Como é que a Uber sabe onde está mesmo com a localização restrita?
Ao aterrar num aeroporto, poderá ser recebido com uma notificação no seu telemóvel com a seguinte mensagem: "Bem-vindo à [sua localização] – Abra a app para obter instruções sobre como chegar ao ponto de recolha da Uber".Mas como sabe a Uber onde está, mesmo quando tem informação sobre a localização restrita?
Para utilizadores preocupados com a privacidade, que só permitem que as apps acedam à sua localização enquanto estão a ser utilizadas, isto pode ser inquietante. Como é que a Uber poderia saber onde está se restringiu a app a aceder à sua localização apenas enquanto está a ser utilizada? A ESET, maior empresa europeia de cibersegurança, ajuda a explicar este fenómeno.
A razão para o que alguns podem considerar uma violação de privacidade poderia ser uma funcionalidade chamada "Atualização em Segundo Plano", que permite que uma app seja executada e atualize o seu conteúdo mesmo quando não está a ser utilizada. Por outro lado, isso seria contrário ao princípio de limitar o acesso à localização apenas enquanto a app está a ser utilizada, e parece improvável que qualquer app, especialmente no iOS, tenha permissão para ignorar um controlo de privacidade tão fundamental.
Então, como é que a Uber (e talvez outras apps) sabe onde acabou de aterrar?
A resposta está numa funcionalidade chamada "UNLocationNotificationTrigger" que a Apple disponibiliza aos programadores. Esta funcionalidade permite que uma app envie uma notificação pré-configurada quando o dispositivo entra ou sai de uma região geográfica específica, como um aeroporto. Desta forma, contorna eficazmente a intenção por trás da configuração "enquanto utiliza a app".
Portanto, para responder diretamente à pergunta acima: não, a Uber ou outras apps não sabem a sua localização. A notificação é gerada localmente no seu telemóvel quando ele deteta que entrou na barreira geográfica virtual pré-definida do aeroporto.
Por outro lado, a formulação da notificação é enganosa: dá a impressão de que a Uber está a monitorizar ativamente o utilizador e a oferecer orientação. Na realidade, só quando o utilizador toca na notificação e abre a app é que o seu dispositivo partilha a sua localização com ela.
É claro que existem motivos legítimos para o uso do geofencing. Por exemplo, uma app de segurança familiar pode notificar os pais quando o dispositivo do seu filho entra ou sai de uma zona segura designada, como a escola ou a casa. Ou, para usar outro exemplo, uma app de casa inteligente pode lembrá-lo de desligar as luzes quando sair de casa.
Na perspetiva da ESET, parece sensato que a Apple torne mais rígidas as regras relativas às notificações acionadas por localização e as restrinja a fins não publicitários. Isso garantiria que as notificações se limitassem a funcionalidades que atendam ao utilizador e não fossem utilizadas para efeitos de monetização.





















