Conhece este gesto que o seu cérebro interpreta como “pinça”?
Desde a chegada do iPhone em 2007, o gesto de pinça tornou-se um padrão quase instintivo na forma como interagimos com os ecrãs. Mas a evolução não ficou por aí. A próxima etapa poderá afastar-nos do contacto físico, levando a interação para o ar. A Apple já explora este conceito no Apple Vision Pro e tudo indica que pretende alargar essa abordagem, apostando no controlo por gestos como uma nova linguagem de interação com os dispositivos.

Gestos do ecrã para o ar
A Apple continua a preparar a entrada no segmento das “smart glasses” e uma nova informação aponta para uma funcionalidade ambiciosa, falamos do controlo por gestos das mãos.
A ideia segue a lógica já introduzida no Apple Vision Pro, mas levanta dúvidas quanto à sua implementação numa versão mais simples e compacta.

Interação sem voz poderá ser o objetivo
Segundo a informação avançada por Mark Gurman, os futuros “smart glasses” da Apple poderão integrar um sistema capaz de reconhecer gestos dos dedos do utilizador.
Este mecanismo permitiria interagir com o assistente Siri sem recorrer à voz, o que abre espaço a uma utilização mais discreta em ambientes públicos. A lógica seria semelhante ao que já acontece no Vision Pro, onde pequenos movimentos como o gesto de “pinça” substituem toques num ecrã.

Duas câmaras e visão computacional
Os primeiros modelos deverão incluir duas câmaras distintas. Uma seria dedicada à captação de fotografia e vídeo, enquanto a outra, com lente ultra grande-angular, estaria orientada para tarefas de visão computacional.
É precisamente esta segunda câmara que poderá permitir a deteção de gestos das mãos, analisando os movimentos do utilizador em tempo real. A integração com sistemas de inteligência artificial será essencial para interpretar esses gestos com precisão.

Tecnologia ainda levanta dúvidas
Apesar do potencial, há algum ceticismo no setor. Mark Gurman refere que não existem indícios claros de que a primeira geração destas “smart glasses” venha a incluir um sistema de reconhecimento gestual tão avançado como o descrito.
A principal limitação está no hardware. O Vision Pro utiliza sensores 3D e um conjunto de câmaras muito mais sofisticado, enquanto estas futuras “smart glasses” deverão apostar numa abordagem mais simples e leve.
Um primeiro modelo mais básico
As previsões apontam para um lançamento por volta de 2027, com um produto inicial sem ecrã integrado.
Este primeiro modelo deverá focar-se em funcionalidades essenciais, como:
- Captura de fotos e vídeos
- Interação com Siri
- Receção de notificações
- Reprodução de áudio
A estratégia da Apple parece clara: começar com um dispositivo discreto e funcional, antes de evoluir para versões mais avançadas com realidade aumentada.

O caminho para substituir o Vision Pro?
Estas “smart glasses” podem representar a evolução natural do conceito introduzido pelo Vision Pro. A longo prazo, o objetivo será miniaturizar toda a experiência de computação espacial num formato utilizável no dia a dia.
Ainda assim, a grande questão mantém-se: será possível garantir uma experiência fiável de controlo por gestos com hardware mais limitado? Para já, a Apple parece estar a testar os limites do que é tecnicamente viável, e o resultado final poderá definir o futuro desta nova categoria de dispositivos.


















Esperemos que este sistema de reconhecimento gestual seja testado, de uma forma bastante abrangente, e inclua pessoas com patologias que afetam o movimento (Parkinson, Tremor Essencial, etc.). Estima‑se que o tremor essencial afeta entre ~25 milhões e ~60 milhões de pessoas no mundo e que haja entre ~8,5 milhões e ~12 milhões de pessoas com doença de Parkinson (os valores têm vindo a aumentar todos os anos).
Isso é algo que com o tempo vai sendo melhorado. Numa primeira versão tenho sérias dúvidas que tenha sido treinado para isso, mas depois com utilização eles vão recolher esses dados para treinar…