Grupo burlou o Spotify em 1 milhão de dólares, e tudo dentro da lei
Um grupo na Bulgária conseguiu desviar cerca de um milhão de dólares em royalties do Spotify, explorando uma falha no sistema de pagamentos da plataforma. O mais surpreendente é que não violou uma única lei.
Como é que isto foi possível?
A história parece impossível, mas é real. Uma entidade búlgara, cuja identidade permanece desconhecida, podendo ser uma pessoa ou um grupo, descobriu uma forma engenhosa de explorar o modelo de pagamentos do Spotify, por forma a gerar receitas milionárias sem infringir qualquer legislação em vigor.
O esquema não é recente, tendo sido revelado, em 2018, pelo Music Business Worldwide, com base em fontes de alto nível da indústria musical. Contudo, na altura, foi um dos casos mais comentados do setor.
O esquema passo a passo
Os responsáveis fizeram upload para o Spotify de duas playlists com cerca de 500 músicas cada, todas com músicas de apenas 30 segundos, precisamente o tempo mínimo necessário para que a plataforma registasse uma reprodução válida e contabilizasse o respetivo pagamento.
De seguida, criaram 1200 contas pagas na plataforma e colocaram as playlists em loop automático, 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Esta operação custou-lhes cerca de 12.000 dólares por mês em subscrições, mas rendeu-lhes aproximadamente 415.000 dólares mensais, tendo em conta que o pagamento médio do Spotify por reprodução é de 0,004 dólares.
Com 500 músicas em loop contínuo ao longo de um mês, o esquema gerava cerca de 72 milhões de reproduções, com os pagamentos a chegarem pontualmente.
Quando é que a Spotify se apercebeu?
A atividade suspeita foi detetada pela primeira vez em setembro de 2017 por um executivo de uma grande editora discográfica, ao analisar os resumos de receitas que o Spotify envia regularmente à indústria.
A esse ponto, contudo, o esquema já estava em pleno funcionamento há meses. Segundo contado pela imprensa, na altura, as playlists chegaram mesmo a figurar nos gráficos semanais globais da plataforma, que listam as playlists com maior receita.
Curiosamente, cada playlist tinha pouco mais de 1000 ouvintes, um número irrisório para o destaque que alcançaram. Segundo as fontes do Music Business Worldwide, o esquema terá funcionado durante aproximadamente quatro meses antes de a indústria alertar a Spotify. A plataforma acabou por eliminar a maioria das músicas das playlists em causa.
Perante este esquema, na altura, o Spotify afirmou estar a "melhorar os métodos de deteção e remoção". No entanto, a verdade é que o problema é de difícil resolução, especialmente com um catálogo com muitos milhões de músicas.
O problema vai continuar a crescer
Antes de o esquema ser descortinado, John Seay, advogado de entretenimento especializado em direitos de autor e streaming, já tinha alertado para esta tendência, em 2016, numa entrevista à Quartz.
É algo que provavelmente vai aumentar. Se isso vai resultar em milhares ou milhões de dólares desviados, não sei. A fraude por cliques é um novo desenvolvimento numa narrativa contínua de oportunistas a tentar obter dinheiro a que não têm direito.
O caso búlgaro não se distingue pela criatividade do método, pois esquemas de inflação artificial de reproduções já eram conhecidos.
O que o torna verdadeiramente notável é a escala alcançada e a facilidade com que foi executado, expondo as fragilidades de um dos maiores modelos de negócio da música digital.
Além disso, se em 2017 bastou uma operação relativamente simples para desviar um milhão de dólares, o que poderá acontecer numa era em que a Inteligência Artificial está ao alcance de qualquer pessoa?
Imagem: Gemini
Neste artigo: Esquema Fraudulento, Spotify




















Se “não violou uma única lei”, então não é burla.
+1
Depende. Não é tão preto no branco. É como os professores bambo e mamadu desta vida. Na verdade, não estão a violar nenhuma lei, mas é burla até ao tutano.
Estas Máfias de leste são um Perigo.
Os callcenters espalhados por aquelas zonas, varrem tudo.
A Europa já está e irá passar a estar cada vez mais exposta a esta criminalidade sem limites.
Na minha interpretação foi um investimento.
Creio que a Spotify também ganhou, com os anúncios. Agora, os anunciantes é que ficam prejudicados porque pagam ao Spotify para divulgarem o anúncio, quando não vão receber clientes.