os movimentos ainda mais fluidos, algo especialmente valorizado em jogos competitivos.
Naturalmente, quanto mais FPS pretendermos, maior será a exigência sobre o computador.

1080p, 1440p ou 4K?
Aqui encontramos uma das decisões mais importantes, porque a resolução em que pretendemos jogar influencia diretamente a placa gráfica de que precisamos.
O Full HD (1080p) continua a ser uma excelente escolha para quem procura gastar menos e obter muitos FPS. O 1440p oferece maior detalhe e é atualmente um excelente compromisso entre qualidade de imagem, desempenho e preço.
Depois temos o 4K, com uma imagem consideravelmente mais detalhada, mas também muito mais exigente para a placa gráfica.
Isto significa que comprar um monitor 4K pode obrigar a investir bastante mais no restante computador se quisermos jogar com boa qualidade e fluidez.

E os 60 Hz, 144 Hz ou 240 Hz do monitor?
Os Hz indicam quantas vezes o monitor consegue atualizar a imagem por segundo.
Um monitor de 60 Hz consegue apresentar até 60 novas imagens por segundo. Um monitor de 144 Hz pode mostrar até 144 e um de 240 Hz até 240.
Mas há um detalhe importante: não adianta comprar um monitor de 240 Hz se o computador apenas conseguir produzir 60 ou 70 FPS no jogo que utilizamos.
Para a maioria dos jogadores, um monitor de 144 ou 165 Hz representa atualmente um excelente equilíbrio entre fluidez e preço.

Quanta memória RAM é necessária?
Atualmente, 16 GB de RAM devem ser encarados como o mínimo razoável para um PC gaming, sobretudo se queremos que o computador continue confortável durante alguns anos.
Contudo, se o orçamento permitir, 32 GB oferecem maior margem para o futuro, especialmente para quem joga enquanto mantém outras aplicações abertas, faz streaming, edição de vídeo ou utiliza jogos mais exigentes.
Mais RAM não significa automaticamente mais FPS. Significa, sobretudo, que o computador tem mais espaço para manter programas e dados disponíveis sem começar a ficar limitado.

SSD é praticamente obrigatório
Os discos rígidos tradicionais continuam a ter utilidade para guardar grandes quantidades de dados, mas num PC gaming atual o sistema operativo e os jogos devem ficar num SSD.
Além de o Windows arrancar mais rapidamente, os jogos carregam em menos tempo e a própria experiência de utilização do computador torna-se muito mais rápida.
Um SSD NVMe de 1 TB é um bom ponto de partida. Convém apenas recordar que alguns jogos atuais já ultrapassam facilmente os 100 GB, pelo que 1 TB pode desaparecer mais depressa do que imaginamos.

Não esquecer a fonte de alimentação e a refrigeração
São componentes menos interessantes numa montra, mas podem fazer uma enorme diferença na fiabilidade do computador.
A fonte de alimentação deve ter potência suficiente para todos os componentes, sobretudo para a placa gráfica, mas não devemos olhar apenas para o número de watts. A qualidade da fonte, eficiência e proteções elétricas são igualmente importantes.
Também é essencial existir uma boa circulação de ar dentro da caixa. Componentes demasiado quentes podem reduzir automaticamente o seu desempenho e, a longo prazo, temperaturas elevadas não são desejáveis.

Ray tracing, DLSS e FSR: é preciso perceber estas siglas?
Não é obrigatório conhecer todos os detalhes técnicos, mas estas tecnologias já têm influência na escolha de uma placa gráfica.
O ray tracing permite criar iluminação, sombras e reflexos mais realistas, mas pode reduzir significativamente o desempenho.
É aqui que entram tecnologias como DLSS, da NVIDIA, e FSR, da AMD. De forma simplificada, permitem ao computador gerar o jogo a uma resolução inferior e utilizar técnicas avançadas para reconstruir uma imagem de maior qualidade. As versões mais recentes conseguem ainda gerar fotogramas adicionais para aumentar a sensação de fluidez.
Na prática, estas tecnologias podem permitir jogar com melhor qualidade gráfica sem exigir o mesmo esforço à GPU.

Então, qual é o PC gaming ideal?
Não existe uma configuração perfeita para todos. Um jogador que pretende jogar Fortnite ou Valorant a 1080p e muitos FPS tem necessidades diferentes de alguém que quer jogar títulos AAA em 4K com todos os efeitos gráficos no máximo.
Antes de comprar, vale a pena responder a três perguntas muito simples: que jogos vou jogar, em que resolução quero jogar e quanto estou disposto a gastar?
Só depois devemos escolher os componentes.
E há uma regra que continua válida: um PC equilibrado é quase sempre uma compra melhor do que um computador com um componente extraordinário rodeado de componentes demasiado modestos.

Desktop ou portátil gaming?
A escolha entre um desktop e um portátil gaming depende sobretudo das necessidades de cada utilizador. A tabela seguinte apresenta as principais diferenças entre as duas opções.
| Desktop | Portátil | |
| Desempenho | Maior pelo mesmo preço | Geralmente inferior pelo mesmo preço |
| Upgrade | Fácil | Mais limitado |
| Portabilidade | Não | Sim |
| Refrigeração | Geralmente melhor | Mais limitada |
| Personalização | Maior | Menor |
| Espaço físico | Maior | Menor |
Como verificar se os componentes são compatíveis?
Quem pretende montar o próprio PC pode recorrer a montadores de PC online. Ferramentas como o PCPartPicker e o PC Builder permitem escolher os diferentes componentes de um PC e verificar automaticamente se são compatíveis entre si, ajudando a evitar problemas antes da compra.
PC gaming por orçamento
| Desktop | Portátil | |
| Até 1000 € | Desktop PcCom Lite AMD Ryzen 5 5500 16GB 1TB SSD RTX 5060 Windows 11 Home WiFi | HP HyperX OMEN Gaming 15-gb0013 AMD Ryzen 5 240/16GB/512GB SSD/RTX5050/15.3″ (PT) |
| 1000-1200 € | Desktop NeoPC Galaxy AMD Ryzen 7 5700X 32GB 1TB SSD RTX 3050 Windows 11 Pro | Portátil ASUS TUF Gaming F16 FX608JHI-74B55CS2 16″ Intel Core i7-14650HX 16GB 512GB SSD RTX 5050 (PT) |
| 1200-1600 € | Desktop PcCom Ready AMD Ryzen 7 5700X 32GB 1TB SSD RTX 5060 Windows 11 Home | Portátil Gaming ASUS TUF FA608UMI (AMD Ryzen 7 260 – NVIDIA GeForce RTX 5060 – RAM: 32 GB – 512 GB SSD – 16”) |
| Mais de 1600 € | Desktop PC Racing Huracan Supra Intel Core i9 13900KF 64GB 2TB SSD RTX 5060 Windows 11 PRO | Portátil Gaming LENOVO Legion Pro 5 16ADR10 (AMD Ryzen 9 8940HX – NVIDIA GeForce RTX 5070 – RAM: 32 GB – 1 TB SSD – 16”) |
✍️ Este artigo foi escrito por João Rebolho para o Pplware.

















