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Elétricos a contribuir para as estradas e pesados a pagar por km: o novo plano da AMT

73 Comentários

Um estudo da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) defende que o modelo que serviu para desenvolver a rede rodoviária já não é suficiente para assegurar a sua conservação e gestão no futuro, apontando para a diversificação das fontes de receita, a taxação por quilómetro dos veículos pesados e comerciais, e uma contribuição dos veículos elétricos para o financiamento da infraestrutura.

Carros

A AMT apresentou esta terça-feira, numa conferência, em Oeiras, o estudo “Financiamento da Rede Rodoviária”, no qual conclui que o atual modelo, adequado a uma fase de desenvolvimento da rede, deixou de oferecer uma resposta suficiente às exigências presentes e futuras do setor.

A principal fragilidade apontada é a dependência de duas fontes principais de receita, a Consignação de Serviço Rodoviário (CSR) e as portagens, numa altura em que as necessidades de investimento se mantêm e em que o adiamento da manutenção preventiva está a agravar aquilo a que o estudo chama “dívida cinzenta”, um problema acumulado de preservação do património rodoviário.

Os elétricos e a CSR

A CSR, uma parcela do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), gerou 691 milhões de euros em 2025, segundo os dados apresentados no estudo da AMT e citados pela imprensa. Como esta receita está associada ao consumo de combustíveis, a descarbonização e a eletrificação do parque automóvel tornam esta fonte de financiamento progressivamente mais vulnerável.

Segundo estimativas da Infraestruturas de Portugal citadas no estudo, uma quota de mobilidade elétrica entre 20% e 30% em 2030 poderá traduzir-se numa redução anual de receitas entre 140 e 200 milhões de euros.

Perante este risco, a AMT propõe reavaliar a fórmula de cálculo e o mecanismo de consignação, de modo a preservar a capacidade de financiamento e a assegurar maior neutralidade tecnológica, fazendo com que todos os utilizadores das estradas, incluindo os condutores de veículos elétricos, contribuam para o financiamento da infraestrutura.

Utilizador-pagador, road pricing e congestionamento

O estudo defende um modelo híbrido, mais diversificado e previsível, que combine receitas ligadas à utilização da infraestrutura, instrumentos fiscais e ambientais e financiamento público, reservando este último para objetivos que os utilizadores não possam suportar integralmente, como a coesão territorial, a acessibilidade universal ou a segurança rodoviária.

Nesse quadro, o princípio do utilizador-pagador deverá ter um papel central. Ou seja, a AMT recomenda a criação de mecanismos de road pricing, com especial incidência nos veículos pesados e comerciais, através de uma cobrança associada aos quilómetros percorridos. O modelo apontado tem como referência sistemas existentes noutros países europeus, incluindo a Alemanha, onde a cobrança varia em função de características como a distância percorrida, a categoria ambiental do veículo e o número de eixos.

O estudo admite ainda uma taxação dinâmica, com preços que variem consoante a hora, o tráfego ou a ocupação do veículo, bem como a diferenciação por emissões e a aplicação de taxas de congestionamento em zonas ou troços de procura muito elevada. Para este caso, Londres, Estocolmo e Oslo são apontados como exemplos de cidades que utilizam mecanismos deste tipo.

Esta última possibilidade já tem enquadramento legal em Portugal. O Decreto-Lei n.º 38/2025 permite a introdução de uma taxa de congestionamento em troços frequentemente congestionados, apenas durante os períodos em que o congestionamento se verifique e de acordo com critérios objetivos. A AMT ressalva que a aplicação destes mecanismos deve atender às especificidades territoriais e à diferente dependência do transporte rodoviário entre regiões, utilizadores e atividades económicas.

Concessões que terminam e um novo papel para o Estado

Para a AMT, o termo dos atuais contratos de concessão e subconcessão constitui uma oportunidade para redefinir o modelo contratual de gestão da rede. A primeira concessão a terminar será a do Oeste, em 2028, seguindo-se a Norte, em 2029, e, em 2030, as do Algarve, da Costa de Prata, do Interior Norte e das Travessias do Tejo em Lisboa.

Como os procedimentos concursais podem demorar entre dois e quatro anos até à celebração do contrato, o regulador defende um planeamento atempado e uma preparação antecipada dos novos modelos de gestão.

A AMT não aponta para o abandono das parcerias público-privadas. Por sua vez, sugere uma nova geração de parcerias, mais flexíveis, de menor duração e centradas especialmente na operação, manutenção, conservação e reabilitação.

Ao mesmo tempo, o estudo admite a coexistência entre gestão direta pela Infraestruturas de Portugal e gestão através de parceiros privados, consoante as características dos diferentes segmentos da rede.

A AMT sugere ainda que seja avaliada uma “remuneração base” da infraestrutura, através de contratos de serviço público ou de transferências estáveis do Orçamento do Estado. O modelo permitiria ao Estado deixar de assumir apenas uma função de financiador residual e passar também a posicionar-se como “cliente” do sistema rodoviário.

Comentários

73
  1. BV
    B@rão Vermelho

    Portugal sempre a ir buscar exemplos para nos ir aos bolsos, agora exemplos para colocar €€ na carteira, nem velos.

    E que tal o dinheiro das portagens reverter para a Segurança Social, pelo menos pagamos e mais tarde vamos ter algum beneficio com isso.

    1. MY
      Mr. Y

      O artigo é mesmo sobre isso. As portagens e impostos associados à utilização das rodovias não são suficientes para as conservar.

      Como já falamos várias vezes por aqui, a queda na receita nos combustiveis fará com que se vá buscar a outro lado como, por exemplo, aos VEs. Acho que faz sentido e é justo porque segue a regra do utilizador-pagador.

      1. MA
        Mario

        Não são? Então teoricamente a brisa não devia ter lucros mas prejuízos históricos. Dá dinheiro e muito.

      2. TA
        Toni da Adega

        Acho muito bem em portugal paga-se muito pouco. É preciso pelo menos duplicar o valor de Portagem

      3. RE
        Realista

        Concordo que seja justo a questão do utilizador-pagador, no entanto existem alguns problemas relacionados com o interior e o litoral, em que as portagens são uma alavanca para as assimetrias regionais. Também existem outros problemas por exemplo dentro das cidades onde a AE é serve como escoamento de transito urbano de curta distância e não como via de deslocação para distâncias maiores, pelo que não faz sentido pagar.

    2. RP
      Ricardo Patinho

      EU VOLTO A DIZER QUE NAS CIDADES SO ENTRAM ELETRICOS! A malta que nao tem eletrico usa transporte publico ou RUA! Já chega de pivete a gasolina na cidade e barulhos de escapes a romper, basofias a acelerar….essa gente tem de entender que o transporte publico serve para a classe baixa.

      1. MO
        Morty

        Ai o menino não gosta? Vai viver para aldeia isolada que já tens muito ar puro. Ninguém te obriga a viver na cidade poluente (e imagina não e só os carros…)

        1. GO
          Gonçalo

          É claro que o comentário do Ricardo é deprimento mas no outro dia fui a madrid que no centro da cidade só entram eletricos epa e realmente parece outro mundo o silencio é de outro nivel

          1. RP
            Ricardo Patinho

            Ora ai está! Eletricos nos centros das cidades, mais nada! O barulho, o cheiro, é tudo diferente. Os portugueses sao uns javardolas sem respeito por nada, nem sei como ainda os querem na UE.

          2. PT
            PTO

            Queres mesmo comparar o rendimento de um cidadão espanhol, residente à volta de Madrid, com o de um tuga?

            E já agora, compara também o valor absoluto dos apoios financeiros diretos e fiscais à compra de um EV em Espanha.

            Isto para nem falar nas diferenças de preço dos próprios carros, que em Espanha são mais baratos.

      2. SA
        Sail

        Pagas os VE a todos os portugueses?

  2. MA
    Mario

    Lá vai o ti JL ralhar com o Montenegro. Os carros elétricos são ISENTOS DE TUDO!

    1. JL
      JL

      Se fossem isentos de tudo, você não precisava de inventar e mentir sobre mais uma.

      1. FI
        Filipe
        https://pplware.sapo.pt/motores/100-km-a-gasolina-ou-gasoleo-pode-custar-mais-do-triplo-do-que-num-carro-eletrico/
        

        Só para te lembrar, tens muito que aprender.

        1. RE
          Realista

          Estou a pagar ISP e IVA… onde posso pedir dedução?

        2. JL
          JL

          Lembrar de ?

      2. MA
        Mario

        Mas você é que diz.. ah e tal não pagam impostos porque não têm emissões.

        Só uma Europa sedenta de dinheiro é que faz isto.

        1. JL
          JL

          Não pagam os impostos relativos à poluição, não é isso que se confirma ?

  3. CI
    CIéqueébom1

    Os elétricos são muito pesados e têm de pagar ao governo pois estão a destruir as estradas, a espalhar radiação na via pública e em caso de incêndio estão a por em perigo o cidadão! As baterias ardem durante vários dias.

    1. FI
      Filipa

      Tira o chapeu de alumínio que isso está te a fazer mal homem…

    2. JL
      JL

      Lá vem o secalharya inventar, mas sobre a radiação aqui fica, afinal são os a combustão que emitem mais:

      https ://www.standvirtual.com/diarioautomovel/carros-eletricos-emitem-radiacao-um-estudo-da-adac-mostra-que-sao-seguros-e-nao-representam-risco-para-condutores-nem-passageiros

      1. FI
        Filipe

        No post anterior falaste que era tudo mentira e invenção minha, inventar taxas. Disse-te para ires ao site do parlamento, não soubeste ir. Agora aqui está a confirmar o que disse e a confirmar que não sabes o que dizes. Mais uma vez, passas vergonha.

        1. JL
          JL

          Sim, inventou taxas que não existem, um site que não tinha nada, e algo que ainda está por decidir, então agora é o Marcus ?

          1. FI
            Filipe

            Sou o Marcos Filipe, a mesma pessoa que sabe pesquisar informações nos site, que não inventa taxas e que sabe o que diz, ao contrário de outros, ainda por cima uns dias depois o que disse se confirma com o decreto lei. Estranho é ainda dizer que inventei taxas, mas seria bom era dizer qual a taxa que inventei, falar sem fundamentar é fácil.

          2. JL
            JL

            Ah usa 2 Nicks, muito bem.

            Tanto pesquisei que não encontrei aquilo que falava, e este artigo vem confirmar isso mesmo, espero que o tenha lido.

            O decreto lei não contém esta informação relativamente a eléctricos, mas sim em relação aos pesados..

            Sim, inventou porque elas não existe, isto é uma proposta da AMT, e não do parlamento, isto é apenas um estudo, não era melhor ler ?

            Sim, falar sem fundamentar é fácil, e no seu caso está aqui a prova.

    3. FF
      Fernando F

      Tanta desinformação!

      Tantas falsidades…

      Yamahia, és tu?

    4. JB
      João bitola

      Não sabes o que dizes. Como é lógico os evs mais tarde ou mais cedo iam pagar.

      Agora alguém que me explique como faço 1000km em AE em Espanha e pago 25€ de portagens, e cá ando 100km e são logo 7€. E as estradas estão miseráveis

      1. ZA
        Zé Fonseca A.

        Miseráveis estão as espanholas, deves andar pouco em Espanha, eu vou muito a Espanha e quem me dera pagar portagens e ter estradas melhores lá.. mas se gostas tanto de passear vai até França e diz quanto pagas de portagens e o estado das estradas, Portugal é dos países do mundo com melhor qualidade de estradas, quem não sabe isso não saiu da aldeia

        1. BV
          B@rão Vermelho

          Antes de mais nada, bem vindo de volta, estava a ficar preocupado com a tua ausência. 🙂

          Ainda ontem um primo da minha esposa voltou para o Canada à mais de 42 anos que não vinha a Portugal, já os irmão tinham dito o mesmo, em Portugal a estradas são alcatifadas em comparação com as estradas do Canada, conheço muitos países e poucos são os que têm estradas melhores que as nossas, não quer dizer que há estradas más, mas são a exceção e não a regra.

      2. MP
        Marco paulo

        Vais de Coimbra a lisboa ja foram os 25€

        1. JL
          JL

          Por acaso são 14.45 euros, ainda hoje paguei uma.

    5. NU
      Nuno

      Então um camião pelo peso paga 300 vezes mais. E os carros a combustão ardem muito mais que os eletricos alias se eu quiser incendiar uma casa meto gasolina nao meto uma bateria

      1. MA
        Mario

        PAga? de certeza? Olhe que não. Um autocarro tendo em conta o nº de pessoas paga muitissimo menos.

  4. FI
    Filipa

    E que tal em vez de taxar os mesmos de sempre começar por cortar nas gorduras do sistema e gerir melhor o mesmo… mesmo com o sistema actual quando só havia carros a combustão as estradas estavam uma merda por isso a teoria da falta de dinheiro é conversa de socialista a querer lixar o povo mais uma vez

  5. MA
    Max

    Desde março que os impostos sobre os combustíveis (ISP incluindo a taxa de carbono + IVA ) se mantém em torno igual de 0,975 €/L na gasolina e de 0,84 €/L, no gasóleo.

    Do ISP faz parte a Consignação do Serviço Rodoviário, destinada à Infra-estruturas de Portugal para a conservação e manutenção de estradas – 0,087 €/L na gasolina e 0,111 €/L no gasóleo.

    Num imposto de circulação sobre os elétricos pelo menos um valor para conservação e manutenção de estradas tem que estar previsto. Em dois países os valores são:

    • Áustria – 450 €/ano, para um elétrico médio, até 3.500 kg.
    • Islândia – cerca de 0,05 €/km, para veículos até 3.500 kg, seja elétrico, seja com motor de combustão (que têm uma redução nos impostos sobre os combustíveis, o que não significa uma redução no custo de utilização somando o imposto sobre o combustível com o imposto por km) e outras motorizações.

    Parece-me o processo da Áustria mais expedito. Na Islândia, o imposto com base nos kms assenta nos valores autodeclarados, sujeitos a confirmação nas inspeções dos veículos (e a pesadas multas em caso de manipulação dos kms).

    1. GO
      Gonçalo

      Espero que seja por km vai ser lindo as manipulações dos km voltarem em força

      1. BV
        B@rão Vermelho

        @Gonçalo, se for por Km como é que diferenciamos os Km feitos por um pesado de mercadorias que faça transportes internacionais, dos Km feitos em Portugal?

        E se uma pessoa morar perto da fronteira do lado Português e trabalhar na Espanha, como se contabiliza isso, ou será indiferente do sitio onde anda?

        PS, Espero que compreendas que estamos apenas a conversar a pergunta nada tem de provocatória é apenas um exercício de raciocínio.

        O que podiam fazer era taxar os VE com base no segmento que se inserem, talvez com algum tipo de desconto pelo facto de não sair fumo do carro.

    2. MA
      Max

      Neste. comentário expliquei detalhadamente o imposto sobre os elétricos na Áustria. Não se meteram na trapalhada dos kms.

      https://pplware.sapo.pt/motores/neste-pais-os-carros-eletricos-pode-andar-mais-depressa-descubra-onde/comment-page-1/#comment-4021258

      1. GO
        Gonçalo

        Não se meteram? Sabes lá tu se não se meteram isso só se nota passado anos. E não tenho duvidas que cá vai acontecer é só uma u duas oficinas começarem a fazer isso tuga que é tuga foge em tudo e se metade do pais vê a sportv por iptv achas mesmo que ninguem vai alterar os km ahaha é só começar a ser uma coisa acessivel e se há procura há negocio

        1. MA
          Max

          Não se meteram na cobrança dos impostos por km. Porque está bem de ver que isso afeta também os carros com motor de combustão como na Islândia – baixam os impostos sobre os combustíveis mas soma o imposto por km, igual ao dos elétricos.

  6. FI
    Filipe

    Há uns dias atrás, em uma notícia sobre preços KM, falei nas reduções das bonificações (aumentos de taxa) e custo por quilômetro planeado a ser aplicado, penalizando e retirando benefícios aos elétricos, como acontece em londres. Um tal JL faltou apanas chamar-me ignorante, espero agora que tenha a dignidade de se retratar, e como lhe disse, consultar o site do parlamento.

    1. JL
      JL

      Falou onde mostre lá ?

      1. FI
        Filipe

        Nem comento.

        1. JL
          JL

          Pois , porque já viu que disse disparate.

          1. FI
            Filipe

            Não, simplesmente porque abelha não perder tempo a explicar a mosca que o mel é melhor de a mer##

          2. JL
            JL

            Não me diga que quando está doente e vomita, isso é mer..a ?

          3. JL
            JL

            Isso, não perca tempo a explicar algo que não consegue.

  7. PO
    PorcoDoPunjab

    Agenda 2030 a todo o vapor.

    Não teremos nada e seremos felizes.

    Eu não serei, certamente…

    Mal me reforme, Shanghai com ele e família.

    Largueza desta terra de loucas.

    O Imposto Único de Circulação serve para quê? Não é para pagar a circulação?

    Qualquer dia mais vale entregar o dinheiro todo ao estado e receber uns talões para ir buscar arroz.

    Já faltou mais….

    Continuem a votar nesta porcaria e vão ver onde isto vai parar.

    É preciso muito dinheirinho para a Ucrânia, e só pode vir de um sítio, os nossos bolsos.

    1. MA
      Max

      E os impostos sobre os combustíveis não é para o carro poder circular? É para estar na garagem?

  8. YA
    Yamahia

    Finalmente acordaram prá vida.

    Uma taxa por kg não era mal pensado.

    1. JL
      JL

      Ui, iam massacrar os híbridos e os diesel.

      1. MO
        Morty

        Taxa por emissão e peso e o mais justo! Pois uns poluem mais o ar, os outros desgastam mais a estrada.

        Sim JL porque a maior parte dos camiões que te põe comida na mesa e a diesel! Eu sei que por ti paravam todos amanha porque tu também já tens uma horta e então não são precisos para nada xD

        1. JL
          JL

          Então os a combustão mais pesados não ?

          Onde eu disse isso ? É outro armado em Mário ?

    2. TA
      Toni da Adega

      Uma balança á porta de casa de cada um. Sempre que sair é preciso pesar reportar ao estado e pagar

  9. MI
    Muito mais que isso.

    Esta discussão assenta numa falsa premissa. A transição para a mobilidade elétrica e o consequente processo de descarbonização trarão uma redução significativa dos problemas de saúde urbana associados à poluição. Do ponto de vista económico, a poupança nos sistemas de saúde pública superará largamente a perda de receita fiscal gerada pelos impostos sobre os combustíveis tradicionais. Trata-se de um facto amplamente documentado em literatura científica de fácil acesso. Assim, a insistência em criar novos impostos sobre os veículos elétricos reflete apenas uma visão puramente extrativa e fiscalista, que coloca a receita imediata do Estado acima do bem-estar social e do desenvolvimento sustentável.

    1. MA
      Max

      Exato! Os elétricos pairam sobre o pavimento, não o danificam! Falar em impostos sobre os elétricos para conservação e manutenção de estradas é uma visão extrativa e mais não sei quê! 😉

      1. JL
        JL

        Sempre ouvi dizer que os que danificam as estradas são os camiões, aliás isso é bem perceptível nas estradas onde passam mais.

        1. YA
          Yamahia

          Deve ser isso:

          https ://www.japantimes.co.jp/business/2026/07/17/china-giant-cars-road-damage

          Acresce que o responsável chinês ja reconheceu que as estradas seriam todas esmagadas caso tudo fosse elektro.

          1. JL
            JL

            São diferentes dos grandes ice em que aspecto, curiosa a notícia, fala em carros com mais de 5 metros e 3 toneladas, quando não existe pelo menos por cá nenhum com essas características, e dá o exemplo de um que nem é ev. Loooooll

            Claro que seriam, só os camiões e os grandes ice é que salvam as estradas.

          2. YA
            Yamahia

            A China já reduziu para metade os subsídios a carros elektros. Encare a realidade!

    2. YA
      Yamahia

      @Muito mais que isso, visão desconectada da realidade e que segue o padrão da missa elektra.

      Já se provou, e nem sequer foi assim há tão pouco tempo, que as emissões de partículas finas são uma das principais causas das comorbilidades que apontas.

      Estas partículas são emitidas pelo desgaste dos pneus em quantidades muitas centenas de vezes superiores às emitidas pelos escapes, sendo certo que os pneus dos elektros emitem muito mais destas partículas nocivas quando comparados com os de um veículo semelhante a combustão, devido ao maior peso e ao binário excessivo.

      E nem sequer estão aqui contabilizadas as emissões resultantes do desgaste do próprio alcatrão das estradas.

      1. JL
        JL

        Lá vem ele com as invenções do costume.

        Claro que sim, os a combustão que são muito mais, então emitem muito mais quantidade de partículas.

        1. YA
          Yamahia

          Sabe bem que não emitem, porque é que insiste? encare a realidade:

          https ://www.breitbart.com/tech/2024/03/05/study-evs-are-worse-for-the-environment-than-gas-powered-cars/

          A poluição proveniente dos pneus é 2.000 x's pior do que as do dos gases de escape à medida que o peso dos carros aumenta.

          Pode conferir neste gráfico disponibilizado pela Emissions Analytics:

          https ://1drv.ms/i/s!AvwLJVpLF7bcraJchkTFPfOYKEChsQ?e=5RdiGm

  10. UM
    UmPorTodoseTodosPorUm

    É muito decepcionante as atitudes e formas de pensar que tenho lido post após post. Parece que estamos numa guerra constante entre veículos a combustão e elétricos, com defensores ferozes das 2 partes, sempre a tentar ver quem fica por cima, quando isso não tem o mínimo sentido. Independentemente dos gostos e carteira de cada um devíamos ser unidos pelo melhor para os portugueses e isso passa por pagarmos menos impostos e termos mais qualidade de vida. Existe espaço para combustão e elétricos e cada um tem as suas vantagens e desvantagens. Só vejo comentários maliciosos e opressores, enquanto estivermos divididos e tivermos essa mentalidade de que a nossa forma de agir ou ser é superior ao outro nunca vamos chegar a lado nenhum. Devíamos estar unidos para lutar por um futuro melhor para TODOS e não só para alguns.

    Em relação às taxas e impostos para a manutenção das estradas, já todos pagamos IUC, portagens e SCUTS e isso é mais do que suficiente e nada mais do que isso devia ser permitido ou tolerado.

    1. MA
      Max

      Todos … vírgula. Quem tem carros com motores de combustão paga, no iSP, a consignação do serviço rodoviário (8,7 cêntimos/L na gasolina e 11,1 cêntimos/L no gasóleo) para a Infraestruturas de Portugal para conservação e manutenção de estradas, e mais o IUC para a Câmara Municipal. Os elétricos não pagam nada. Não é todos, uns pagam e outros não.

      1. JL
        JL

        E é essa a razão de tanta luta ? afinal o que está mal, são os carros ou a lei ?

    2. JL
      JL

      Se reparar são sempre os mesmos que começam isto….

      1. MA
        Max

        O estranho é que quem paga O também começa – e frequentemente. Deviam tentar passar pelos pingos da chuva, sem armar confusão, mas acham que as benesses que têm ainda são poucas, porque só usam eletricidade verde e não usam as estradas (que os outros pagam a manutenção e reparação).

        1. JL
          JL

          Acham ? Não entendi.

          Eu só acho que deviam receber uma compensação pelos males que não provocam, mas claro devem pagar pelas infraestruturas que também usam.

          1. YA
            Yamahia

            Provocam mais males do que aqueles que dizem evitar.

          2. JL
            JL

            Isso é na sua cabeça e na sua luta sem sentido.

  11. RF
    Renato Fernandes

    Li a notícia sobre o novo estudo da (AMT) com uma sensação difícil de explicar: não é propriamente surpresa, mas é aquele sentimento de “lá vamos nós outra vez”.

    A AMT defende uma alteração ao modelo de financiamento da rede rodoviária, com uma maior diversificação das receitas, reforço do princípio do utilizador-pagador, cobrança por quilómetro para determinados veículos e uma contribuição dos veículos elétricos para o financiamento das estradas.

    À primeira vista, parece tudo bastante razoável.

    As estradas precisam de manutenção. Os veículos elétricos também utilizam as estradas. Os veículos pesados provocam um desgaste muito superior ao de um automóvel ligeiro. E, naturalmente, alguém tem de pagar a infraestrutura.

    O problema começa quando olhamos para isto não apenas como uma questão contabilística, mas como uma questão de território.

    O interior não é Lisboa vista de cabeça para baixo

    Vivo no interior. E talvez seja precisamente por isso que estas discussões me incomodam mais do que provavelmente incomodariam alguém que vive numa zona onde existe uma alternativa de transporte a cada esquina.

    No interior, o carro não é um luxo.

    É, muitas vezes, uma necessidade.

    Para trabalhar, para estudar, para ir ao hospital, para levar os filhos à escola, para tratar de assuntos administrativos, para fazer compras ou simplesmente para visitar familiares, dependemos muito mais do automóvel do que alguém que viva num grande centro urbano.

    E aqui está a minha principal dificuldade com este tipo de políticas:

    como é que se pretende desenvolver o interior se tornar mais caro chegar ao interior?

    É uma pergunta simples, mas parece ser frequentemente esquecida.

    Uma autoestrada no interior não serve apenas para alguém fazer uma viagem mais confortável.

    Serve para aproximar pessoas.

    Serve para aproximar empresas.

    Serve para facilitar a logística.

    Serve para tornar uma região mais acessível a quem pretende investir, trabalhar ou viver.

    Serve para que uma empresa de Bragança possa receber um fornecedor de Vila Real, do Porto ou de Espanha sem transformar cada deslocação numa expedição.

    Serve para que alguém possa viver numa aldeia e trabalhar numa cidade.

    Serve para trazer turistas.

    Serve para ligar pessoas.

    A estrada também é infraestrutura económica.

    E talvez devêssemos começar a olhar para ela dessa forma.

    As SCUT eram uma má ideia ou foram simplesmente mal utilizadas?

    Durante anos ouvimos falar das SCUT como uma espécie de privilégio injustificado.

    Mas o próprio conceito tinha uma lógica: permitir a construção de infraestruturas rodoviárias em regiões onde a cobrança direta ao utilizador poderia tornar a utilização demasiado cara e, simultaneamente, limitar o desenvolvimento económico dessas regiões.

    Depois vieram as portagens.

    Em 2011, várias dessas vias deixaram de ser SCUT e passaram a ser pagas pelos automobilistas.

    Mais tarde vieram descontos.

    Depois mais descontos.

    E finalmente, em 2025, as portagens foram eliminadas em várias autoestradas do interior e do Algarve, incluindo A4, A23, A24, A25 e A22, entre outras.

    Ou seja, depois de anos de discussão, Portugal acabou por reconhecer aquilo que muita gente no interior sempre defendeu:

    há estradas onde cobrar portagens pode ter um custo económico e territorial superior à receita que geram.

    E agora estamos novamente a discutir modelos que reforçam o princípio do utilizador-pagador.

    É aqui que começo a ficar desconfiado.

    O problema não é cobrar. É cobrar sem olhar para o contexto

    Não sou contra pagar pela utilização de uma infraestrutura.

    Aliás, acho perfeitamente legítimo discutir diferentes formas de financiar as estradas.

    Um camião que percorre milhares de quilómetros por ano não pode ser comparado com um automóvel que percorre 10 ou 15 mil quilómetros.

    Um veículo que provoca mais desgaste na infraestrutura deve, naturalmente, ser considerado de forma diferente.

    Um veículo que circula numa zona congestionada pode justificar uma lógica diferente de um veículo que circula numa estrada com pouco tráfego.

    Até aqui, tudo bem.

    O problema é transformar o utilizador-pagador numa espécie de princípio absoluto.

    Porque existe outro princípio que também devia ser central:

    quem utiliza uma infraestrutura para promover a coesão territorial não pode ser tratado exatamente da mesma forma que quem a utiliza num território onde existem dezenas de alternativas.

    Uma estrada entre Lisboa e Cascais não tem o mesmo significado económico que uma estrada entre Bragança e Vila Real.

    Uma viagem dentro de uma área metropolitana onde existem metro, comboio, autocarros e outras alternativas não é comparável a uma viagem no interior, onde muitas vezes a alternativa é simplesmente… não ir.

    E se a estrada barata fosse precisamente o incentivo que falta?

    É aqui que me parece que Portugal continua a pensar demasiado pequeno.

    Queremos que o interior tenha empresas.

    Queremos turismo.

    Queremos jovens.

    Queremos investimento.

    Queremos combater a desertificação.

    Queremos que as pessoas não abandonem as aldeias.

    Queremos aproximar Portugal de Espanha e criar ligações económicas transfronteiriças.

    Mas depois olhamos para a estrada quase exclusivamente como uma fonte de receita.

    Talvez devêssemos fazer a pergunta ao contrário.

    Quanto dinheiro é que o Estado está disposto a deixar de cobrar para tornar uma região mais competitiva?

    Porque uma autoestrada gratuita ou muito barata pode não gerar receita direta através de portagens, mas pode gerar receita através de tudo o que acontece à volta dela.

    Mais empresas.

    Mais turismo.

    Mais emprego.

    Mais circulação de pessoas.

    Mais consumo.

    Mais investimento.

    Mais população.

    Mais atividade económica.

    É uma espécie de investimento público cujo retorno não aparece necessariamente numa tabela de portagens.

    E agora entram os carros elétricos

    Também percebo o problema identificado pela AMT.

    Se uma parte crescente dos automóveis deixar de consumir combustíveis fósseis, uma parcela da receita atualmente obtida através da tributação dos combustíveis irá naturalmente diminuir.

    O estudo refere, por exemplo, que a Consignação de Serviço Rodoviário gerou 691 milhões de euros em 2025 e que uma quota de mobilidade elétrica entre 20% e 30% em 2030 poderá representar uma redução anual de receitas entre 140 e 200 milhões de euros.

    É perfeitamente legítimo procurar uma alternativa.

    Mas há uma diferença entre encontrar uma forma tecnologicamente neutra de financiar as estradas e aproveitar a transição energética para simplesmente inventar uma nova forma de cobrar aos automobilistas.

    Se amanhã todos conduzirmos elétricos, o Estado terá de encontrar uma forma de substituir parte da receita que atualmente vem dos combustíveis.

    Certo.

    Mas isso não significa necessariamente que a solução tenha de ser mais uma camada de custos sobre quem precisa do automóvel para trabalhar e viver.

    E as SCUT? É aqui que fico particularmente preocupado

    É importante deixar uma coisa clara: o estudo da AMT não diz que as SCUT vão acabar amanhã.

    Mas fala numa alteração estrutural do modelo de financiamento da rede rodoviária e numa maior utilização de mecanismos de road pricing.

    E é precisamente essa possibilidade futura que me deixa preocupado.

    Porque conhecemos demasiado bem este filme.

    Primeiro aparece um estudo.

    Depois uma proposta.

    Depois uma experiência-piloto.

    Depois uma “solução transitória”.

    E, quando damos por isso, aquilo que era suposto ser excecional tornou-se normal.

    Não quero voltar a um cenário em que atravessar o interior de Portugal de carro se transforma novamente numa sucessão de portagens.

    Não porque queira estradas gratuitas por princípio.

    Mas porque acredito que há regiões onde retirar custos à mobilidade é uma política de desenvolvimento económico.

    Talvez o Estado devesse olhar para as estradas como olha para outras infraestruturas

    Ninguém espera que uma escola pública dê lucro.

    Ninguém exige que um hospital público seja rentável por quilómetro percorrido pelo doente.

    Ninguém olha para uma estação de comboios numa região despovoada e pergunta imediatamente quanto dinheiro gera diretamente.

    Porque percebemos que existem infraestruturas cujo valor não está apenas na receita direta.

    As estradas deveriam ser analisadas da mesma forma.

    Especialmente no interior.

    Uma A4 entre Bragança e Vila Real não é apenas uma estrada.

    É uma ligação económica.

    É uma ligação social.

    É uma ligação ao resto do país.

    É uma ligação à Europa.

    E se queremos verdadeiramente falar de coesão territorial, talvez devêssemos começar por aceitar que a coesão territorial tem um preço.

    E esse preço não pode ser sempre apresentado ao habitante do interior sob a forma de mais uma taxa.

    Não precisamos de “medidas de meia-tigela”

    É isso que mais me incomoda.

    Parece que estamos constantemente a tentar resolver problemas estruturais através de pequenas alterações ao sistema de cobrança.

    Taxamos aqui.

    Damos um desconto ali.

    Retiramos uma portagem.

    Criamos outra.

    Mudamos o modelo de financiamento.

    Inventamos uma nova contribuição.

    E entretanto continuamos sem responder à pergunta fundamental:

    Que modelo de mobilidade queremos para Portugal daqui a 20 ou 30 anos?

    Queremos um país concentrado no litoral, onde tudo é mais acessível porque existe massa crítica?

    Ou queremos realmente um país onde viver em Bragança, Guarda, Castelo Branco, Vila Real ou Beja não seja uma penalização económica?

    Porque, se a resposta for a segunda, então talvez seja altura de deixar de olhar para determinadas estradas do interior como um negócio.

    E começar a olhar para elas como aquilo que realmente são:

    investimento na sobrevivência e no desenvolvimento dessas regiões.

    Eu não quero estradas gratuitas porque sim.

    Quero estradas que façam sentido.

    Quero que quem mais desgasta a infraestrutura contribua de forma proporcional.

    Quero que os veículos elétricos contribuam para a manutenção das estradas quando deixarem de contribuir através dos combustíveis.

    Quero que os transportadores paguem de forma justa pelo uso intensivo da rede.

    Mas também quero que se perceba uma coisa muito simples:

    se queremos que o interior deixe de perder população, empresas e oportunidades, não podemos tornar mais caro aquilo que permite ao interior estar ligado ao resto do país.

    Porque, no fim, podemos poupar alguns milhões numa linha de receita.

    Mas podemos perder muito mais numa região inteira.

    E isso, ao contrário de uma portagem, pode ser impossível de recuperar.

    Foi um jeito de desabafo.

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