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Sarco: um casulo para “servir uma morte assistida”


Maria Inês Coelho

Gestora de conteúdo e de redes sociais do Pplware. Mestre em Economia, foi o fascínio pelo universo da tecnologia e da comunicação que falou mais alto.

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37 Respostas

  1. Hugo Nabais says:

    Já alguém a testou?

  2. DrFrankenDerpen says:

    Sou a favor da liberdade de escolha, tal como para a IVG.

    • Sou says:

      Na ivg, a responsável pela escolha não é a própria que vai morrer, por isso não é “tal como na ivg”. Também não abdico do facto de o pai não ter uma palavra a dizer, como se existisse a noção de posse única e exclusiva da mãe.

      • lucinei says:

        caraca, este é um ponto de visto que eu nunca havia pensado. sempre se fala no direito ao aborto, mas a decisão é da mãe, e quanto a vontade do pai, sempre está a assumir que o pai não quer.

        • Simplório says:

          Noutros locais do mundo nem tanto e noutros ainda perto de nada mas pelo menos a sociedade ocidental é uma sociedade predominantemente feminina: à mulher muitos comportamentos são permitidos e outros tantos desculpados e tolerados com a maior descontração e naturalidade e mesmo quando o comportamento já se torna grave safam-se demasiadas vezes sem recriminação… no entanto, se um homem se atreve a mesmo tipo de comportamento está tramado para a vida toda!

          No caso da IVG que é potencialmente uma das maiores injustiças que um homem pode sofrer (como se um pai solteiro já não fosse capaz de cuidar e educar uma criança) este não é tido nem achado para sequer dar uma opinião, muitas vezes nem se lembram do homem. É como se nunca tivesse existido e a gravidez tivesse simplesmente aparecido por artes mágicas!

          • João Gomes says:

            Adote a filosofia mgtow meu caro. Nesta sociedade matriarcal mgtow é o único caminho

          • Simplório says:

            @João Gomes
            Não fazia ideia o que era isso de mgtow, até julguei que fosse uma espécie de erro ortográfico, uma gralha. Mesmo assim pesquisei e saí agora mesmo da página em português da wikipédia sobre esse assunto e, surpresa, o que escrevi realmente encaixa-se perfeitamente… caramba!

          • Hugo says:

            João essa filosofia é tão absurda como o feminismo. Nem pôr nem tirar.

        • João Gomes says:

          Sempre??? Isso foi uma piada verdade? Já está história de meu corpo minha escolha só vale até a mulher engravidar, tirando umas circunstâncias como violação ou risco a vida, ela e o homem que ela levar pra cama tem todo um mundo de opções para prevenir e até remediar gravidez indesejada mas quando já tem um bebê não é o corpo dela, estamos a falar de uma outra vida a parte. fosse assim as progenitoras poderiam matar os filhos em qualquer idade, não são”parte delas”?

  3. Cortano says:

    “Como foi explicado, uma dentro do Sarco, a pessoa só precisa pressionar um botão para liberar o nitrogênio.”

    A grande discussão à volta da Morte Clinicamente Assistida são os casos de pessoas em estado vegetativo.
    Ou, num outro patamar, pessoas sem qualquer tipo de autonomia do pescoço para baixo.
    Estas pessoas, mesmo querendo, não o conseguem fazer sem ajuda.
    Ou seja, a grande discussão iria manter-se. Porque para estas pessoas alguém teria de os ajudar a meterem-se no casulo, portanto,,, a discussão e controvérsia iria manter-se.

    Também, se para as pessoas usarem este equipamento teriam de ter a capacidade mental para carregarem no botão… se hoje não cometem o suicidio porque não conseguem a nível mental, não me parece que o iriam conseguir na mesma com este casulo.

    Pode estar a escapar-me algo, mas esta ideia não acrescenta nada ao assunto e nem é a tal solução para dar a liberdade às pessoas.

  4. Bruno says:

    Em casos específicos sou a favor da eutanásia. Mas não sou a favor da massificação deste tipo de dispositivos.

  5. Luis Silva says:

    Quando a humanidade entender certas coisas e abrir os olhos, este tipo de coisas não irão existir……

  6. JRM says:

    Comprovada a saúde mental da pessoa em questão, sou a favor da eutanásia.
    Claro que é e sempre será um tema controverso. A maioria das pessoas não lida bem com o tema.

    • Simplório says:

      @JRM
      «Comprovada a saúde mental da pessoa em questão, sou a favor da eutanásia.»

      Faz ideia do que acabou de escrever ou foi mesmo de propósito?

      • Vitor says:

        Eu percebi a ideia e o comentário do JRM e concordo com ele. Porque uma pessoa pode se encontrar em plena posse das suas faculdades MENTAIS e no entanto estar em sofrimento FíSICO com um grau elevado. Nesse caso ele pode decidir (conscientemente) preferir acabar com “tudo”…porque a capacidade intelectual não “doi” mas absorve o sofrimento físico!

        • Hugo says:

          O comentário do JRM eu percebi e concordo em grande parte, mas já agora gostava de ouvir o ponto de vista do Simplório.

          • Simplório says:

            É para mim bom sinal que tanto o Vitor como o Hugo reclamem terem compreendido desse modo o comentário pois demonstra que poderão ser ambos pessoas compreensivas e de boa índole que apesar de lerem uma frase em que, sem mais nenhuma explicação, é defendida a eutanásia comprovada a saúde mental, optam por uma interpretação benevolente em vez da interpretação que tais palavras abundantemente transpiram. A confirmar-se terem razão nessa interpretação seria então aconselhável que fosse o JRM a ter um pouco mais de cuidado na forma como passa as suas ideias para palavras, julgo eu.
            Estivessem o Hugo ou o Vitor noutros locais e perante uma frase deste tipo aconselhar-vos-ia a ter um pouco mais de cuidado com as interpretações que fazem pois, no extremo, podem meter-vos em grandes sarilhos… se bem que seja a exposição de ideias e o modo como são expostas o que mais meta as pessoas em sarilhos.

            Quanto ao meu ponto de vista que o Hugo pede, pois bem… independentemente da vontade manifestada por cada um de nós, mesmo em testamento vital, independentemente das razões ou seus méritos todos nos devemos lembrar que uma coisa é defender algo enquanto estamos de relativa boa saúde, outra bem diferente é quando chega a Hora e, eventualmente estando nós numa convulsão de diferentes sentimentos relativos à família, à vida e à morte, nos confrontam com a decisão antes tomada! Parece-me assim haver questões a ter em conta.
            – E se entretanto nos arrependemos e mudámos de ideia?
            – Teremos então capacidade de nos fazermos ouvir?
            – E se já nem reconhecerem em nós a capacidade de mudarmos de ideia?
            Temos de ter em mente que há ideias ou convicções que mantemos por uma vida inteira mas há outras que mudam, evoluem ou apenas se apagam e ainda tantas outras que vamos adquirindo ao longo da vida… o destino de cada uma delas só o saberemos mesmo no final.
            Tanto palavreado para dizer: não devemos ter a pretensão de saber hoje aquilo que quereremos amanhã e ainda menos devemos ter a pretensão de saber o que querem aqueles que nos são mais chegados!

  7. Paulo Inácio says:

    Antes de mais, parabéns ao PPLWARE pelo prémio do site. Venho aqui todos os dias mas nunca comento. Obrigado pela informação diária de disponibilizam.

    Como pessoa, entendo a eutanásia como fuga de sofrimento e ninguém gosta de sofrer ou perder a sua individualidade e respeito isso. No entanto, gostaria que refletissem um pouco mais comigo, respeitando a liberdade de expressão de cada um, tal e qual.

    Serve apenas para reflexão o meu seguinte comentário:

    Toda a gente diz: R.I.P ou descanse em paz após a morte de alguém.
    Mas o quê,o corpo?? Ou algo ou alguém que o animava em vida? Se desejamos R.I.P é porque acreditamos em algo mais depois da morte, certo?
    Reencarnação? Ficção ou realidade? Está provada a existência?

    Meus amigos, sou espírita. E sim, comunico-me com espíritos, como se de uma cortina de fumo nos separasse sem os poder ver mas poder senti-los ou falar com eles. Acreditem no que vos digo: pior morte para um ser humano é suicidio, de acordo com relatos de espiritos desencarnados suicidas, e não só.
    Neste caso especifico, o depois da morte do corpo fisico é ainda mais penoso que em vida.

    Porque a nossa vida é muuuuito breve em comparação com o depois.

    Abraços fraternos.

    • Vitor says:

      Eu não sou Espírita mas respeito as escolhas e convicções de cada um…gostei do seu comentário. Educado e com um fundo para refletir…

    • Joao says:

      Viva
      Eu também não sou espirita, sou católico, e aquilo que está descrever sobre o sofrimento das almas que se suicidaram está de acordo com os escritos da Maria Simma, uma mística que falava com as almas do purgatório.
      Cordiais cumprimentos

    • euZinho says:

      Sem querer ofender ninguém, tento aqui fazer o contraponto:

      A visão apresentada é enraizada em preceitos católicos e como tal não pode ser vista como uma visão abrangente, mas sim como a de um grupo da nossa sociedade, por maior ou menor que seja. O espiritismo, para além da fé individual, tem tantas provas de existência quanto o resto; nenhuma.

      São vários os movimentos e religiões que apresentam visões diferentes e mesmo contraditórias, sendo eu um homem de ciência, ainda não encontrei nenhuma razoável ou incontestável. Não nego nada, mas não aceito apenas por simples tradição.

      O que se discute com o direito à Eutanásia é o direito individual de cada um, em consciência, decidir se quer ou não prolongar a sua vida. A existência de um “além” é algo pessoal e cabe ao individuo julgar por si. Não penso, contudo, que o facto de eu acreditar ou não, tenha o direito de impor à sociedade um comportamento que eu considero correcto.

      Vivemos em tempos civilizados, como tal penso que deva ser dado humanismo às decisões conscientes de cada um, não ceder a interesses corporativos mas assentes na liberdade de crença e escolha. Neste sentido, esta máquina colmata uma lacuna da sociedade.

      • João says:

        Viva
        De fato é verdade, as religiões não têm base cientifica é como tal não podem ser comprovadas.
        Eu também me considero um homem de ciência, mas também acredito na existência de um mundo espiritual que escapa às regras da fisica e da ciência. No caso concreto que referi, mesmo para quem não acredita, podem procurar na net por Maria Simma e ler alguns textos. Esta senhora recebia visitas de almas que lhe pediam ajuda, um dos relatos refere uma alma que se tinha apropriado indevidamente de uma quantia de dinheiro em vida e pediu a Maria Simma que contactasse os familiares para devolveram a quantia, para repararem o mal que tinha sido feito. Não há qualquer explicação cientifica para esta historia pois Maria Simma não conhecia a familia em questão, portanto a ciência não comprova nada mas também não explica estes fenomenos. Também concordo que a religião não pode ser impingida, mas acredito que estes fenomenos são sinais que Deus dá há humanidade, só acredita quem quiser. Cada um deve ser fiel à sua consciência e convições, mas cada um também deve ser responsável pelos seus atos.
        No caso concreto da eutanásia que já é legalizada nalguns paises nordicos, já há relatos reais de idosos que começam a ter muito medo dos próprios filhos/descendentes que estão à espera de receber herança.
        Muitas pessoas também desconhecem os cuidados paleativos que são uma pequena ajuda para este problema. E na realidade as pessoas em sofrimento muitas vezes não querem morrer, querem apenas que o sofrimento passe, pelo que vários outros tipos de ajuda são possíveis.
        O contraponto foi bom e não há ninguém ofendido 🙂
        Cordiais cumprimentos

      • Paulo Inácio says:

        Amigo euZinho,

        Mas com certeza, estou de acordo a 300% com os seus últimos dois parágrafos. Claro que existe e sempre deve existir a liberdade de escolhas. O meu apelo foi meramente para as consequências do nosso livre arbítrio. Apenas tenho que o “corrigir” nos restantes pontos:

        O Espiritismo não é enraízado no catolicismo (a religião católica não aceita a reencarnação, pilar do espiritismo).
        O Espiritismo não é uma religião.

        “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos
        Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.

        A base da Doutrina Espírita é formada principalmente pelos seguintes conceitos:
        – Deus: inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.

        – Reencarnação: através da imortalidade da alma, o homem tem a oportunidade de crescimento moral

        – Mediunidade: aptidão de contacto com o mundo espiritual

        – Livre arbítrio: liberdade de escolha, onde cada um é responsável por sua própria conduta e ações

        – Conduta: seguir o Evangelho de Jesus e seus ensinamentos é o que deve direcionar o espírita.”

        Resumi ao máximo porque não é minha intenção divulgar o espiritismo neste site. Serve apenas como esclarecimento. Apenas e somente isto.

        Se quer provas, que tal uma procura? Provas não faltam, amigo! Como aquela famosa frase: “…não acredito em bruxas, mas que as há, sim.”

        Grande abraço

        • Hugo Nabais says:

          Tendo sido eu ao longo da vida céptico tive recentemente a possibilidade de experiênciar manifestações espíritas (juntamente com outra pessoa, portanto não alucinei)
          E foram de vários aspectos, sendo aquelas que mais me assustaram e convenceram a de movimentações de objectos (sozinhos), isto visto com os meus olhos!
          Quem quiser acreditar que acredite, eu sei que eu próprio se lê-se isto há 2 anos atrás, acharia conversa inventada!

          Mas pergunto ao Paulo Inácio, se um espirita deve seguir o Evangelho de Jesus Cristo e o Cristianismo não acredita na Reencarnação como é que isto se conjuga? Parece não fazer sentido!

          • Hugo says:

            Sendo eu ateu e acreditando apenas nas evidências, se a prova do espiritismo é que realmente consegue mexer objectos sozinho e sabendo que normalmente esses movimentos servem para absolutamente zero, então tenho de concluir que o espiritismo é inútil.

          • Hugo Nabais says:

            Hugo não percebeste o que eu disse! Houve várias manifestações que transmitiram uma mensagem que acabámos por presumir o que seja.
            A parte da movimentação dos objetos foi a evidência que mais me chocou e fez acreditar no “espiritismo”.
            Nem espero que acreditem em mim pois sei que eu provavelmente não acreditaria.
            E mesmo que fossem Só movimentações sem mensagens poderia servir para perceber que existe mais qualquer coisa para além da nossa compreensão.
            Também era ateu agora considero me agnóstico mas com curiosidade de aprender mais.

        • euZinho says:

          Paulo, com todo o respeito, mas não podemos chamar ciência a algo que metodicamente não possa ser comprovado (método científico): logo o espiritismo não pode ser considerado uma ciência. Nem nenhuma religião.

          Dissociar o espiritismo das religiões (principalmente católica e afins) é algo impossível, pois assenta em conceitos similares: pressupõe a existência de um Deus, da reencarnação, do livre arbítrio e respectivo julgamento, dos mesmos evangelhos… logo é mais do que enraizado na igreja, é uma parte dela.

          Isto provoca que se criem preconceitos e juízos que assentam sempre em pressupostos religiosos, que durante séculos comandaram as nossas sociedades ocidentais e este debate é a prova que ainda condicionam de forma significativa o dia-a-dia.

          Cumprimentos

    • Luis Silva says:

      Boas
      Também sou dessa opinião, e sou espirita.
      Quanto ao haver provas, elas existem, é necessário é estudo e verificar as coisas, quem tem uma mediunidade ostensiva, com certeza não pode negar a vida após a morte, já para não falar nos relatos escritos através de mediuns, exemplo espírito André Luiz.
      Na ciência, mais propriamente na física quântica já estão dando alguns passos no que eles entendem por observador externo.

      Hoje cada vez mais as pessoas se questionam o porquê das coisas, há necessidade de vermos as coisas pela racionalidade e vermos bens as coisas à nossa volta.
      Temos livre arbítrio sim temos, mas será que podemos fazer realmente as coisas como nos apetece em consequências? Se calhar temos de começar a pensar.

      Na era em que estamos não nos falta é meios para adquirir livros na internet etc.

      Tarde ou cedo as coisas vão surgir, se calhar mais rápido que todos pensamos.

  8. Alex says:

    E se a pessoa quiser se suicidar por opção, pode usar? Sem ser por doença?

  9. George Orwell says:

    Emil Cioran foi um filósofo romeno-francês falecido na sequência de doença prolongada em 1995.
    Consta que a primeira edição de uma das suas obras fundamentais logrou vender pouco mais do que uma dúzia de exemplares. Talvez não ande longe da verdade se disser que este autor, notabilizado pelos seus crus aforismos de desencanto e desespero, é autor mais pessimista sobre a temática da vida que humanidade alguma vez gerou. Ninguém como ele conseguiu criar uma agónica atmosfera de suplício e amargura.

    Daí que, toda a sua obra, nomeadamente um dos títulos mais conhecidos e que melhor definem o autor, “Sur les cimes du désespoir” ( Nos Cumes do Desespero ) – o título diz muito – , é altamente desaconselhável para pessoas com mentes depressivas ou que vivam sob este estado e, atrevo-me a dizer, mesmo para aqueles vivam num estado de positivismo e bem estar para evitarem contacto com algo capaz de suspender tal bem estar. É que, certamente alguém já terá cometido suicídio depois de ler Cioran.

    Ora, num belo dia (presumivelmente menos para Cioran) , um jornalista questionou Cioran com a pergunta mais óbvia, perguntando-lhe se, em função do seu pessimismo existencial, alguma vez teria equacionado o suicídio. A resposta foi pronta, ao dizer que sim, já tinha pensado no suicídio, porém tinha chegado à conclusão que preferia o mais difícil, ou seja, não se suicidar uma vez que, para ele, o suicídio era uma acção muito fácil e sempre à mão.

    Em boa verdade, o suicídio está sempre à mão e ao alcance de quem o quiser fazer. Pode até dizer-se que, em termos operativos, existem 1001 maneiras de obter tal resultado. Porém, tal decisão é a antítese do milagre da vida e da existência, vida que se caracteriza por sofrimento do princípio ao fim, como um rio que nos traz sempre coisas boas e más. E nunca vamos poder escapar das coisas más, nomeadamente a morte de entes queridos ( a nossa morte é a morte do outro ) e da doença. Porém tais coisas más, só o são na forma como as enfrentamos e como delas fazemos o correspondente “insight” .

    A título de exemplo, na sua vida, o genial compositor italiano Verdi foi “presenteado” com a morte quase contemporânea da sua esposa e suas filhas o que lhe provocou uma profunda depressão. O então director do Scala, contra a vontade de um Verdi incapaz de produzir coisa alguma , lá conseguiu esconder no bolso do casaco de Verdi um “libretto” que, já na casa de Verdi, haveria de cair no chão ficando aberto na página de Nabucco, referência a um episódio bíblico que chamou a atenção de Verdi. Escuso de contar o resto da história.
    Digo apenas que, se na altura vigorasse a eutanásia nos termos em que é hoje possível em Zurique ( muito perto da Itália de Verdi) que chega a abranger estados depressivos, Verdi, querendo, seria certamente elegível para “profilacticamente” lhe darem a beber a “cicuta” .
    O mundo e as artes teriam então perdido algumas das mais geniais óperas que alguma vez foram compostas, nomeadamente Nabucco.

    Tantas vezes que o suicídio foi uma resposta permanente para um problema temporário e tanta vez que quem o praticou não quereria parar com a vida mas sim com o sofrimento.

    Tenho para mim, que há que dar toda a força para, tal como a resposta de Cioran, fazer o difícil e não o fácil, dar toda a força aos cuidados paliativos nas doenças terminais e fazer todo o possível para merecer estar vivo e grato para como o milagre essencial, o milagre da vida. Se a morte física é inevitável, porquê antecipá-la ?

    A espiritualidade, a crença, os cuidados paliativos e tudo que possa minorar o sofrimento, a forma como se faz o “insight” ou se encara da adversidade não valerão infinitamente mais do que o ignóbil artefacto da foto ?
    Além de mais, ao invés do ignóbil artefacto, não têm um preço, são tão “priceless” como o milagre da vida que nos faz existir e ainda que ainda nos dá uma dia para viver de cada vez .

  10. João Gomes says:

    O pessoal do Futurama já tinha inventado isso. Falta agora um meio de descartar o cadáver e liberar a cabine pra próxima pessoa na fila e claro,tem de aceitar pagamento multibanco:-D

  11. George Orwell says:

    Só mais uma nota correlativa a este tema.
    Em Portugal existem cerca de 800.000 ( não, não me enganei nos zeros ) cuidadores informais.

    Cuidadores informais são pessoas que se dedicam voluntariamente e sem qualquer remuneração ao serviço de um seu semelhante carenciado ( v.g. pacientes que se debatem numa luta desigual com patologias de demência, esquizoferenia, alzheimer, parkinson, cancro, paralisia cerebral, doenças neuro-degenerativas, acidentes cardio-vasculares e cerebrais, traumatismos vários, deficientes motores, invisuais, depressões graves, anorexia, ETC. ( escrevi “ETC”. em maiúsculas para enfatizar que as patologias incapacitantes ocupam centenas de páginas dos manuais de diagnóstico médico ), muitos deles sujeitos a tratamentos caríssimos.

    Sendo certo que uma parte significativa destes cuidadores informais dirigem o seu afecto a mais do que uma pessoa carenciada com quem partilha a mesma habitação, chegaremos a um número próximo dos dois milhões como somatório dos pacientes e dos respectivos cuidadores, sendo que muitos pacientes já o são desde o nascimento ou desde a juventude ( se alguma vez a puderam usufruir ).

    Ora, estes 800.000 cuidadores informais além do afecto e do sentido ético e de dádiva incondicional com que assistem o seu semelhante mais próximo, beneficiam o orçamento geral do Estado com milhares de milhões de €uros de poupanças, uma vez que, sem eles, o Estado teria de multiplicar o número de hospitais, lares, médicos, enfermeiros, demais pessoal operacional, ambulâncias, os montantes da despesa dos tratamentos ETC., aliás é a inoperância de um Estado que nunca se cansa de afirmar a solidariedade social, o princípio da igualdade, o direito a um serviço nacional de saúde gratuito e universal ( e infinito, calculo), paradoxalmente, leva os pacientes não terem outro remédio senão privilegiar os cuidadores informais que igualmente suportam parte substancial das despesas de saúde.

    É o mesmo Estado que, com o beneplácito duma interminável impressora de Euros situada algures em Frankfurt chefiado por alguém a quem chamam de “senhor do helicóptero “ por estar continuamente a despejar milhares de milhões de €uros sobre as crateras causadas pelas grandes escroquerias bancárias proporcionadas pela irresponsabilidade inimputável de alguns políticos, reguladores e banqueiros, quantias que o contribuinte ( incluindo os doentes pensionistas e os seu cuidadores ) vão ter que pagar a quem se nega a despejar um cêntimo para ajudar tais cuidadores nem que seja a título de gratidão, porque, ao que parece, não parece ser essa a prioridade.
    Em boa verdade, os afectos e as “selfies” dos decisores são muito mais destinadas a quem deles menos precisa.

    Com efeito, o Estado e as sua leis premeiam os devedores dos grandes montantes incobráveis com uma aparente inimputabilidade, o estatuto de insolvência e o sigilo. O “favor debitoris” tornou-se um desporto nacional que ameaça a popularidade do futebol. É de facto impressionante o número de multimilionários que declararam insolvência depois dos bancos terem passado de entidades depositárias a depositantes desses agora convenientemente coitadinhos insolventes ( e frequentadores formais de algumas ilhas exóticas mais conhecidas por paraísos fiscais ).

    Ao invés, não há nenhum “senhor do helicóptero” para os carenciados e cuidadores informais, para esses apenas existe um “SARCO” como o da foto . Mas não o vão utilizar a não ser para nele depositar parte da hipocrisia e da reserva mental ( não cabe toda ) de quem “ad nauseam” promete tanta solidariedade social numa inenarrável tragicomédia que nem Moliére alguma vez julgara possível de dramaturgia.

    Não obstante toda a adversidade, os pacientes vão continuar a viver, os cuidadores a cuidar e beneficiar o Estado, pois esperar por um mínimo de gratidão do Estado é esperar por Godot, já que as energias do Estado estão por demais ocupadas no saque aos mais pobres e desvalidos dos contribuintes para tapar os buracos deixados pelos coitados dos meteóricos multimilionários insolventes, ou em função de um sistema de Darwinismo social no qual, tem mais mais benesses em progressão geométrica quem dispões de maior poder poder reivindicativo e paralisante de actividade produtiva
    Ou seja,infelizmente, tudo aponta para que se pretenda
    SARCO para os desvalidos e doentes
    e
    SACRO para as garantias com que são premiados e beneficiados os escroques e os mais fortes segundo tal Darwinismo social.

    PS: Este comentário não tem por alvo nenhum Governo em especial, dirige-se ao Estado de coisas a que isto chegou e que, até à data e até prova em contrário, persiste em continuar. Como nos filmes, “qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”.

  12. CMatomic says:

    É um direito , mas melhor seria se houvesse mais equidade para evitar o suicídio .

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