UE lançou a estratégia europeia ‘Apply AI’ ! Saiba o que é…
A Comissão Europeia apresentou, no dia 8 de outubro, a Estratégia Apply AI, uma iniciativa setorial global da União Europeia para a Inteligência Artificial (IA), que visa complementar o “Plano de Ação para o Continente da IA” com ações concretas destinadas a aproveitar o potencial transformador da IA.
A Apply AI Strategy foi concebida com o objetivo de reforçar a competitividade dos setores estratégicos europeus e fortalecer a soberania tecnológica da União através da promoção da inovação de IA e a sua adoção em larga escala, tendencialmente por todas as indústrias europeias, com especial enfoque nas PME.
Uma abordagem AI first, que coloca a IA como potencial solução para a tomada de decisões estratégicas ou políticas, de forma equilibrada e tendo em conta os benefícios e riscos da mesma, promovendo ainda uma abordagem “buy European”, particularmente para o setor público, com ênfase em soluções de AI open source.
São apresentadas ações concretas destinadas a explorar o potencial transformador da IA, estruturadas em três secções:
- identificação dos Sectorial flagships, que incluem medidas específicas para promover a adoção de IA em 11 setores industriais-chave, designadamente: saúde e produtos farmacêuticos; mobilidade, transportes e automóvel; robótica; manufatura, engenharia e construção; clima e ambiente; energia; agroalimentar; defesa, segurança e espaço; comunicações eletrónicas; setores cultural, criativo e dos média; e setor público.
- definição de medidas e ações para reforçar a soberania tecnológica, abordando desafios transversais ao desenvolvimento e adoção da IA, nomeadamente através do reforço do papel dos European Digital Innovation Hubs, transformados em Experience Centres for AI, que funcionam como pontos de acesso ao ecossistema europeu de inovação em IA, onde estão incluídas as AI Factories e AI Gigafactories, as AI Testing and Experimentation Facilities e as AI regulatory sandboxes.
- criação de um novo sistema de governação, a Apply AI Alliance, que constitui o principal fórum de coordenação, reunindo fornecedores de IA, líderes industriais, o meio académico e o setor público, com o objetivo de assegurar que as ações políticas correspondem às necessidades reais do terreno, através do qual se pretende estabelecer uma abordagem setorial e promover um processo dinâmico de colaboração entre as partes interessadas, e que inclui o lançamento de um Observatório de IA para desenvolver KPIs e monitorizar os desenvolvimentos, o impacto e as tendências futuras da IA.
Olhando para os Sectorial flagships, a Comissão propõe várias iniciativas que abaixo se destacam:
Saúde, incluindo o setor farmacêutico
No setor da saúde:
- criar Centros europeus de rastreio avançado com base em IA (a partir de Q2 2027) de forma a acelerar a introdução de ferramentas inovadoras de prevenção e diagnóstico e ampliar o acesso aos cuidados de saúde em regiões desfavorecidas.
- criar a Rede Europeia de Especialização na Implementação da Inteligência Artificial no domínio da Saúde (a lançar no Q4 2027), para consolidar boas práticas e fornecer orientações estratégicas.
No setor farmacêutico:
- lançar um desafio de desenvolvimento de fármacos com IA (a partir do Q4 2026), destinado a criar novos medicamentos para necessidades médicas não satisfeitas.
- propor medidas para agilizar a entrada no mercado de dispositivos médicos (para 2026).
Robótica
- lançar um Catalyst para a adoção da robótica europeia, com base em ativos existentes, como a AI, Data and Robotics Association (ADRA). Esta iniciativa promoverá a utilização de IA na robótica, facilitará parcerias entre desenvolvedores de tecnologia e utilizadores finais e apoiará a expansão de soluções robóticas em toda a UE.
- desenvolver Acceleration Pipelines para a robótica, em cooperação com a AI, Data and Robotics Association, e promover a criação de uma rede de locais de teste e experimentação em robótica baseada em IA em toda a Europa. Estes espaços permitirão validar e implementar sistemas robóticos em ambientes reais, fomentando a inovação e a competitividade neste domínio estratégico.
Manufatura, engenharia e construção
- apoiar o desenvolvimento de modelos de frontier AI e de AI agents adaptados à manufatura. Com base nos Data Spaces for Manufacturing e na futura Data Union Strategy, a Comissão facilitará a partilha de dados entre atores industriais através de terceiros de confiança, garantindo um volume suficiente de dados para treino, preservando simultaneamente a propriedade intelectual e a segurança dos dados, e recorrendo, quando relevante, aos data labs das AI Factories.
- financiar o desenvolvimento de Acceleration Pipelines para a adoção de AI na manufatura, colmatando de forma mais eficaz a lacuna entre os laboratórios de investigação e a aplicação prática. Estes projetos acelerarão o desenvolvimento de soluções de manufatura baseadas em AI que respondam às necessidades da indústria, proporcionando apoio contínuo e garantindo que estas soluções evoluem do laboratório para um nível de maturidade adequado à utilização em contextos reais.
Defesa, segurança e espaço
- acelerar o desenvolvimento de capacidades europeias de IA em matéria de “situational awareness” e comando e controlo (C2), garantindo interoperabilidade com “flagships” de defesa europeia, nomeadamente a “Eastern Flank Watch” e a “Drone Wall”;
- implantar uma infraestrutura dedicada de computação avançada segura (“AI factory / gigafactory”) para treinar modelos de IA para aplicações nos setores da defesa e do espaço;
- promover a adoção de IA na segurança interna e na cibersegurança, incluindo ferramentas para deteção, análise e resposta a ameaças, garantindo a interoperabilidade com o European Cyber Shield e outras iniciativas da UE neste domínio.
- garantir que todas as aplicações de IA seguem os princípios de segurança, “security-by-design” e proteção de dados por defeito, tal como definidos nas ações transversais da estratégia;
- monitorizar, através do futuro AI Observatory, os riscos e ameaças associados ao uso da IA, incluindo potenciais incidentes de cibersegurança e usos maliciosos da tecnologia.
Mobilidade, transportes e setor automóvel
- criar AI Factories dedicadas ao desenvolvimento de modelos de condução automatizada, promovendo sinergias com a indústria automóvel e com as infraestruturas digitais europeias.
- lançar a iniciativa Autonomous Drive Ambition Cities, permitindo o teste e a operação de serviços baseados em veículos autónomos em ambientes urbanos reais.
Comunicações eletrónicas
- promover as capacidades em dispositivos edge AI, através de apoio dedicado no âmbito da Smart Networks and Services Joint Undertaking e da Chips Joint Undertaking;
- criar uma European Telco AI platform (AI stack pilot action no âmbito do Digital Europe Programme) para operadores de telecomunicações, fornecedores e indústrias utilizadoras colaborarem na construção de tecnologias, frameworks e componentes de infraestrutura que facilitam o uso de sistemas de IA (AI stack), incluindo componente de software que façam a tradução entre dois protocolos de comunicação ou formatos de dados diferentes (mediation layers), engenharia de dados, interfaces cloud e serviços de IA, privilegiando o open source.
Energia
- apoiar o desenvolvimento de modelos de AI que melhorem a previsão, otimização, digital twins e equilíbrio do sistema energético. Estas atividades serão apoiadas através da utilização de infraestruturas cloud-edge-IoT, de software e de ferramentas de AI que sirvam como espinha dorsal digital em todos os ativos do sistema energético, garantindo uma partilha de dados segura, eficiente e fiável em todo o ecossistema energético.
Clima e ambiente
- implementação de um modelo europeu de vanguarda AI Earth-system open-source e de aplicações e serviços baseados em IA que permitam melhores previsões meteorológicas, monitorização da Terra e cenários “what-if” (a partir de Q4 2025), incluindo apoio a serviços de planeamento urbano para recuperação pós-desastre através da utilização de AI-based local digital twins para reconstrução (Q4 2026);
- promover o desenvolvimento de AI-based local digital twins que apoiem a modelização de riscos, a planificação territorial e a adaptação às alterações climáticas, no contexto da iniciativa Destination Earth;
- implementação do passaporte digital do produto.
Agroalimentar
- facilitar o desenvolvimento e implementação de ferramentas de IA específicas para o setor agroalimentar, oferecendo recursos especializados e apoio regulatório através de Agri-food AI Factory.
- desenvolvimento do Multi-Country Project in Agri-Food (MCP) para apoiar a criação de infraestruturas digitais e promover projetos transfronteiriços que utilizam IA para análise e troca de dados agrícolas em vários países europeus.
- Criação de um espaço europeu comum de dados agrícolas (Common European Agricultural Data Space (CEADS), para promover a interoperabilidade, o compartilhamento seguro e o desenvolvimento de soluções inovadoras com IA no setor agroalimentar.
Setores culturais e criativos, e média
- promover o desenvolvimento de micro-studios especializados em produções virtuais com IA e apoiar investimentos em modelos europeus de IA focados em narrativas interativas, imersivas e na descoberta de conteúdos culturais online.
- apoiar o desenvolvimento de plataformas pan-europeias que utilizem tecnologias de AI multilingue para disponibilizar notícias e conteúdos de média em tempo real a públicos alargados, recorrendo a classificação, reconhecimento, análise linguística e tradução.
- lançar um estudo específico sobre os desafios jurídicos associados a conteúdos gerados por IA e sobre o uso de salvaguardas tecnológicas para prevenir e mitigar infrações de direitos de autor.
Setor público
- criar uma AI toolbox dedicada às administrações públicas, incluindo o sistema judicial, com um repositório partilhado de ferramentas e soluções open source para apoiar a interoperabilidade e a reutilização de soluções.
- lançar o Public Sector AI & Interoperability Readiness Pathway (PAIR Pathway), com exemplos práticos que ajudem as administrações a desenvolver serviços adaptados às suas necessidades.
- acelerar a adoção de soluções de IA generativa europeias escaláveis e replicáveis nas administrações públicas, com especial enfoque na educação, incluindo um conjunto técnico e político para apoiar o desenvolvimento de soluções generative e agentic AI.
- rever o European Interoperability Framework para incorporar orientações que promovam políticas AI first nas administrações públicas europeias.
Por fim, importa referir que esta estratégia será complementada por outras iniciativas, designadamente:
- um financiamento de 342 milhões de euros para 83 European Digital Innovation Hubs, para apoiar a AI First;
- a Data Union Strategy (prevista para o final de outubro) que visa assegurar a disponibilidade de conjuntos de dados de elevada qualidade e em grande escala, essenciais para o treino de modelos de IA;
- a AI in Science Strategy, que apoia e incentiva o desenvolvimento e a utilização da IA pela comunidade científica europeia. A AI in Science Strategy será materializada através de projeto-piloto (Resource for AI Science in Europe (RAISE), que reunirá recursos estratégicos financiamento, capacidade de computação, dados e talento — e funcionará em dois pilares principais: (i) Science for AI, apoiando a investigação fundamental para o avanço das capacidades centrais da IA, em particular a frontier AI segura e fiável; (ii) AI in Science, promovendo a utilização da IA para o progresso em diferentes disciplinas científicas.























O Telegram enviou esta mensagem a todos os seus usuários na França sobre o Controle de Conversas. As pessoas precisam saber os nomes daqueles que tentam roubar suas liberdades:
Hoje, a União Europeia quase proibiu seu direito à privacidade. Estava para votar uma lei que obrigaria os aplicativos a escanear todas as mensagens privadas, transformando o telefone de todos em uma ferramenta de espionagem.
A França liderou a pressão por essa lei autoritária. Tanto os ex-ministros quanto os atuais do Interior, Bruno Retailleau e Laurent Nuñez, a apoiaram. Em março passado, eles declararam que a polícia deveria ver as mensagens privadas dos cidadãos franceses (mais informações aqui). Os Republicanos e o grupo Renaissance de Macron votaram a favor.
Tais medidas supostamente visam “combater o crime”, mas seu verdadeiro alvo são as pessoas comuns. Isso não impediria os criminosos — eles poderiam simplesmente usar VPNs ou sites especiais para se esconder. As mensagens de autoridades e da polícia também não seriam escaneadas, já que a lei os isenta convenientemente da vigilância. Somente VOCÊ — cidadão comum — enfrentaria o perigo de suas mensagens e fotos privadas serem comprometidas.
Hoje, defendemos a privacidade: a posição repentina da Alemanha salvou nossos direitos. Mas as liberdades ainda estão ameaçadas. Enquanto os líderes franceses pressionam pelo acesso total às mensagens privadas, os direitos básicos do povo francês — e de todos os europeus — continuam em perigo.
Tivesse havido menos corrupção e mão firme dos passivos pseudo-lideres europeus, não estariam agora a “tentar” mostrar-se criativos e dinâmicos. Este atraso europeu apenas revela que o foco está noutros lados: financiar guerras das quais nunca tiveram tomates para as evitar, imprimir dinheiro conforme lhes apetece, violar a privacidade dos europeus, criar ataques coordenados ao futuro do Euro, etc. A fatura vem sempre para a carneirada.