Receber milhares de euros por mês sem trabalhar: como a IA pode permiti-lo
O rápido crescimento da Inteligência Artificial (IA) instalou receios relativamente à possibilidade de desempenhar as tarefas dos seres humanos e, dessa forma barata, roubar os seus empregos. Na perspetiva de um consultor sénior, que acompanha a tecnologia de muito perto, esta poderia, na verdade, permitir o pagamento de um rendimento básico universal muito alto.
As iniciativas de rendimento básico universal procuram oferecer a adultos um determinado valor recorrente, independentemente de quanto eles já têm ou da sua situação profissional, assegurando que uma pessoa possui o mínimo para sobreviver.
Em Portugal, houve já partidos, como o Livre, a propor uma solução deste tipo, que asseguraria que as pessoas teriam dinheiro para cobrir as suas despesas básicas no caso de perderem os seus empregos, por exemplo.
Com a IA em cena e a ganhar cada vez mais relevância e capacidades, Miles Brundage acredita que o impacto que a evolução da tecnologia terá na economia permitiria que os pagamentos do rendimento básico universal chegassem eventualmente 10.000 dólares mensais.
Na opinião do antigo consultor sénior de políticas da OpenAI e chefe da equipa de preparação para a Inteligência Artificial Geral até 2024, "uma experiência de [rendimento básico universal] significativamente mais generosa do que a que foi experimentada até agora (digamos, $10 mil /mês contra $1 mil/mês) teria grandes efeitos".
$1k/month is relevant to what's feasible policy-wise today.
$10k/month is relevant to what will be feasible policy-wise in a few years with AI-enabled growth.
We'll research this eventually, but only after having made many consequential public policy decisions + wasted time.
— Miles Brundage (@Miles_Brundage) August 20, 2025
Geralmente aplicado com mil dólares por mês, o montante "viável em termos de política hoje", um rendimento básico de 10 mil dólares mensais será "viável em termos de política em alguns anos, com o crescimento impulsionado pela IA".
Com um rendimento assegurado, as pessoas deixariam de trabalhar?
Um dos receios relativamente ao rendimento básico universal é que ele incentive as pessoas a não trabalharem. Contudo, uma experiência conduzida pelo diretor-executivo da OpenAI, Sam Altman, concluiu que esse montante mensal poderia, de facto, neutralizar alguns problemas.
A experiência deu a 1000 pessoas 1000 dólares por mês, enquanto um grupo de controlo de 2000 pessoas recebeu 50 dólares por mês.
Na altura, os resultados mostraram que a maioria dos beneficiários continuou a trabalhar e apenas aumentou os seus gastos com necessidades básicas, como alimentação, habitação e transporte.
Além disso, os beneficiários estavam, também, mais propensos a visitar um hospital, consultar um especialista, ir ao dentista e reduzir o consumo excessivo de álcool e drogas. A par disto, foi relatado ainda menos stresse e maior satisfação com a vida.
Os beneficiários eram, também, mais seletivos na hora de escolher um trabalho: alguns optaram por empregos com salários mais baixos para ter mais independência ou a oportunidade de entrar num determinado setor, e estavam mais propensos a abrir o seu próprio negócio.





















“Com um rendimento assegurado, as pessoas deixariam de trabalhar?” Obviamente que começam a trabalhar ainda mais no que interessa, auto-descoberta, cultura e espiritualidade, ai finalmente começam a despertar para a realidade e começam a perceber que viveram num sistema em que era confundido com a “È a vida.” que os escravizava, depois terão o trabalho de libertar outros das mesmas correntes.
Claro que sim. Basta olhar para o caminho de auto-descoberta, cultura e espiritualidade que certas etnias em Portugal, que recebem um rendimento universal em forma de subsídios, percorrem.
Haverá uma fase inicial de aborrecimento mas depois quando pegar pega mesmo e o caminho é iniciado e será gratificante.
Gosto deste comentário. Acredito também no princípio da automotivação. Penso que, havendo segurança na sobrevivência, o ser humano pode despoletar mais e melhor a sua autenticidade.
Mas o que é que a aiai tem a ver com o rendimento básico universal? Já se falava disso antes.
Além disso, a aiai ainda não está a dar “lucro”, só investimentos em datacenters, energia e afins, sem que haja um modelo de negócio sólido e que cumpra as estimativas que toda a gente papagueia.
Já se fala ha muito tempo, mas sem IA é um utopia completa, com IA é uma utopia por agora. A existência do rendimento basico universal tem como principal premissa o alcance da otimização e rendimento numa série de setores. E a IA propõe-se a fazer isso no futuro.
Em relação aos data centers, energias e afins.. na revolução industrial tambem nao tiveste um investimento e gasto energetico bruto? E hoje não te sabe bem comprar uma tshirt por 9,99€ quando há 50 ano se calhar custava-te 39,99€?
É assim tão dificil de ver os mesmos princípios adequados aos tempos que vivemos? lol
Não é nada disso.
Para se receber sem trabalhar tem que se ir para uma empresa de informática, ou, pelo menos uma que não seja de trabalho manual. E qual é a diferença?
No trabalho manual (não muito exigente, porque o há exigente, como a marcenaria, mecânico, etc) é possível ajustar a quantidade de trabalho à capacidade de trabalho do sujeito (até, nos trabalhos agrícolas, em períodos em que é preciso toda a mão de obra e não chega, como as colheitas, se dizia “O trabalho do menino é pouco, mas quem o perde é que é louco”).
Mas no trabalho intelectual não é assim – ou se faz ou se atrapalha (dá-se mais trabalho do que aquele que se faz).
E o que é que acontece? O trabalho intelectual não é tão divisível, nem de perto nem de longe, como o trabalho manual. Quem tiver baixa produtividade (“Produtividade é fazer bem à primeira”, Mira Amaral dixit, sem dar trabalho a quem tem que o rever ou integrar no trabalho coletivo) só atrapalha.
E o que é que acontece nas empresas de informática, em projetos que vão ser faturadas ao cliente como tendo sido realizado por “três consultores seniores”? Um ou dois fizeram o trabalho e um não fez nada que se aproveite, a menos que, embora passando por trabalho dele, foram os outros que fizeram/corrigiram.
Agora, vamos lá a ver, com a IA na programação está-se numa situação parecida. Embora um pouco melhor que o “3º elemento”, que não faz, nem sabe (e a maior parte das vezes não quer) fazer nada, a IA faz um trabalho com erros. Por isso há quem não o utilize, pelo trabalho que dá a corrigir preferem fazer eles tudo – veem só o trabalho de programação da IA à procura de ideias, tipo: “Boa ideia! Não me teria lembrado disto!”
Por isso, eu não vejo as coisas assim – as pessoas deixariam de trabalhar. As pessoas que, supostamente, realizam trabalho intelectual, as que nada fazem continuam a receber sem trabalhar, tal como atualmente, e os outros continuam a ser precisos e a trabalhar.
Deixei de ler quando dizes “Para se receber sem trabalhar tem que se ir para uma empresa de informática”. Percebi logo que até um energúmeno consegue comentar com um corretor ortográfico
Olha, o “3º elemento” 😉
Mas com mau feitio não te aguentas, só se fores uma pessoa agradável, que não é o caso.
Exacto!
Interessante é saber quando o governo aprova a lei da eutanasia para antecipar as herancas! Hoje em dia ter casa so por heranca! Ah pois e!
Pode passar 90 anos, a pagar 80000%, de lucro, para a banca e seguradoras.
Engraçado é que há por aí 70 milhões, de perfis, que protestam, contra a banca, esquecendo os 983000 milhões, de lucros, das seguradoras, que pagam 1 euro, por cada 450000 milhões, de perdas.
O RBI não pode só ser representado por partidos políticos mais esquerdistas, porque é uma ideia liberal, a diferença entre uns e outros, uns defende que o RBI deve substituir os benefícios sociais e o fim da saúde pública e da escola pública, os outros substitui os benefícios sociais, e defende como complemento a saúde pública e a escola pública .
Esta ideia ou metodologia, como se quiser chamar, não e’ para agora, as pessoas ainda estão a trabalhar, há pleno emprego e a fixação de que as pessoas deixariam de procurar trabalho se recebessem o suficiente para viver ainda e’ prevalecente, embora não tenha pés nem cabeça.
No entanto, mais cedo do que tarde a IA vai substituindo pessoas e nessa altura muda o chip, porque raio vou procurar trabalho se a IA faz tudo?
O pessoal esquece-se que a IA nao vai chegar a todas as areas de negocio.
A curto prazo não
Ze nao queiras ser mais esperto que os outros. Por acaso padeiros ou pedreiros precisam de IA para alguma coisa ?
Posso estar a ser muito sci-fi na minha visão, mas acredito que, num futuro, irão existir robots que mimetizem a 100% os movimentos e a agilidade humana, com inteligência artificial, que serão capazes de substituir essas profissões todas.
Tendo a agilidade humana, o que impede que isso aconteça?
Aliás, já temos robots, já temos a IA, só falta termos um produto eficaz que junte tudo e seja funcional.
Quando isso acontecer, o que impede uma empresa de adquirir essas máquinas que podem fazer o trabalho de um homem?
É moralmente correto? Óbvio que não, mas que será uma realidade, não duvido.
Fusion quando isso acontecer (duvido que alguma vez aconteca) depois os robots e que vao comercializar os produtos e servicos entre si. Mas isto tambem so prova uma vez mais o reflexo da ganancia dos capitalistas que nunca quizeram saber das pessoas para nada. Apenas lhes pagam um ordenado porque sao obrigados a faze-lo.
Com 8 biliões de pessoas neste planeta, a consumir recursos desenfreadamente, quando chegarmos a um ponto em que a AI possibilite um Rendimento Básico Universal (RBU), a elite que tiver o poder nessa altura vai-se questionar se realmente precisamos destas pessoas todas. É que com o RBU, há muitas que vão deixar de produzir, limitando-se apenas a gastar os recursos que temos.
Nos países mais desenvolvidos a natalidade é a mais baixa, se a tendência for dar condições a todos esses tambem vão seguir pelo mesmo caminho de não ter filhos reduzindo a população mundial.
Tens a questão tambem de consumirem apenas, ao menos não vão para o trabalho dar cabo ainda mais do planeta com deslocações etc.
Gosto dessa ideia, começar a delegar trabalhos para a IA e deixar naturalmente a população diminuir. Até aqui tudo ok: menos pessoas, menos poluição, mais IA, menos trabalho.
Sabes qual é o problema? O esquema de pirâmide legal criado há uns anos, chamado Segurança Social, mais concretamente na pasta das reformas.
Menos gente a trabalhar, menos dinheiro a entrar, mais reformados…
Como se resolve isso?
Numa fase transitória, o Estado deveria dar a possibilidade de as pessoas escolherem ou não entrar nesse esquema de pirâmide que é a Segurança Social. Aliás, do meu lado, se me dessem a oportunidade, assinava já por baixo. É que só no meu caso vão todos os meses 900 € (IRS + SS) para eles.
Acho que, se esse dinheiro ficasse do meu lado, seria mais bem aproveitado para a minha reforma no futuro. Aliás, ao fim de alguns anos até me poderia reformar mais cedo porque tinha capital para isso.
Mas não, tenho de andar a pagar para outros, para depois eu não ter um chavelho quando chegar lá.
Pois com esse egoismo não vamos longe, o dinheiro é temporário para cada um e deve servir o bem comum. Já quando as maquinas e a IA começarem a trabalhar á força toda vão produzir vezes mais que um ser humano e pagando impostos temos o suficiente talvez para distribuir para todos terem uma vida digna.
IA é uma treta. Só cai quem quer.
Quando a IA superar os humanos, faz o que os humanos fizeram às máquinas: sucata para reciclar.
Creio que deveríamos pesquisar por Universo 25 e verificar o que aconteceu!
Na minha opinião as pessoas vão se insurgir contra a AI e as empresas que gerem AI. As maioria das pessoas que vão perder o empregompor causa da AI vão votar em partidos que regulem a AI. Ninguem quer ver um mundo gerido por poderosas empresas privadas que funciona apenas com AI. isto é uma utopia profunda e não vai funcionar. Metam os robôs e a AI onde é preciso. Onde á fata de mao de obra e explorar planetarias e interestelares. caso contrário ira haver guerras.
É comprar Solana e dormir à sombra da bananeira.