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Página falsa do banco permitiu roubar 25 mil euros e comprar 9 iPhones

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Uma fraude informática acabou por transformar uma conta bancária de uma empresa numa fonte de financiamento para a compra de nove iPhones, num esquema que envolveu uma página falsa de homebanking, dados bancários obtidos de forma ilícita e a posterior tentativa de revenda dos equipamentos.

Página falsa do banco permitiu roubar 25 mil euros e comprar 9 iPhones

O caso chegou ao Tribunal da Relação de Coimbra, que manteve a condenação de um homem a dois anos de prisão por branqueamento de capitais e uma pena acessória de expulsão do território nacional por cinco anos. O acórdão foi proferido em 16 de setembro de 2026.

Tudo começou com uma página falsa do banco

Segundo os factos considerados provados pelo tribunal, os autores da fraude terão conseguido aceder ao sistema informático de uma empresa e ao respetivo serviço de homebanking.

A vítima estava a utilizar o serviço bancário quando o ecrã do computador ficou distorcido e surgiu uma página com um aspeto semelhante ao do banco. Essa página solicitava a atualização dos dados e pedia a introdução das credenciais de acesso.

Convencido de que estava perante uma página legítima, o utilizador introduziu os dados solicitados.

O esquema não ficou pelas credenciais. A vítima recebeu posteriormente um SMS com um código destinado a autorizar as operações bancárias e introduziu também esse código na página falsa, permitindo aos atacantes confirmar as transações.

O tribunal refere ainda que a situação era compatível com uma infeção por malware, embora não tenha sido possível determinar concretamente a origem dessa infeção.

Página falsa do banco permitiu roubar 25 mil euros e comprar 9 iPhones

25.541 euros retirados da conta

Com os dados obtidos através da página falsa, foram realizadas duas operações.

Uma delas correspondeu a um pagamento de 15.541 euros destinado à compra de nove iPhones numa loja Worten. A outra consistiu numa transferência de 10.000 euros para uma conta bancária de terceiros.

No total, foram movimentados 25.541 euros.

A compra incluía vários modelos iPhone 16 Pro e iPhone 16 Pro Max, incluindo versões com 1 TB de armazenamento.

Os nove equipamentos ficaram disponíveis para levantamento alguns dias depois.

Nove iPhones levantados numa loja da Worten

É neste momento que entra em cena o arguido.

Segundo o acórdão, o homem deslocou-se à loja munido do código de levantamento que lhe tinha sido enviado por terceiros e levantou os nove iPhones, cujo valor total ascendia a 15.541 euros.

A investigação concluiu ainda que existia a intenção de revender os equipamentos.

Um dos iPhone 16 Pro Max deveria ser vendido por 1.100 euros em dinheiro, mas a operação não chegou a concretizar-se porque o arguido foi detido em flagrante delito.

Existiam também conversações através do Instagram e de outros contactos relacionadas com a venda de vários iPhones. Segundo a decisão judicial, estava prevista uma comissão de 10% para o arguido.

Não foi condenado pelos crimes informáticos inicialmente imputados

Um dos aspetos mais curiosos do processo é que o arguido não foi condenado pelos crimes informáticos que constavam inicialmente da acusação.

O tribunal de primeira instância absolveu-o dos crimes de falsidade informática, acesso ilegítimo agravado e abuso de cartão, dispositivo ou dados de pagamento.

Contudo, considerou provado que participou na fase posterior da operação, ao fornecer os seus dados pessoais, viabilizar a encomenda, levantar os equipamentos e preparar a sua venda.

Foi por isso condenado por branqueamento de capitais, em concurso aparente com o crime de recetação.

Página falsa do banco permitiu roubar 25 mil euros e comprar 9 iPhones

Relação de Coimbra manteve a condenação

A defesa recorreu da decisão, argumentando, entre outros aspetos, que não existia prova suficiente de que o arguido conhecesse a origem ilícita do dinheiro e que não tinha participado no ataque informático ou na transferência dos 10.000 euros.

O Tribunal da Relação de Coimbra não acolheu esses argumentos.

A Relação considerou que, relativamente aos 15.541 euros utilizados para comprar os iPhones, estavam preenchidos os elementos objetivos e subjetivos necessários para o crime de branqueamento. Para o tribunal, o arguido tinha conhecimento da proveniência ilícita do dinheiro e a sua atuação – levantar os equipamentos e prepará-los para venda – era suscetível de ocultar essa origem.

Já relativamente aos 10.000 euros transferidos para outra conta, a decisão é clara: não ficou demonstrada qualquer intervenção ou sequer conhecimento do arguido relativamente a essa operação.

Uma fraude que mostra os riscos do phishing bancário

O caso mostra também como um ataque informático pode combinar diferentes técnicas.

Neste processo, a cadeia passou pela infeção informática, criação de uma página falsa semelhante à do banco, recolha de credenciais, obtenção de códigos de autenticação e realização de operações bancárias.

O dinheiro foi depois convertido em bens de elevado valor e facilmente transacionáveis, neste caso smartphones topo de gama.

Os nove iPhones acabaram por ser apreendidos e devolvidos à Worten, que procedeu ao estorno dos 15.541 euros correspondentes à compra.

O processo demonstra, assim, que mesmo quando uma vítima introduz voluntariamente os seus códigos numa página falsa, isso não significa que a operação seja legítima: a autenticidade da página onde são introduzidas as credenciais é fundamental.

Para os utilizadores, fica um alerta simples: pedidos inesperados de atualização de dados bancários devem ser tratados com extrema cautela e os acessos ao homebanking devem ser feitos diretamente através dos canais oficiais do banco, evitando links ou páginas apresentadas por mensagens ou pop-ups.

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Comentários

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  1. Avatar de Jihad
    Jihad

    Vender um telemovel em cash e crime? A policia com os salgados e socrates nem pia, com os pobres armam se em fortes

  2. Avatar de PoPeY
    PoPeY

    Não é difícil reintroduzir os acessos quando a sessão expira com alguma regularidade. Ou seja, no momento certo é fácil parecer tudo legitimo. O mais facil para evitar esses tipo de situações é existir uma confirmação com a descrição correta do que está a acontecer. Em vez de a mensagem ter somente o código, aparecer "Confirma a transferência de 2.234,34€ cod. 123jk121"

    Pronto facil.

    1. Avatar de Bin
      Bin

      …completamente sem noção, o que é que essa tua ideia valida, ou previne? lol

  3. Avatar de PorcoDoPunjab
    PorcoDoPunjab

    Mas que espécie de burro insere códigos para realizar transferências?

    Desde quando o banco pede isso no login?