Após uma visita às instalações da Tesla dedicadas à robótica, um investidor afirmou que o robô humanoide Optimus poderá ofuscar o legado automóvel da empresa.
A Tesla é frequentemente associada à inovação no setor automóvel, mas a sua ambição vai muito além da produção de carros elétricos.
Desde cedo, a empresa definiu como missão acelerar a transição para um futuro sustentável, investindo em tecnologias que transformam a forma como a sociedade produz, armazena e utiliza energia.
Foco da Tesla está, também, na robótica
Numa visão ampla, a Tesla tem apostado fortemente nos setores da energia e da robótica, áreas consideradas estratégicas para o futuro. O desenvolvimento de soluções como baterias avançadas, sistemas de energia solar e redes inteligentes demonstra o seu compromisso com um ecossistema energético mais eficiente e limpo.
Em paralelo, o investimento em robótica e Inteligência Artificial (IA), que ganha forma através do desenvolvimento de robôs humanoides, revela a intenção de redefinir o papel da automação na indústria e no quotidiano, ampliando o impacto da empresa muito para além das estradas.
Optimus vai ser um produto-chave?
Apesar de estar verdadeiramente associada aos carros elétricos, Jason Calacanis, investidor em tecnologia, afirmou que o Optimus pode ofuscar o legado automóvel da empresa, depois de visitar as suas instalações dedicadas à robótica.
No episódio de quinta-feira do All-In Podcast, Calacanis disse que visitou o laboratório Optimus da Tesla com o diretor-executivo da empresa, Elon Musk, dois domingos antes, onde viu o Optimus 3 e observou equipas de engenheiros a trabalhar.
O, também, podcaster fez os comentários enquanto conversava com Bob Sternfels, sócio-gerente global da McKinsey & Company, e Hemant Taneja, diretor-executivo da General Catalyst.
Na sua opinião, citada pelo Benzinga, “ninguém se vai lembrar que a Tesla já fabricou carros”, pois as pessoas lembrar-se-ão apenas do robô humanoide da empresa.
Além disso, revelou que os grandes modelos de linguagem permitirão que os robôs Optimus “compreendam o mundo e, então, façam coisas no mundo que não queremos [nós, humanos] fazer”.
Mais do que prever que o Optimus será “o produto tecnológico mais transformador já criado na história da humanidade”, projetou uma proporção de um para um entre humanos e robôs humanoides da Tesla.
Numa reunião de acionistas anterior, Elon Musk afirmou que o Optimus poderia acabar com a pobreza, e estabeleceu, mais tarde, uma meta de preço de 20.000 a 30.000 dólares por unidade, assim que a produção em massa começar.
Um Optimus da Tesla para cada pessoa
O interesse da Tesla em fabricar um robô humanoide foi revelado pela primeira vez em 2021. Conforme acompanhámos desde o início, em 2022, já possuía um protótipo funcional e, em 2023, apresentou o Optimus Gen 2.
O Optimus é o robô humanoide em desenvolvimento pela Tesla, para executar tarefas físicas que sejam repetitivas, perigosas ou monótonas, tanto em fábricas como em ambientes domésticos ou de serviço, incluindo trabalhos industriais ou ajudar em casa.
Com o objetivo de combinar IA avançada com capacidades físicas humanoides, o próprio Elon Musk chegou a afirmar que o Optimus poderia, a longo prazo, ser mais significativo do que o negócio de automóveis da empresa.
A Tesla está a investir fortemente em algoritmos de IA e hardware próprio para permitir que o Optimus circule, perceba o ambiente e interaja com objetos de forma autónoma.
O robô humanoide deverá ter cerca de 1,7 m de altura e pesar cerca de 57 kg, com uma estrutura bípede e mãos com múltiplos graus de liberdade para manipular objetos e realizar tarefas complexas.
Inicialmente, a empresa planeia usar o Optimus dentro das suas próprias fábricas para tarefas repetitivas, prevendo-se que avance para a produção em maior escala e possível comercialização para terceiros num futuro próximo.