Não está fácil! Apple e UE já se reuniram 250 vezes para chegar a um acordo sobre a Siri AI
A relação entre a Apple e Bruxelas continua marcada por divergências sobre o futuro do iPhone. Entre mudanças na App Store e o atraso da nova Siri na União Europeia, o desafio passa por conciliar concorrência, privacidade e acesso às novidades.

Nova Siri: a Apple aponta à regulação europeia
A nova Siri promete uma interação mais natural e uma integração mais profunda com as aplicações. Contudo, a Apple anunciou que a Siri AI não ficaria disponível para os utilizadores de iPhone e iPad na União Europeia no lançamento do iOS 27 e do iPadOS 27.
Segundo a empresa, o problema está na interpretação do Regulamento dos Mercados Digitais, conhecido como DMA. A Apple considera que as exigências de acesso para assistentes concorrentes levantam dificuldades na proteção dos dados pessoais e no controlo das ações realizadas nas aplicações. A tecnológica afirma estar a procurar uma solução que preserve a privacidade e a segurança.

Bruxelas rejeita a responsabilidade pelo atraso
A Comissão Europeia apresenta uma leitura diferente. Na sua posição oficial, esclarece que o DMA não impede a introdução de novos produtos e serviços na União Europeia, atribuindo à Apple a decisão de não disponibilizar a Siri AI.
Para Bruxelas, a questão central é garantir que outros fornecedores conseguem competir com os serviços da própria Apple. Isso implica permitir o acesso às funcionalidades relevantes do sistema operativo, cumprindo as obrigações de interoperabilidade.
A Comissão diz continuar a discutir com a empresa uma solução segura e compatível com as regras europeias. O impasse mantém, assim, duas prioridades no centro do debate: a proteção dos utilizadores e a abertura do mercado a alternativas.

App Store já mudou, mas a adaptação continua
Na distribuição de aplicações, os efeitos da legislação são mais visíveis. A Apple passou a permitir, na União Europeia, lojas alternativas, distribuição através de websites e outras opções de pagamento para conteúdos e serviços digitais.
A empresa também atualizou as condições comerciais aplicáveis aos programadores. As alterações com efeitos a partir de 1 de outubro de 2026 incluem a substituição da taxa por instalação, a Core Technology Fee, por uma comissão de 5% sobre transações digitais em aplicações distribuídas fora da App Store.
Estas mudanças mostram que a adaptação do ecossistema da Apple ao DMA continua a avançar. No entanto, abrir novos canais de distribuição não resolve automaticamente as divergências em torno da inteligência artificial.
Os utilizadores querem resultados
Para quem utiliza um iPhone em Portugal, o debate tem uma consequência prática: a disponibilidade de determinadas novidades depende da região.
A abertura a serviços concorrentes pode trazer mais escolha. A proteção dos dados também é uma exigência essencial. O desafio para a Apple e para a Comissão Europeia é transformar essas prioridades numa solução que funcione no dia a dia.
Enquanto o entendimento não chega, os utilizadores continuam à espera de saber quando poderão aceder à nova Siri e em que condições.

















