Quantcast

Leapmotor quer acabar com a bateria que mais avarias provoca nos elétricos

5 Comentários

No seu Tech Day 2026, a Leapmotor apresentou uma solução que pode mudar a forma como os carros elétricos são construídos: uma bateria capaz de eliminar por completo a tradicional bateria auxiliar de 12 volts, um componente que continua a ser uma das principais causas de imobilização de veículos, mesmo nos modelos totalmente elétricos.

Quando se fala em avarias num carro elétrico, é comum pensar-se de imediato na bateria de alta tensão, aquela que garante a autonomia do veículo. Contudo, dados do ADAC, o clube automóvel alemão, identificou a bateria auxiliar de 12 volts como a principal causa de assistência em estrada nas suas estatísticas de 2025, responsável por 45,4% dos casos registados.

Esta pequena bateria, normalmente de chumbo-ácido, continua a ser indispensável nos elétricos, uma vez que alimenta sistemas como as luzes, os limpa-para-brisas, os ecrãs, a climatização e, em especial, os mecanismos que permitem ativar e utilizar a bateria principal de alta tensão. Pela sua relevância no funcionamento do veículo, um elétrico pode ver-se imobilizado só porque a bateria de 12V descarregou.

Tech Day 2026 da Leapmotor, realizado a 16 de setembro nas instalações da Hu Zhou Battery, em Hangzhou.

A resposta da Leapmotor: a CTC 3.0 High-Low Fusion Battery

Para resolver este problema, a Leapmotor apresentou a nova geração da sua tecnologia Cell-to-Chassis (CTC), batizada de CTC 3.0 High-Low Fusion Battery.

Segundo a Leapmotor, este sistema multiplica por sete a capacidade e a funcionalidade a baixa tensão relativamente à geração anterior, atingindo um nível equivalente ao de uma bateria tradicional de 12 volts e tornando-a, assim, dispensável.

As células e os módulos passam a ser partilhados entre as funções de alta e baixa tensão, assim como com a gestão térmica e a distribuição de energia, numa integração que a marca descreve como uma reconstrução completa do sistema elétrico do veículo.

Desta forma, os módulos deixam de existir como componentes independentes e passam a estar integrados diretamente no chassis, seguindo a lógica que já caracterizava as gerações anteriores da tecnologia CTC da marca.

Menos manutenção e menos resíduos

De acordo com a Leapmotor, a nova bateria foi concebida para funcionar sem necessidade de manutenção durante toda a vida útil do veículo, eliminando a substituição periódica associada às baterias de chumbo-ácido convencionais. Além disso, segundo a marca, uma adoção em larga escala desta tecnologia poderia evitar a utilização de dezenas de milhões de baterias de chumbo-ácido por ano, com o consequente impacto na redução de resíduos.

Esta tecnologia surge associada a uma nova arquitetura, a LEAP 5.0 New Mobile Space Architecture, apresentada no mesmo evento. Entre outras alterações, a integração de um sistema de ar condicionado tudo-em-um com a propulsão montada na traseira aumenta o espaço longitudinal do habitáculo em 19%, reduz o número de peças em 18% e diminui as tubagens necessárias em 30%.

Uma nova disposição dos amortecedores aumenta ainda o espaço para as pernas na primeira fila em 37,5%, enquanto a combinação de um teto mais alto com um piso plano tipo skateboard eleva a altura interior em 63,7%.

Agora, falta tempo

Ambas as tecnologias foram criadas para integrar a próxima geração de modelos da Leapmotor, cujos primeiros exemplares deverão chegar a partir de 2027. Caso se confirme, a marca garante que os seus veículos serão os primeiros em mais de 70 anos a prescindir de uma bateria auxiliar de chumbo-ácido, um marco que contraria uma convicção enraizada na indústria automóvel.

De qualquer forma, resta perceber o comportamento real deste sistema ao longo de centenas de milhares de quilómetros, sob diferentes condições climatéricas e após longos períodos de inatividade. Eliminar um componente com potencial de avaria é positivo, mas concentrar mais funções num sistema mais complexo levanta também novas questões sobre fiabilidade a longo prazo.

Comentários

5

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  1. Avatar de Malafaia
    Malafaia

    "eliminando a substituição periódica associada às baterias de chumbo-ácido convencionais. " Muitos elétricos usam baterias de Li-ion / Ni-MH de 12V … A bateria extra faz todo o sentido: se a bateria principal tiver um problema (carga nula, defeito, embate e desativa-se, etc), a bateria extra de 12v encarrega-se que os sistemas mínimos (janelas, portas, sistema de SOS, etc) funcionam. E isso de fazer parte do chassis leva a outro contra: em caso de defeito ou embate, é caso para perda total por dificuldades na manutenção/reparação… aí vais ter MUITO mais lixo!

    Solução: baterias de 12v LFP / Sódio. São baterias que duram a vida toda do automóvel, não há grandes alterações e, em caso de embate, a substituição é fácil.

    1. Avatar de Rui
      Rui

      Pelo que li, é possível efetuar manutenção, mas dá mais trabalho pois há mais interligações, a grande diferença é que as baterias são crucias para a estabilidade e rigidez do chassi.

      1. Avatar de JL
        JL

        Alguém que não leu o artigo.

        1. Avatar de Rui
          Rui

          Percebi mal a coisa? ou não estavas a responder a mim? Mas não é por ser estrutural que não é possível fazer manutenção "mesmo que dure a vida util" pois estava a assumir situações de acidente por exemplo.

          1. Avatar de JL
            JL

            Sim, percebeu, porque o assunto não tem nada a ver com isso. E além disso, strutural não quer dizer que não dê para abrir e reparar, quer dizer que a bateria reforça a estrutura do carro.