Uma tonelada de lixo espacial cai na Terra todas as semanas. Mas ninguém sabe onde
O lixo espacial está a tornar-se um problema cada vez mais sério. Atualmente, em média, um objeto com mais de uma tonelada reentra de forma descontrolada na atmosfera terrestre todas as semanas, e os especialistas admitem que é praticamente impossível prever com precisão onde os fragmentos irão cair.
O céu está cada vez mais cheio
Nas últimas décadas, o número de satélites em órbita aumentou de forma exponencial. À tradicional atividade espacial juntaram-se as megaconstelações de internet, como a Starlink, que colocam milhares de satélites em órbita baixa.
Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), existem atualmente mais de 17 mil toneladas de objetos artificiais em órbita, incluindo cerca de 54 mil objetos com mais de 10 centímetros e aproximadamente 1,2 milhões de fragmentos entre 1 e 10 centímetros.
Embora muitos destes objetos permaneçam em órbita durante anos, inevitavelmente acabam por perder altitude e regressar à Terra.
Todos os dias, satélites, estágios de foguetões ou fragmentos destes reentram nas camadas mais densas da atmosfera, onde normalmente se consomem. Pouco antes da reentrada, a cerca de 120 km de altitude, as naves espaciais atingem velocidades que rondam os 28 000 km/h. pic.twitter.com/v0NuSBaJv8
— Pplware (@pplware) August 2, 2026
Uma reentrada por semana
Os especialistas estimam que, atualmente, um objeto com massa superior a uma tonelada regressa à atmosfera cerca de uma vez por semana.
Na maioria dos casos, grande parte do material é destruída pelo intenso calor da reentrada, mas componentes fabricados em titânio, aço inoxidável ou outros materiais resistentes conseguem sobreviver e atingir o solo.
O risco de uma pessoa ser atingida continua extremamente reduzido, mas aumenta gradualmente à medida que cresce o número de satélites lançados para o espaço.
Porque é tão difícil prever o local da queda?
Apesar da evolução dos sistemas de monitorização, prever o local exato continua a ser praticamente impossível.
Os modelos de previsão apresentam erros que podem atingir 20% a 30%, o que significa que a zona potencial de impacto pode estender-se por milhares de quilómetros.
A dificuldade resulta de vários fatores:
- A atividade solar altera a densidade da atmosfera;
- Pequenas diferenças na orientação do objeto modificam a travagem atmosférica;
- Muitos satélites fragmentam-se em dezenas de pedaços durante a reentrada;
- A fragmentação ocorre apenas nos últimos minutos antes da queda.
Por isso, apenas pouco tempo antes da reentrada é possível reduzir significativamente a área provável de impacto.
O oceano continua a ser o destino mais provável
Apesar das preocupações, a Terra oferece alguma proteção natural. Cerca de 71% da superfície do planeta é coberta por oceanos, enquanto grande parte da restante área corresponde a desertos, florestas, montanhas ou regiões pouco habitadas.
É precisamente por isso que praticamente todos os grandes fragmentos acabam por cair em zonas desabitadas ou no mar (lembram-se do Ponto Nemo?).
Ainda assim, já foram registados vários episódios de destroços encontrados em habitações, quintais, campos agrícolas e estradas em diferentes países. Felizmente, os casos de feridos continuam a ser extremamente raros.
A legislação continua insuficiente
A comunidade científica alerta que o crescimento do setor espacial exige novas regras internacionais.
Embora existam recomendações para que os satélites sejam retirados de órbita de forma controlada no final da sua vida útil, essas normas não são obrigatórias em muitos casos.
Agências como a ESA e a NASA defendem uma maior responsabilização dos operadores e o desenvolvimento de tecnologias capazes de remover lixo espacial antes que este se transforme num risco para futuras missões ou para a população.
























Resta saber quem indeminiza se houver estragos ou vítimas.