Já imaginou vestir-se sem tocar na roupa? Este robô torna isso possível
Um robô que "cresce" sobre o corpo, à semelhança de uma trepadeira, consegue vestir uma pessoa em apenas 10 segundos, sem recorrer às mãos. Desenvolvido por uma equipa conjunta de investigadores sul-coreanos e norte-americanos, o chamado SWAG tem aplicações que vão do apoio à mobilidade reduzida até às salas limpas da indústria de semicondutores.
O ponto de partida da investigação foi surpreendentemente simples. Kim Nam Gyun, investigador de pós-doutoramento no Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia do Sul (em inglês, KAIST) e autor principal do estudo, andava de bicicleta quando começou a chover.
Nesse momento, pensou como seria útil se um impermeável se conseguisse vestir automaticamente enquanto pedalava.
Essa ideia deu origem a anos de trabalho que culminaram no SWAG, sigla para Self-Wearing Adaptive Garment, ou vestuário adaptativo autovestível.
O projeto resulta de uma colaboração entre o KAIST e a Universidade de Stanford, reunindo a equipa VINE, dedicada aos chamados "robôs trepadores" e integrada no Interactive Robotic Systems Laboratory (IRiS Lab), liderado pelo professor Ryu Jee-Hwan, e o laboratório CHARM da professora Allison Okamura.

Tipos de sistemas de vestuário assistidos por robôs. (a) Um robô externo manipula peças de vestuário convencionais para ajudar o utilizador. (b) Dispositivos assistivos/reabilitativos vestíveis especializados são capazes de vestir e despir-se de forma autónoma. (c) Abordagem proposta: um sistema vestível que complementa as peças de vestuário existentes com mecanismos robóticos flexíveis integrados para o vestuário autónomo. Fonte: Self-Wearing Adaptive Garments via Soft Robotic Unfurling (2025)
Como funciona o robô
Ao contrário dos sistemas tradicionais de vestuário assistido, que costumam usar braços robóticos rígidos para manipular a roupa a partir do exterior, o SWAG transforma a própria peça de roupa num robô macio e flexível.
O segredo está numa estrutura pneumática interna, apelidada de "subvine", integrada no tecido. Quando é insuflada com ar, esta estrutura não empurra a roupa inteira de uma só vez. Em vez disso, cresce pela ponta, de forma muito semelhante a uma planta de hera a trepar por uma parede.
Esse movimento gera uma força que impulsiona o tecido para a frente, fazendo-o desenrolar-se e envolver o corpo com atrito mínimo, virando a roupa do avesso à medida que avança.
O resultado é surpreendentemente rápido, bastando cerca de 10 segundos para vestir um fato completo. Ao contrário de outros sistemas robóticos, o processo não exige que a pessoa fique imóvel nem depende de algoritmos de controlo complexos.
Com esta solução, a estabilidade nasce da própria mecânica do sistema, que se adapta naturalmente à forma do corpo e a superfícies escorregadias, pegajosas ou inclinadas.
Onde pode ser aplicado
Embora a inspiração inicial tenha sido tão banal como uma capa de chuva, as aplicações potenciais do SWAG vão muito além disso. Os investigadores apontam para vários cenários:
- Apoio a pessoas idosas ou com mobilidade reduzida, facilitando tarefas diárias que exigem destreza manual;
- Salas limpas na indústria de semicondutores, onde é preciso vestir e despir equipamento de proteção rapidamente e sem contaminar o ambiente;
- Serviços de emergência, permitindo a profissionais equiparem-se com equipamento de proteção individual em segundos, sem recorrer às mãos.
Segundo o professor Ryu Jee-Hwan, embora grande parte da atenção atual em torno da Inteligência Artificial esteja centrada no software, o SWAG demonstra como a engenharia mecânica continua a ter um papel fundamental, complementando os avanços do lado digital.
Imagem: Reuters





















Que podre, está gente única viu os jetsons
O ser Humano está cada vez mais preguiçoso.