GNR registou centenas de “burlas por falso funcionário”. Saiba o que é e como se proteger!
Só nos primeiros três meses do ano, a Guarda Nacional Republicana (GNR) registou quase mil situações de burla, entre esquemas presenciais e ataques digitais. Os números mostram uma tendência preocupante em que os criminosos estão cada vez mais especializados e as vítimas continuam a cair nas armadilhas.
A GNR registou, no primeiro trimestre de 2026, cerca de 300 burlas em que os autores se fizeram passar por funcionários de entidades públicas ou agentes da autoridade, e mais de 670 burlas informáticas com obtenção ilícita de dados. No total, foram detidas duas pessoas.
Os números, divulgados pela GNR em comunicado, chegam acompanhados de um alerta sério: os burlões estão a tornar-se progressivamente mais sofisticados, recorrendo a técnicas de manipulação psicológica e a ferramentas tecnológicas que tornam os ataques cada vez mais difíceis de identificar.
Bancos, polícia, saúde e Segurança Social: nenhuma entidade está imune
Nas chamadas "burlas por falso funcionário", os esquemas mais frequentes envolvem a personificação de trabalhadores bancários, registados em 44 situações, com uma taxa de sucesso de 75%, e de agentes das forças de segurança, como GNR, Polícia de Segurança Pública (PSP) e Polícia Judiciária (PJ), em 36 casos e com uma alarmante taxa de sucesso de 86%.
Foram ainda registados 16 casos de burlões a fazerem-se passar por funcionários de serviços de energia e 20 casos em que os criminosos simularam ser representantes de serviços de saúde ou da Segurança Social.
A abrangência dos alvos imitados mostra que nenhuma instituição está imune, exigindo muita cautela por parte das potenciais vítimas.
Spoofing: quando o número que aparece no telemóvel não é o que parece
Uma das técnicas centrais nestes esquemas é o chamado spoofing, que consiste em falsificar a origem de uma comunicação para que esta pareça estar a ser feita por uma entidade legítima.
Na prática, pode aparecer no ecrã do telemóvel o nome de um banco, de um serviço público ou até de uma esquadra de polícia, mesmo que a chamada venha de um criminoso.
Esta técnica pode assumir várias formas: manipulação do identificador de chamadas ou de remetente de SMS, falsificação de endereços de e-mail para simular domínios oficiais, ou adulteração de identificadores de dispositivos para contornar sistemas de segurança.
Importa distinguir spoofing de phishing:
- O primeiro serve para tornar os ataques credíveis;
- O segundo é a técnica que manipula a vítima para que execute uma ação, nomeadamente clicar num link malicioso, abrir um anexo com vírus ou partilhar dados pessoais.
Burlões recorrem à engenharia social
Ao contrário dos ataques informáticos tradicionais, que exploram falhas técnicas em software, a engenharia social foca-se nas fragilidades humanas.
Os burlões constroem narrativas elaboradas e recorrem a seis fatores de motivação principais: urgência, escassez (com oportunidades apresentadas como limitadas no tempo), falsos testemunhos, simpatia e interesse comum, intimidação e o fator autoridade.

A GNR reconhece que a crescente digitalização trouxe benefícios inegáveis, mas abriu também espaço ao surgimento de criminosos altamente especializados que sabem explorar esses gatilhos psicológicos com precisão.
O comunicado fala mesmo numa "profissionalização crescente" deste tipo de criminalidade, conforme citado pela agência Lusa.
A corroborá-lo estão os dados:
- Em 2025, a GNR registou 1092 casos de burla por falso funcionário, face a 974 em 2024, uma subida de cerca de 12%.
- Nas burlas informáticas com obtenção ilegítima de dados, foram registados 2528 casos em 2025, ligeiramente abaixo dos 2652 de 2024. Ainda assim, os valores mantêm-se elevados.
Como se pode proteger?
Perante estes dados, a GNR reforçou as recomendações e os avisos:
- Nenhuma entidade oficial ou bancária pede, por telefone ou SMS, códigos de segurança, palavras-passe ou transferências imediatas;
- Sempre que um contacto tiver um tom urgente ou ameaçador, o sinal de alerta deve ser imediato;
- Nunca clicar em links recebidos por SMS ou e-mail de remetentes desconhecidos;
- Não devolver chamadas para números suspeitos;
- Bloquear e apagar mensagens ou chamadas que levantem dúvidas;
- Confirmar a autenticidade de qualquer contacto, junto da própria instituição, através de canais oficiais, é sempre o caminho mais seguro antes de partilhar qualquer dado pessoal ou bancário.





















E que tal a PJ e a unidade de cibercrime em conjunto com ISPs serem mais agressivos em relação ao Spoofing? Concentrar muito mais nesse tipo de atividade? E a ANACOM porque não obriga até ao final do ano a VDF, NOS utilizarem o que o MEO usa atualmente?
A ANACOM esta a espera do quê? Para reduzir os incidentes?
e se te disser que mais de 50% das burlas são usados números da MEO? Todos os números que tive que passaram pela base de dados da MEO, recebem chamadas SPAM, os números que tenho da NOS, nunca recebi chamadas de SPAM
Mas a ANACOM ainda existe? Se existe, nada faz.
É logo “mandem carta” e desligar na cara. E se alguma carta chegar é ler com muita atenção.