Existem processadores raros nos quais o multiplicador se encontra totalmente desbloqueado (caso de antigos processadores AMD Barton, ou mais actualmente dos Intel Core 2 Extreme (QX**** ou X****). Isso poderá facilitar o overclock usando apenas o incremento do seu multiplicador e tensão.
Note-se que grande parte dos processadores têm o multiplicador parcialmente desbloqueado abaixo do valor máximo (como a maioria dos processadores das anterior e actual gerações), ou seja, supondo que o processador trabalha a 3GHz e tem BUS de 333MHz, o seu multiplicador máximo é 9x (333.3×9=3000MHz), sendo que o multiplicador mínimo é, dependendo da marca, entre 4x a 6x.
Esse desbloqueio parcial deve-se à implementação das tecnologias Cool’n’Quiet (da AMD) e Intel SpeedStep (da Intel, juntamente com a Enhanced Halt State ou C1E) que foram feitas a pensar na poupança de energia e colocam o multiplicador no mínimo quando o sistema está em idle (“sem fazer nada”) e no máximo quando está em full load (carga máxima).O valor da tensão é também alterado automaticamente. Estas tecnologias poderão comprometer a estabilidade num sistema com overclock, devendo ser mantidas desligadas.
Quando o multiplicador está bloqueado (ou parcialmente desbloqueado) é necessário aumentar então a velocidade de BUS do sistema. Ao aumentá-la estão a ser alteradas também a velocidade BUS do processador, a velocidade do chipset (componente controlador da motherboard que inclui o northbridge) e consequentemente a velocidade da memória.
Quanto mais acentuado for este incremento, maior tensão é necessária para todos os componentes envolvidos, tensão essa que deve ser aplicada de forma progressiva e cuidadosa, tendo sempre em atenção as temperaturas desses mesmos componentes (que poderão ser consultadas na BIOS ou em software como Speedfan ou EVEREST).
Por norma a velocidade do chipset tem uma elevada margem de manobra mas, geralmente, não acontece o mesmo com a velocidade da memória. É para isso necessário escolher um multiplicador (ou proporção) adequado de modo a colocar a frequência da memória num valor estável.
A estabilidade da memória pode também ser controlada pelas latências, assunto que não vai ser aqui alongado. Nos sistemas que usam DDR1 é crucial que a proporção seja 1:1 de modo a obter o máximo rendimento de todo o sistema mas nos sistemas DDR2 é possível escolher livremente qualquer proporção sem comprometer drasticamente o rendimento (as BIOS recentes não nos permitem escolher a proporção mas sim a velocidade final a que a memória irá funcionar, poupando assim os cálculos do utilizador). Note-se que é essencial que a velocidade da memória esteja o mais alto possível.

Após aplicar este método seguem-se os testes de estabilidade para haver certezas de que tudo está operacional. Quando o sistema está bastante instável ou quando alguma opção foi mal escolhida na BIOS, o computador pode não conseguir iniciar o sistema operativo ou mesmo não arrancar e fazer alguns sinais sonoros.
É necessário então repor as definições da BIOS (CMOS) de forma a poder-lhe aceder novamente e corrigir o problema. Existem já algumas marcas que implementaram tecnologias para facilitar esse processo. A melhor delas é a tecnologia da ASUS (C.P.R. – CPU Parameter Recall) que nos poupa o trabalho de abrir a caixa do computador para fazer o clear CMOS, é portanto um processo accionado automaticamente. Já a conceituada DFI usa a EZ Clear onde é necessário abrir a caixa e carregar num botão localizado na motherboard.

No que diz respeito à placa gráfica, as marcas mais conceituadas (AMD/ATI e nVidia) possuem já software adequado, fornecido com os drivers, para modificar as velocidades de relógio do GPU (processador gráfico), da memória e do shader. Deve ser feito igualmente um incremento progressivo das velocidades de relógio, onde desta vez não se alteram tensões (é possível alterá-las nalguns casos mas não será abordado aqui).
Para ajudar nesse incremento existem aplicações bastante boas: ATI Tray Tools para AMD/ATI e para a nVidia existe o RivaTuner. Para atingir automaticamente o máximo overclock na nVidia pode ser usado o ATITool.
O conceito de underclock é exactamente o inverso do overclock, em todos os aspectos. Se acha que um determinado componente aquece em demasia ou que tem um bom cooler que poderia prescindir de arrefecimento activo (ventoinha) caso as temperaturas em passivo não ultrapassassem em média os 40ºC (por exemplo), pois bem, o underclock é a solução.
Obviamente que não deverá fazê-lo caso comprometa a performance do que habitualmente faz num PC.

















