Anthropic liberta o Claude Mythos após descobrir mais de 129 mil falhas em software
A segurança informática acaba de receber um choque duro. A Anthropic revelou os primeiros dados públicos sobre a utilização do Claude Mythos, o modelo desenhado para analisar código e encontrar falhas de segurança. Em alguns meses, o sistema achou mais de 129 mil vulnerabilidades, um registo que surpreendeu e que obrigou a alargar o acesso.

Esta IA acha 129 mil falhas que ninguém viu
Os dados resultam do Project Glasswing, uma iniciativa fechada que decorreu entre abril e julho com um grupo restrito de parceiros de segurança. A juntar a esse volume, as análises diretas a software de código aberto acrescentaram outras 5.500 falhas até ao início deste outono. Mais de 33 mil desses problemas foram catalogados logo como graves ou de risco crítico, com a tecnologia a conseguir desencantar inclusivamente vulnerabilidades esquecidas em código legado com quase três décadas de vida.
Impacto do Claude Mythos na caça aos bugs
Este número impressiona à primeira vista, mas peca muito por defeito. A própria criadora do modelo admite que a contagem reflete apenas uma fração dos parceiros inquiridos e calcula que o total real de falhas detetadas seja pelo menos cinco vezes maior. Na prática das equipas técnicas, a ferramenta não se limitou a cuspir avisos genéricos: validou a viabilidade das falhas e encurtou auditorias manuais em meses ou anos de esforço inglório.

Para responder à procura de quem gere infraestruturas críticas, o Cyber Verification Program foi reformulado e passa a integrar três escalões distintos. Todos os patamares garantem acesso ao Claude Mythos 5.1, bem como às variantes Opus 5.5 e Sonnet 5.5. A ideia passa por dar ferramentas de análise a quem está na linha da frente sem escancarar a porta a utilizações menos recomendáveis.
Quem terá acesso à ferramenta de da Anthropic
O patamar de Defesa serve para validar falhas, analisar amostras de malware e acelerar a resposta a incidentes. Fica logo disponível para equipas de suporte, hospitais, serviços municipais e gestores de projetos open source que precisam de fechar portas sem inventar. Já o patamar intermédio foca-se em ações de red teaming e testes de intrusão autorizados, permitindo às empresas simular ataques nos seus próprios servidores para ver onde a casa cede.
We’re expanding our Cyber Verification Program to give security professionals broader access to our most capable models. Through this program, verified security professionals can access Claude Mythos 5.1, Opus 5.5, and Sonnet 5.5 with safeguards designed for defensive work. We’re also opening up new tiers to allow for authorized offensive work, like penetration testing and red-teaming. https://t.co/blaJtvxhJh
— Anthropic (@AnthropicAI) October 6, 2026
No topo da pirâmide surge um escalão especializado com regras muito mais flexíveis, mas sujeito ao escrutínio prévio do governo norte-americano. Este nível fica limitado a organizações que gerem redes elétricas, sistemas de controlo aéreo, telecomunicações centrais ou plataformas de pagamentos interbancários, onde um teste mal calibrado pode deitar serviços essenciais abaixo num instante.
Toda a operação continua debaixo de olho cerrado porque as mesmas instruções que detetam um bug crítico servem para construir um exploit funcional. A empresa mantém os registos das pesquisas nos seus servidores para travar abusos, prometendo para breve uma solução corporativa que permite às empresas guardar os relatórios na sua própria infraestrutura sem expor dados confidenciais a terceiros.

















