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Parece ficção científica: esta plataforma tem duas turbinas eólicas e flutua no mar

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Chama-se OceanX, tem uma estrutura em V e junta duas turbinas numa única plataforma flutuante. Instalada ao largo da China, foi concebida para produzir cerca de 54 milhões de kWh de eletricidade por ano.

Imagem da plataforma flutuante de energia eólica OceanX

A energia eólica no mar está a dar origem a construções cada vez mais ambiciosas. Uma delas é a OceanX, também conhecida como Mingyang Tiancheng, cuja silhueta dificilmente passa despercebida: duas enormes turbinas apoiadas em torres inclinadas que formam um V sobre a água.

Desenvolvida pelo grupo chinês Mingyang, a plataforma entrou em operação em dezembro de 2024, ao largo de Yangjiang, na província de Guangdong. Segundo o município de Zhongshan, está instalada a cerca de 70 quilómetros da costa, numa zona com aproximadamente 45 metros de profundidade.

Duas turbinas numa estrutura que atinge 219 metros

A OceanX reúne duas turbinas de 8,3 megawatts, o que lhe permite alcançar uma potência instalada total de 16,6 MW. Em vez de cada turbina ter a sua própria fundação, ambas partilham a mesma plataforma flutuante.

As dimensões impressionam. De acordo com a China Classification Society, entidade que analisou o projeto e acompanhou a construção, o ponto mais alto alcançado pelas pás fica a 219 metros acima da água. A largura máxima do conjunto no ar ronda os 369 metros.

A área total varrida pelas pás ultrapassa os 52 mil metros quadrados, aproximadamente o equivalente a sete campos de futebol. Por baixo das turbinas, uma fundação em Y liga três flutuadores que sustentam toda a estrutura.

Como se mantém uma construção destas à superfície?

O desafio não é apenas suportar o peso das turbinas. É também controlar os movimentos da plataforma enquanto o vento atua sobre as pás e as ondas exercem forças sobre a base.

Na OceanX, a fundação inclui braços de betão de ultraelevado desempenho, além dos flutuadores e dos elementos de ligação. Segundo a China Classification Society, este material apresenta uma resistência à compressão superior a 115 megapascais, cerca de quatro vezes a de um betão convencional.

A tecnologia eólica flutuante recorre a sistemas de amarração ao fundo do mar para manter as plataformas na posição prevista. Como explica o Departamento de Energia dos Estados Unidos, esta abordagem permite explorar zonas onde a profundidade torna as fundações fixas mais difíceis ou dispendiosas.

Outra vantagem é a possibilidade de montar a estrutura em porto e rebocá-la até ao local de instalação, reduzindo a necessidade de realizar determinadas operações de construção em pleno mar.

Imagem da plataforma flutuante de energia eólica OceanX

Eletricidade para 30 mil famílias? É essa a previsão

No seu relatório de sustentabilidade de 2024, a Mingyang aponta para uma produção média anual de aproximadamente 54 GWh, ou seja, 54 milhões de kWh.

Segundo a empresa, esse volume de eletricidade poderá satisfazer as necessidades anuais de cerca de 30 mil famílias de três pessoas, considerando os pressupostos de consumo usados nessa estimativa.

Há, contudo, uma distinção relevante: os 16,6 MW representam a potência nominal conjunta das turbinas; os 54 GWh correspondem à energia que se prevê produzir ao longo de um ano. A produção real dependerá das condições de vento, da disponibilidade dos equipamentos e dos períodos de manutenção.

Um passo para levar a energia eólica mais longe no mar

A OceanX demonstra como a engenharia está a explorar novas configurações para a produção de eletricidade no oceano. Ao colocar duas turbinas sobre uma base comum, o projeto testa uma solução diferente da disposição habitual de uma turbina por fundação.

O potencial da energia eólica flutuante está sobretudo no acesso a águas mais profundas. Mas a expansão desta tecnologia depende também da redução dos custos, da fiabilidade das estruturas e da capacidade de instalar e manter os equipamentos longe da costa, desafios identificados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos.

A imagem de duas turbinas gigantes a flutuar sobre o mar já impressiona. O verdadeiro teste da OceanX será transformar essa ousadia de engenharia em produção consistente de eletricidade, ao longo de muitos anos.

Comentários

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  1. CA
    CaptianObvious

    Caros,

    Isto não é novo nem em Portugal, https://windfloat-atlantic.com/ . Não é que não possa ser uma noticia, mas sendo este um site português, diria que é obrigatório mencionar o que já é feito por cá.

    Cumprimentos

    1. VM

      Estás a misturar alhos com bugalhos. O WindFloat Atlantic tem uma turbina por plataforma flutuante; a OceanX tem duas na mesma plataforma. E é isso que se destacou 😉

      No que toca à WindFloat Atlantic, em Portugal, esta tem três plataformas, cada uma com uma turbina MHI Vestas de 8,4 MW, ao largo de Viana do Castelo. Já a OceanX, na China, tem uma plataforma com duas turbinas de 8,3 MW, apoiadas numa estrutura em V, totalizando 16,6 MW.

      Percebeste a diferença?

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