Outubro é considerado o mês da cibersegurança, com a realização do European Cybersecurity Month (ECSM), uma iniciativa anual da União Europeia dedicada à sensibilização de cidadãos e organizações para os riscos do mundo digital.

Promovida pelos Estados-Membros, com o apoio da ENISA e da Comissão Europeia, a campanha procura transformar a cibersegurança numa preocupação cada vez mais presente no dia a dia.
Cibersegurança não é apenas uma questão tecnológica
Durante muito tempo, falar de cibersegurança significava sobretudo falar de firewalls, antivírus, servidores ou redes. Hoje, a realidade é bastante diferente.
Uma organização pode ter excelentes tecnologias de segurança e continuar vulnerável devido a uma pessoa, a uma configuração incorreta ou a uma palavra-passe comprometida.
Os ataques de phishing, engenharia social, ransomware, roubo de credenciais e exploração de vulnerabilidades continuam a colocar empresas e cidadãos perante riscos significativos.
A própria ENISA tem destacado a importância do fator humano e da criação de uma verdadeira cultura de cibersegurança.
O trabalho remoto e a transformação digital aumentaram a superfície de ataque
A digitalização trouxe enormes benefícios, mas também criou mais pontos que podem ser explorados por atacantes.
Computadores, smartphones, aplicações cloud, sistemas empresariais, dispositivos IoT e até ferramentas de Inteligência Artificial fazem hoje parte do ecossistema digital de uma organização.
Quanto maior for esse ecossistema, maior é também a necessidade de identificar, proteger, detetar, responder e recuperar perante incidentes de segurança.
O panorama de ameaças da ENISA relativo a milhares de eventos mostra, aliás, que as organizações essenciais e importantes continuam a ser um alvo relevante dos ciberataques.

Phishing continua a ser uma das principais portas de entrada
Um dos exemplos mais simples é também um dos mais eficazes: o phishing.
Um email aparentemente legítimo pode levar o utilizador para uma página falsa, permitir o roubo de credenciais ou iniciar uma cadeia de acontecimentos que termina num incidente de segurança.
E o problema está a tornar-se mais complexo com a utilização de Inteligência Artificial pelos atacantes, que permite criar mensagens mais convincentes e campanhas de engenharia social mais sofisticadas.
A campanha europeia de 2025 colocou precisamente o phishing no centro das atenções, incluindo variantes como smishing, vishing, quishing, spearphishing e Business Email Compromise (BEC).

O que pode cada utilizador fazer?
O Mês Europeu da Cibersegurança é também uma oportunidade para rever alguns hábitos.
Entre as medidas mais importantes estão:
- Ativar a autenticação multifator (MFA);
- Utilizar palavras-passe fortes e únicas;
- Manter sistemas, aplicações e dispositivos atualizados;
- Desconfiar de links e anexos inesperados;
- Confirmar pedidos urgentes de pagamentos ou transferência de informação;
- Evitar reutilizar credenciais;
- Efetuar cópias de segurança dos dados importantes;
- Ter especial atenção a mensagens recebidas por email, SMS, redes sociais e aplicações de mensagens;
- Saber como comunicar um incidente de segurança.
Mais do que instalar uma ferramenta, é necessário criar hábitos de segurança.
Empresas também precisam de uma estratégia
Nas organizações, a abordagem deve ser naturalmente mais abrangente.
Não basta comprar tecnologia. É necessário conhecer os ativos existentes, avaliar riscos, definir políticas, formar colaboradores, monitorizar sistemas e preparar procedimentos para responder a incidentes.
É aqui que conceitos como SOC (Security Operations Center), MDR (Managed Detection and Response), EDR, SIEM, Threat Intelligence, gestão de vulnerabilidades e resposta a incidentes assumem cada vez maior importância.
A segurança deve ainda ser pensada desde o início dos projetos, seguindo princípios como Security by Design e Security by Default.
Cibersegurança é responsabilidade de todos
O European Cybersecurity Month nasceu em 2012 e continua atualmente como uma campanha europeia de sensibilização para cidadãos e organizações. A iniciativa procura também contribuir para o desenvolvimento de competências e para a formação de profissionais de cibersegurança.
A mensagem é simples: não existe segurança digital absoluta, mas é possível reduzir significativamente o risco.
E outubro pode ser um bom momento para começar.
Atualizar equipamentos, ativar MFA, rever palavras-passe, formar colaboradores, testar backups ou simplesmente aprender a reconhecer um email de phishing são pequenas ações que podem evitar grandes problemas.
Porque, num mundo cada vez mais digital, a cibersegurança deixou de ser apenas responsabilidade do departamento de IT. É uma responsabilidade de todos.

















