Zoom “aos saltos” nos smartphones pode acabar graças a esta nova tecnologia
A transição entre as diferentes câmaras de um smartphone ao fazer zoom é um dos maiores desafios da fotografia móvel, resultando em perdas de qualidade visíveis. No entanto, a Tecno, uma proeminente marca chinesa, apresentou duas novas tecnologias que prometem revolucionar esta área.
Um zoom contínuo e sem perdas de qualidade
O grande "truque" da fotografia em smartphones modernos reside na forma como simulam um zoom contínuo. Ao ampliar a imagem de 1x para 5x num telemóvel com uma lente telefoto, não estamos perante um movimento de lentes como numa câmara fotográfica tradicional. Em vez disso, o smartphone alterna entre sensores fixos, preenchendo as lacunas com recorte digital e algoritmos de inteligência artificial (IA).
O resultado é, muitas vezes, uma transição abrupta na cor e na definição da imagem, bem como uma notável perda de qualidade nos níveis de zoom intermédios.
A Tecno, marca estrela da gigante Transsion - a quinta maior fabricante mundial, que compete diretamente com a Xiaomi em vários mercados -, revelou no seu evento anual duas tecnologias que visam resolver precisamente este problema: um zoom ótico verdadeiramente contínuo e um sistema de periscópio ultracompacto.
1️⃣ Freeform Continuum Telephoto
A proposta mais arrojada da empresa é o sistema "Freeform Continuum Telephoto". Teoricamente, esta tecnologia promete manter a nitidez ótica ao longo de toda a amplitude do zoom, desde a câmara principal até à telefoto. Outras marcas já exploraram caminhos semelhantes:
- A Sony implementou um conceito parecido no Xperia 1 IV, embora com um alcance mais restrito;
- A LG já tinha apresentado protótipos há alguns anos.
Contudo, nenhuma marca se tinha proposto a cobrir uma gama tão vasta num único módulo.
Para alcançar este feito sem aumentar drasticamente a espessura do dispositivo, a empresa chinesa abandonou o design tradicional de lentes que se movem longitudinalmente. A solução baseia-se no princípio das "Lentes de Alvarez", um sistema que utiliza duas lentes com superfícies de formato livre que se movem perpendicularmente ao eixo ótico.
Ao deslizarem lateralmente uma sobre a outra, alteram a potência ótica do conjunto, criando um efeito de zoom suave e contínuo.
2️⃣ Dual-Mirror Reflect Telephoto - zoom sem comprometer o espaço
A segunda inovação apresentada pela Tecno foca-se na otimização do espaço. A procura por sensores fotográficos cada vez maiores colide com o espaço físico limitado no interior de um smartphone. As câmaras telefoto de tipo periscópio são conhecidas por ocuparem um volume considerável, mas a tecnologia "Dual-Mirror Reflect Telephoto" da Tecno promete reduzir o tamanho do módulo em 50% e a sua altura em 10%.
Em vez de usar um único prisma para desviar a luz em 90 graus, o sistema utiliza uma ótica coaxial que faz a luz refletir múltiplas vezes no interior do módulo através de espelhos. Isto permite alcançar distâncias focais longas num percurso físico muito mais curto.
Este design tem, contudo, uma consequência visual: o desfoque de fundo não é circular, assumindo antes um formato de anel ou "donut" devido a uma obstrução central. A Tecno apresenta esta particularidade como uma característica artística, mas na realidade é um efeito inerente a este tipo de ótica de espelhos.
A eterna batalha entre a ótica e o processamento digital
As inovações da Tecno surgem numa altura em que a fotografia móvel se tornou altamente dependente do processamento de software, muitas vezes otimizado para criar a imagem "perfeita para o Instagram" em detrimento do realismo. A aposta numa ótica superior, em vez de depender de recortes digitais e redimensionamento por IA, parece ser o caminho mais acertado para alcançar uma maior naturalidade fotográfica.
Ainda assim, é prudente manter algum ceticismo. O grande desafio deste tipo de zoom não é apenas garantir o seu funcionamento, mas também a sua luminosidade. Manter uma abertura de diafragma generosa ao longo de toda a gama de zoom é uma tarefa complexa.
Se o sistema não for suficientemente luminoso, o software será forçado a aumentar o ISO, o que inevitavelmente introduzirá ruído digital. E para corrigir esse ruído, será necessário recorrer... exatamente, ao processamento de software, regressando ao ponto de partida.
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