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Produção de elétricos é mais poluente do que a de motores de combustão? Depende do esforço

Os carros elétricos estão mergulhados em crenças e incertezas, e abafados pelo hábito associado aos motores de combustão interna. De entre as dúvidas, uma particularmente pertinente: será a produção dos primeiros mais poluente do que a dos segundos? Depende, mas há quem esteja a tentar mudar o paradigma.


 

Uma das críticas mais apontadas à mobilidade elétrica é a sua ecologia enviesada. Isto, porque, apesar de emitirem menos gases poluentes na estrada, a produção dos carros elétricos, nomeadamente das baterias que os integram, representa um problema considerável.

Contudo, o impacto total da extração, transporte e refinação do petróleo nem sempre é tido em conta, quando se considera a poluição associada aos carros com motor de combustão interna. Para o debate ser proporcional, é preciso considerar o ciclo de vida de ambos os modelos.

De modo a sublinhar o conceito de sustentabilidade na produção dos seus carros elétricos, desde o início do ciclo, a fabricante Fisker publicou um artigo sobre a avaliação do ciclo de vida dos seus carros. Em inglês, Life Cicle Assessment (LCA).

O relatório LCA detalha a pegada de carbono do primeiro modelo da Fisker, o Ocean, e surge na sequência da missão que a fabricante assumiu de “criar os elétricos mais emocionais e sustentáveis do mundo”.

Os resultados são claros: o CO2 poupado com a escolha de um Fisker Ocean, em comparação com um veículo a gasolina médio, é equivalente à recolha de CO2 de 39 hectares de floresta.

Escreveu a fabricante, que explicou que quer minimizar a utilização de novos materiais, trabalhar no fornecimento de veículos o mais eficientes possível em termos energéticos, garantir que só acaba num aterro uma quantidade mínima de material, já no final da sua vida útil, e estudar métodos para reutilizar e reciclar, completamente, os veículos e as baterias.

Desde a fundação da Fisker, construir os carros elétricos mais sustentáveis não tem sido apenas um slogan de marketing, tem sido uma parte essencial da nossa cultura empresarial. Isso significa que estamos a mudar a mentalidade ultrapassada de uma indústria com 100 anos, desafiando o núcleo da cadeia de abastecimento, colaborando com parceiros para melhorar a forma como os veículos são montados e a energia com que são carregados, e a forma como os nossos veículos são reciclados depois de terminarem a sua vida útil. A nossa avaliação do ciclo de vida confirma que a neutralidade carbónica era uma prioridade muito antes de começarmos a fabricar veículos.

Lê-se no relatório da Fisker, citando o presidente e fundador, Henrik Fisker.

Henrik Fisker, presidente e fundador da Fisker Inc.

O objetivo da Fisker passa por adotar uma abordagem que resulte numa oleada economia circular, dando prioridade, por exemplo, à devolução dos materiais das baterias.

Ora, considerando este relatório e o esforço real de algumas fabricantes, a resposta à pergunta colocada, inicialmente, deverá ser um “depende”. Isto, porque varia, efetivamente, da estratégia de cada fabricante, do local onde o carro é fabricado, e dos materiais que dão forma às suas baterias, bem como do que é feito com elas após o fim da sua vida útil.

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