Autoridades de segurança norte-americana afirmam que a Rússia está a desenvolver uma arma nuclear espacial, visando destruir praticamente todos os satélites em órbita baixa da Terra de uma só vez. Para os Estados Unidos da América (EUA), um evento desta magnitude “seria o fim da era espacial”.
As autoridades norte-americanas divulgaram informações sobre uma potencial arma nuclear espacial, após o deputado Mike Turner ter emitido um alerta público sobre a tecnologia.
Conforme avançado pela Forbes, o republicano por Ohio pressionou o Departamento de Defesa a fornecer um briefing confidencial aos legisladores sobre a arma.
Caso seja implementada, a arma violará um tratado internacional que proíbe armas de destruição em massa no espaço, e poderá tornar a órbita baixa da Terra inutilizável para satélites durante até um ano.
Além do impacto nos EUA e nos seus aliados, tornando-os vulneráveis a perturbações económicas e frágeis a um ataque nuclear, tal arma impactaria a própria Rússia, bem como a China, apesar de se acreditar que ambas as potências sejam menos dependentes dos satélites.
Comparando a arma nuclear, que ainda não estará pronta para ser utilizada, ao Sputnik, o satélite russo que deu início à era espacial em 1957, Mike Turner foi claro: “Se esta arma nuclear antissatélite fosse colocada no espaço, seria o fim da era espacial”.
Nunca deveria ser permitido que ela fosse para o espaço exterior. Esta é a Crise dos Mísseis de Cuba no espaço.
Entretanto, as nações apressam-se para criar os seus próprios programas espaciais e de foguetes, com o objetivo de explorar as perspetivas comerciais e garantir que não dependem de satélites estrangeiros.
A vulnerabilidade dos satélites
Desativar um satélite pode causar um impacto devastador sem disparar um único tiro. Para isso, basta atacar o software do próprio dispositivo, ou interromper a sua capacidade de enviar ou receber sinais da Terra.
Segundo Tom Pace, diretor-executivo da NetRise, uma empresa de cibersegurança focada na proteção de cadeias de fornecimento, “se puder interferir com a capacidade de comunicação de um satélite, poderá causar uma interrupção significativa”.
Pense no GPS: imagine se uma população o perdesse… a confusão que isso causaria.
Mais de 12.000 satélites operacionais orbitam atualmente o planeta, desempenhando um papel fundamental não só nas comunicações de radiodifusão, mas em operações militares, sistemas de navegação como o GPS e recolha de informações.
Além disso, são dispositivos fundamentais para os esforços de deteção precoce de lançamentos, que podem alertar para a aproximação de mísseis.
Pela sua relevância, os satélites representam uma vulnerabilidade significativa para a segurança nacional dos países e um alvo para quem procura minar a economia ou a resposta militar de um adversário, ou causar um impacto psicológico.
Exemplo desta última finalidade é um ataque protagonizado pela Rússia, este ano. Enquanto o país realizava o seu desfile do Dia da Vitória, hackers russos “desviaram” um satélite em órbita que fornece serviço de televisão à Ucrânia.
Em vez da programação normal, os telespectadores ucranianos terão visto imagens do desfile transmitidas a partir de Moscovo, onde se viam tanques, soldados e armamento.
Segundo contado pela Forbes, a mensagem procurou intimidar os ucranianos e mostrar que, hoje em dia, a guerra não se limita à terra, mar e ar, mas envolve, também, o espaço e o ciberespaço.
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