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Elon Musk queria usar as câmaras da Tesla para espiar os condutores

A Tesla é, muito provavelmente, o maior expoente dos carros inteligentes. Com tanta tecnologia, a marca tornou-se também num risco para a privacidade dos seus utilizadores. Por exemplo, é referido que Elon Musk queria usar as câmaras da Tesla para espiar os condutores.

Renault e Dacia são as que menos invadem a privacidade

Onde há fumo, há fogo. E, como referimos há cerca de uma semana, um relatório da Fundação Mozilla deixou claro que os carros modernos são um pesadelo para a privacidade.

Para chegar a esta conclusão, o estudo avaliou as funções de veículos de 25 marcas, numa análise que concluiu que todas violavam a privacidade dos utilizadores, embora a Dacia e a Renault fossem as que o faziam em menor grau, e a Tesla fosse coroada como a pior das marcas, sendo a única que violou os cinco pontos avaliados no estudo.

Este não é o primeiro relatório a apontar os problemas da Tesla com a privacidade dos utilizadores e, de facto, em abril passado, ouvimos falar de um processo contra a empresa devido à utilização indevida de imagens das câmaras dos automóveis por funcionários da empresa. Claro, pelo facto desta falha na conduta de alguns funcionários, não se pode dizer que esta é uma política oficial da empresa. Contudo, o assunto agora tratado já é ao nível das chefias.

Musk queria usar a câmara interior dos elétricos para espiar os condutores

Segundo informações, Elon Musk queria usar as câmaras da Tesla para espiar os condutores, a fim de usar as gravações em processos judiciais que a empresa enfrenta sobre a sua funcionalidade Autopilot – a funcionalidade que, juntamente com a sua condução totalmente autónoma, é vendida como um sistema totalmente autónomo, quando na verdade não o é, conforme referem os reguladores do estado da Califórnia.

Os carros da Tesla, assim como os de outras marcas que oferecem um certo nível de autonomia, integram no seu interior pelo menos uma câmara apontada para o condutor, cuja função é verificar se este mantém a atenção enquanto conduz. No entanto, como se pode ler na biografia de Musk recentemente publicada por Walter Isaacson:

Musk estava convencido de que os maus condutores, e não o mau software, eram a principal razão para a maioria dos acidentes. Numa reunião, sugeriu a utilização de dados recolhidos pelas câmaras do carro (uma das quais está dentro do carro e focada no condutor) para mostrar quando havia um erro do condutor. Uma das funcionárias presentes na reunião contestou: “Estávamos a falar sobre isso com a equipa de privacidade”, disse ela. “Não podemos associar as imagens de selfies a um veículo específico, mesmo quando há um acidente, ou pelo menos é essa a orientação dos nossos advogados.

A resposta não pareceu agradar a Musk, que quis impor a sua vontade:

Sou eu que tomo as decisões nesta empresa, não a equipa de privacidade. Nem sequer sei quem eles são. Eles são tão privados que nunca se sabe quem são.

Disse Elon Musk. Nesse momento houve alguns risos nervosos.

Talvez possamos ter uma janela pop-up onde dizemos às pessoas que, se utilizarem o FSD, iremos recolher dados em caso de acidente. Isso seria bom?

Sugeriu o CEO da empresa.

A colaboradora pensou por um momento e depois acenou com a cabeça.

Desde que o comuniquemos aos clientes, acho que não há problema.

Para além da arrogância demonstrada, consegue-se perceber o estilo de gestão do magnata (algo a que temos vindo a assistir no Twitter-X há já algum tempo). Isto também mostra que os utilizadores da Tesla têm de pensar que quem manda não são os regulamentos, as leis ou regras. Quem manda é Elon Musk, mesmo no que toca à privacidade.

Felizmente, a equipa de privacidade funcionou como uma barreira naquela ocasião. Claro que, como se trata de Musk, contrariar a sua vontade é criar uma relação complicada com o patrão.

 

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