Sustentabilidade como motor de inovação: o que sabemos sobre a estratégia da Renault
Durante uma visita ao Technocentre da Renault Group, tivemos a oportunidade de conhecer em detalhe a visão de sustentabilidade da empresa. E uma conclusão ficou clara... Para a Renault, a sustentabilidade deixou de ser um departamento ou uma iniciativa paralela.
Num setor frequentemente associado a metas ambientais e eletrificação, o mais interessante da abordagem da Renault é que a sustentabilidade não aparece apenas como um objetivo final. É apresentada como um motor de inovação.
A sustentabilidade começa antes do primeiro desenho
Uma das ideias mais fortes da estratégia do Renault Group é que os desafios ambientais, sociais e de segurança são utilizados como ponto de partida para a inovação.
Em vez de desenvolver uma tecnologia e depois avaliar o seu impacto ambiental, a empresa procura inverter o processo. Começa pelos problemas que precisa de resolver (alterações climáticas, escassez de recursos, segurança rodoviária ou inclusão) e utiliza-os como base para criar novas soluções.
Esta filosofia está particularmente visível nos projetos conceptuais da marca, como o Renault Emblème e o Scenic Vision, que funcionam como laboratórios de experiências.
O caso do Renault Emblème é especialmente impressionante. O protótipo foi desenvolvido com o objetivo de reduzir em 90% as emissões ao longo de todo o ciclo de vida quando comparado com um automóvel familiar com motor de combustão interna.
Economia circular deixa de ser um conceito abstrato
Outro dos pontos mais interessantes da estratégia da Renault é a aposta na economia circular. A empresa definiu como objetivo que, até 2030, os seus veículos incorporem mais de 30% de materiais reciclados ou provenientes de circuitos circulares.
A abordagem vai além da simples reciclagem. A Renault procura desenhar veículos que possam ter uma vida útil mais longa, ser mais fáceis de reparar e permitir uma recuperação eficiente dos materiais no final da sua utilização.
Esta visão torna-se particularmente relevante numa altura em que a indústria automóvel enfrenta desafios relacionados com o acesso a matérias-primas críticas para a eletrificação.

Num setor que tradicionalmente depende de matérias-primas virgens e de cadeias de abastecimento complexas, a mudança para materiais reciclados representa um enorme desafio.
Eletrificação continua a ser uma prioridade
Ao contrário de algumas marcas que apostam exclusivamente nos veículos elétricos, a Renault defende uma abordagem pragmática. A estratégia passa por combinar diferentes tecnologias de propulsão para acelerar a redução das emissões em vários mercados.
Na Europa, a ambição para 2030 é ter uma gama totalmente eletrificada, com metade das vendas a serem veículos 100% elétricos. Fora da Europa, a meta é atingir 50% de veículos eletrificados.
O raciocínio é simples... Nem todos os mercados têm a mesma infraestrutura de carregamento, nem todos os consumidores têm as mesmas necessidades. Por isso, a Renault continua a investir simultaneamente em veículos elétricos e híbridos.
Um dos aspetos que mais nos chamou a atenção foi o foco na eficiência energética. A empresa recordou que foi pioneira na utilização de motores elétricos sem terras raras e está agora a preparar uma nova geração de plataformas elétricas com arquitetura de 800 volts, maior eficiência e melhor desempenho.
Ao mesmo tempo, os sistemas híbridos E-Tech continuam a evoluir e conseguem reduzir o consumo de combustível em até 40% em utilização urbana.
- Renault Scenic E-Tech – Frente
- Renault Scenic E-Tech – Traseira
A segurança entra definitivamente na agenda da sustentabilidade
Quando se fala em sustentabilidade automóvel, a conversa centra-se quase sempre nas emissões. No entanto, a Renault está a alargar o conceito para incluir um tema que muitas vezes fica em segundo plano. Falamos da segurança rodoviária.
A empresa considera que proteger vidas também faz parte da sustentabilidade. O programa "Human First" é um dos pilares desta visão. Atualmente, as tecnologias desenvolvidas pela Renault conseguem atuar sobre cerca de 50% das causas dos acidentes mais graves. O objetivo é atingir 70% até 2030.
O interessante aqui não é apenas a quantidade de sistemas de assistência à condução instalados nos veículos. É a forma como a marca está a utilizar dados, inteligência e análise comportamental para tentar evitar acidentes antes de acontecerem.
Ferramentas como o Safety Coach e o Safety Score analisam a condução em tempo real e fornecem recomendações personalizadas aos condutores.
Mas talvez o exemplo mais surpreendente seja o Fireman Access, desenvolvido em parceria com equipas de emergência. Esta solução permite extinguir incêndios em baterias de veículos elétricos até seis vezes mais rápido e utilizando dez vezes menos água. A Renault decidiu inclusive abrir a patente desta tecnologia à indústria.
Sustentabilidade como vantagem competitiva
Ao longo da apresentação, ficou evidente que o Renault Group vê a sustentabilidade não apenas como uma obrigação regulatória, mas como uma ferramenta de competitividade. A estratégia está integrada no plano futuREady da empresa e procura responder simultaneamente a três grandes desafios:
- Redução das emissões e melhoria da eficiência energética;
- Diminuição da dependência de recursos críticos através da economia circular;
- Aumento da segurança e da inclusão através da inovação tecnológica.
O resultado é uma abordagem que liga áreas normalmente tratadas de forma separada: engenharia, design, produção, reciclagem, segurança e experiência do utilizador.
Em vez de apresentar uma lista de iniciativas isoladas, a empresa procura integrar a sustentabilidade em todo o ciclo de vida do automóvel. Desde a fase de investigação e desenvolvimento até ao momento em que o veículo é reciclado, existe uma preocupação constante com o impacto ambiental, a utilização eficiente de recursos e a segurança das pessoas.
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