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Apostas na Polymarket podem estar a revelar segredos militares dos EUA

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Mais de 150 carteiras da Polymarket apresentam padrões de apostas invulgarmente bem sucedidos em mercados relacionados com operações militares dos Estados Unidos da América (EUA), levantando suspeitas de possível utilização de informação privilegiada.

A Polymarket tornou-se uma das plataformas de previsão mais populares, permitindo aos utilizadores apostar em acontecimentos políticos, económicos e militares.

Contudo, a natureza pública das transações está agora a levantar preocupações que vão além do eventual lucro obtido por quem tenha acesso a informação privilegiada.

Uma análise do Anti Corruption Data Collective (ACDC), divulgada esta quinta-feira e inicialmente noticiada pela Reuters, identificou centenas de carteiras com padrões considerados pouco comuns. Entre estas, 152 destacam-se pelo desempenho excepcional em apostas relacionadas com mercados militares e de defesa.

Apostas pouco comuns e muito bem sucedidas

O estudo analisou todos os mercados liquidados até 5 de maio e procurou aquilo a que chamou apostas long shot. Neste caso, tratam-se de apostas de pelo menos 2500 dólares, realizadas cumulativamente numa hora ou menos, sobre resultados cuja probabilidade era de 35% ou inferior.

Foram identificadas 556 carteiras com este tipo de comportamento, apelidadas de “Orcas”. Segundo os investigadores, estas carteiras tendem a entrar rapidamente no mercado, realizar uma aposta de valor elevado sobre um resultado considerado improvável e, em muitos casos, abandonar posteriormente a atividade.

Dentro deste grupo, 152 carteiras apresentaram resultados particularmente fortes nos mercados militares e de defesa. Em conjunto, terão obtido cerca de oito milhões de dólares, com uma taxa média de sucesso de 97,2%.

A ACDC salienta, contudo, que estes padrões não provam que os responsáveis pelas carteiras tenham tido acesso a informação confidencial. Alguns resultados podem ser explicados por sorte ou por outras formas legítimas de obter informação antes dos restantes participantes.

Polymarket

O efeito dos bots e das apostas copiadas

A situação torna-se mais preocupante devido à forma como a Polymarket funciona. Na plataforma internacional, as transações são registadas numa blockchain, permitindo observar publicamente as apostas, embora as identidades dos utilizadores permaneçam anónimas.

Segundo a investigação, algumas apostas realizadas pelas chamadas “Orcas” parecem ter atraído rapidamente a atenção de grandes investidores e de bots automatizados.

Num dos casos analisados, uma aposta relacionada com uma possível operação militar dos EUA no Irão foi seguida por apostas de 200 mil e 100 mil dólares realizadas por um bot e por uma “Orca”.

Isto significa que, mesmo que os restantes participantes não tenham acesso à eventual informação original, podem detetar um comportamento financeiro invulgar e tentar copiá-lo. Dessa forma, uma aposta potencialmente baseada em informação privilegiada pode acabar por gerar um sinal muito mais amplo.

Assim, se determinados movimentos financeiros conseguirem antecipar acontecimentos militares que ainda não foram anunciados publicamente, a atividade da Polymarket poderá tornar-se uma fonte adicional de sinais para quem acompanha estes mercados.

Segundo o cofundador da ACDC, David Szakonyi, seria ingénuo assumir que os serviços de informações estrangeiros não monitorizam este tipo de atividade. Uma vez que as apostas são públicas, os padrões anormais podem ser identificados por investidores, investigadores e sistemas automatizados.

Que medidas poderão ser adotadas?

A ACDC defende medidas mais apertadas, incluindo a obrigatoriedade de identificação dos participantes e a retenção de pagamentos associados a apostas suspeitas enquanto decorrem investigações.

Contudo, para o grupo, estas medidas poderão não ser suficientes. Uma das propostas passa por proibir mercados nos quais a utilização de informação não pública possa ser particularmente lucrativa e onde as consequências de uma eventual fuga de informação sejam mais graves.

 

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  1. Avatar de Max
    Max

    Há bastantes casos, em várias plataformas de apostas, mas este francamente deu-me vontade de rir.
    P: Que se sabe sobre as apostas especulativas de quem preparava os discursos de Trump no teleponto?
    R (Gemini): “O caso envolve Gabriel Perez, o operador de teleprompter (teleponto) de Donald Trump desde a campanha de 2016, que se tornou alvo de investigações por suspeita de uso de informação privilegiada (insider trading) em mercados de previsão.
    • Como funcionava: Como responsável pela preparação do equipamento e carregamento dos discursos de Trump, Perez tinha acesso antecipado ao texto integral de pronunciamentos oficiais.
    • Plataforma utilizada: O operador utilizou a Kalshi, uma plataforma regulada de mercados de previsão.
    • Mercados de menções (Mention Markets): Ele apostava em contratos altamente específicos que previam se Trump diria determinadas palavras, nomes de países, termos económicos ou slogans durante intervenções públicas (incluindo o discurso do Estado da União, apresentações no Fórum Económico Mundial e cerimónias oficiais).
    • Ganhos: Estima-se que lucrou cerca de 100 mil dólares em apostas feitas num período de três meses.
    • Detecção: Em março, analistas da Kalshi detectaram movimentações atípicas, congelaram a conta de Perez (restringindo o levantamento de mais de 90 mil dólares) e notificaram a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), a autoridade reguladora de mercados futuros dos EUA (…).
    P: Nas movimentações atípicas incluíram-se casos em que retirou apostas quando Trump se afastou do discurso que estava no teleponto?
    R: (…) Exatamente. Como Donald Trump costuma desviar-se frequentemente do texto preparado (improvisando cerca de 80% do tempo), Perez usava o acesso ao teleponto como um indicador estratégico dinâmico. Quando Trump começava a improvisar e ficava evidente que ele não iria ler determinada secção do discurso que estava carregada no teleponto, Perez retirava imediatamente as apostas ou vendia as suas posições. Sabendo que a palavra planeada já não seria dita, ele evitava perder o dinheiro apostado.
    Foi precisamente esse padrão de comportamento — apostar com base no guião carregado e retirar rapidamente as apostas no momento exato em que Trump pulava partes do texto — que levantou alertas no departamento de conformidade da plataforma. Essa movimentação atípica em tempo real serviu de forte indício para a acusação de uso de informação privilegiada não pública.” 🙂