Especialista alerta que o mundo está a ignorar a gripe das aves
A gripe das aves ainda representa uma ameaça de baixa probabilidade de transmissão entre humanos. Contudo, uma especialista alerta, agora, que isso não torna o vírus inofensivo.
Num artigo publicado no The Conversation, Nikki Ikani, professora assistente de Inteligência, Segurança e de Assuntos Internacionais, na Universidade de Leiden, nos Países Baixos, explorou o silêncio em torno de um não tão inofensivo vírus.
Os H5 são brutalmente letais para as aves: 9 milhões morreram instantaneamente e centenas de milhões foram abatidas para conter a propagação.
Segundo ela, "é alarmante o alcance crescente do vírus em mamíferos". Até agora, pelo menos 74 espécies de mamíferos, desde elefantes marinhos a ursos polares, sofreram mortandade.
Propagação pelo leite é preocupante
Os casos individuais estão inseridos numa mudança mais ampla. As explorações aviárias densas criam oportunidades para o vírus saltar de espécie.
Aliás, mais de mil rebanhos leiteiros dos Estados Unidos tiveram resultados positivos nos últimos dois anos, e fragmentos virais foram mesmo detetados no leite, uma via preocupante de propagação.
Na Europa, desde o início de setembro até meados de novembro de 2025, foram encontradas 1444 aves selvagens infetadas em 26 países: uma quadruplicação em comparação com o ano anterior, conforme citado pela professora assistente.
Gripe das aves em humanos é rara, mas está a aumentar
Os casos em humanos, no entanto, continuam a ser raros: apenas 992 infeções por H5N1 confirmadas em todo o mundo desde 2003, embora com uma taxa de mortalidade de quase 50%.
Com 75 casos nas Américas, desde 2022, e com a primeira morte por H5N5 num paciente com problemas de saúde pré-existentes, nos Estados Unidos, nenhum caso humano foi, para já, relatado na Europa.
Contudo, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças alerta que a ampla circulação entre animais aumenta o risco de contágio.
Especialista alerta para a inércia em relação à gripe das aves
A minha investigação concentra-se em como os alertas fracassam antes da catástrofe, desde choques geopolíticos até falhas de inteligência e acidentes industriais.
O padrão é frequentemente o mesmo. Os observadores da linha da frente detetam algo precocemente, mas o sinal desvanece-se à medida que sobe, diluído pela burocracia, interpretações concorrentes ou esquecimento institucional.
Disse Ikani, recordando o recente incêndio, em Hong Kong: "os residentes do Wang Fuk Court tinham dado vários alertas sobre as placas de esferovite que se incendiavam com um isqueiro, as redes não certificadas e o padrão de avisos de segurança ignorados muito antes do incêndio, mas essas preocupações nunca ganharam força".
Na perspetiva de Ikani, "quando se vê o alerta como uma corrente que vai da deteção à decisão, o colapso é muitas vezes parcial; alguns elos resistem; outros bloqueiam no momento em que são mais necessários".
A gripe das aves encontra-se, agora, dentro desse tipo de corrente. A capacidade técnica para detetar mudanças existe: veterinários, virologistas e sistemas de vigilância estão a captar sinais, a sequenciar vírus e a registar surtos.
Contudo, a infraestrutura destinada a detetar o vírus nas suas fases iniciais "está a desmoronar-se". Na sua opinião, "as agências que outrora mapeavam o terreno das ameaças pandémicas emergentes foram esvaziadas - os orçamentos foram reduzidos, o pessoal evaporou-se".
Aprendizagens da COVID-19
Conforme citado pela professora assistente, um estudo de 31 nações europeias alertou que a COVID-19 expôs uma "lacuna crítica na preparação" e instou à adoção de indicadores padronizados e dados abertos como base para qualquer resposta futura.
O plano pré-pandémico recém-lançado pela União Europeia "é um bom passo". No entanto, "não pode mascarar as lacunas na monitorização e na resposta diárias que ainda deixam os países expostos".
Nos Estados Unidos, por sua vez, os cortes deixaram os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças do país em apuros.
Aliás, os cientistas americanos alertam que os relatórios federais ficaram mais lentos: o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, por exemplo, partilhou poucos dados genéticos sobre o surto em bovinos e outros animais afetados, divulgou-os tardiamente e em formatos que os investigadores não podiam usar.
Isso impediu os cientistas de acompanhar a evolução ou a propagação do vírus entre os rebanhos.
No Reino Unido, segundo Ikani, a capacidade de vigilância interna enfrentou igualmente dificuldades, com o acesso reduzido à informação europeia sobre doenças e a escassez crónica de veterinários a enfraquecer a deteção precoce.
Quando o sinal enfraquece nas instituições, enfraquece também para o público. E um aviso fraco raramente chega longe.
Alertou Ikani, citando uma invetigação recente, cuja conclusão mostra que a maioria dos americanos "nem sequer considera a gripe aviária uma ameaça credível".
Segundo ela, "o que não ajuda é que os sintomas em humanos podem ser tão leves que passam despercebidos".
Não é caso para alarmismos, mas deveria ser para precaução
As autoridades de saúde ainda afirmam que a probabilidade de um surto eficiente entre humanos é baixa, uma vez que "esses vírus raramente dão esse salto". E, segundo a professora, não estamos indefesos.
Estamos mais bem preparados do que antes da COVID: temos vacinas candidatas, protocolos mais claros e agências que aprenderam lições dolorosas.
Ainda assim, "mais baixo não significa nenhum" e, se isso ocorrer, "as consequências podem ser catastróficas".
A maioria das pessoas tem alguma imunidade às estirpes da gripe sazonal. Contudo, provavelmente, não temos nenhuma imunidade ao H5, segundo Ikani.
Além disso, "a gripe não se restringe aos frágeis, como a COVID frequentemente fazia": epidemias de gripe anteriores mataram adultos saudáveis em grande número.
Ainda que não seja caso para alarme, Nikki Ikani alerta que "se desviarmos os olhos da ameaça da gripe das aves porque os nossos sistemas se tornaram desatentos, subfinanciados e despreparados, corremos o risco de repetir o mesmo padrão".
Na sua perspetiva, "o próximo alarme chegará tarde demais para que alguém possa alegar que não o viu chegar".
Fonte: Science Alert
Neste artigo: gripe das aves

























Dão umas vacinas cheias de veneno que vai logo tudo a correr injectar-se, e vai ficar tudo bem……
Pois, vocês querem acabar é com o frango assado
É o plano do mundo para lixar o tuga pobre.. primeiro é o frango e depois a mine
A natureza sem o seu timing e maneira natural de crescer saudável, atentar contra isso é brincar com o fogo, agora sofram as consequências.
A natureza *tem
A mistura de grilos com barata moída para fazer hamburgers está mais próximo. Que delícia!
Não é à toa que há por aí alguns milionários “filantropos” que nos últimos anos investiram imenso dinheiro em alimentação à base de insectos. Alguém tem que pagar esse investimento.