Mandate Order e a reinvenção dos city-builders
Os estúdios chineses Digital Sky encontram-se a trabalhar em Mandate Order, um City Builder que se foca numa perspectiva diferente da que é comum nestes jogos. Saiba mais!
Os jogos de construção de cidades costumam desafiar os jogadores a planear e desenvolver povoações ou mesmo civilizações prósperas. Contudo, Mandate Order será um desafio diferente, colocando em cima da mesa, uma questão completamente distinta: será que essa cidade consegue sustentar uma guerra?
Desenvolvido pelo estúdio chinês Digital Sky, Mandate Order é um city-builder estratégico cuja ação decorre na China Antiga, durante os períodos das Primaveras e Outonos. O título propõe uma abordagem distinta ao género ao integrar profundamente a gestão urbana com uma forte componente de preparação militar, transformando cada decisão económica num potencial fator de guerra.
Ao contrário de muitos títulos do género, Mandate Order não começa com uma cidade desenvolvida nem com um exército pronto para o combate. Os jogadores iniciam a experiência com um pequeno aldeamento fronteiriço e devem construir, passo a passo, uma fortaleza capaz de resistir a ameaças externas.
Casas, poços, campos agrícolas, armazéns, oficinas e estradas constituem a base da economia local e serão essas as primeiras infraestruturas a criar e desenvolver. Só mais tarde é que surgirão os quartéis, arsenais, muralhas e outras infraestruturas militares.
A população é organizada em unidades denominadas “Wu”, compostas por cerca de cinco trabalhadores. Estes habitantes são responsáveis pela recolha de recursos, construção de edifícios, cultivo de terras e operação das cadeias de produção. Embora o controlo individual não seja necessário, os jogadores terão de gerir cuidadosamente a distribuição da mão de obra para garantir o funcionamento eficiente da cidade.
Por outro lado, a agricultura desempenha um papel central na sobrevivência da povoação. Os campos agrícolas exigem um planeamento ativo, desde a preparação do solo até à colheita, passando pela irrigação e manutenção das culturas.
Além disso, a fertilidade dos terrenos influencia diretamente a produtividade, impedindo que a agricultura seja tratada como uma fonte inesgotável de alimentos. As estações do ano também têm impacto significativo, obrigando os jogadores a preparar reservas para enfrentar os meses de inverno.
Esta ligação entre produção alimentar e capacidade militar é uma das bases do design do jogo. Recrutar demasiados trabalhadores para o exército pode comprometer a produção agrícola, enquanto reservas insuficientes podem colocar em risco a capacidade de sustentar campanhas prolongadas.
Outro dos elementos diferenciadores de Mandate Order consiste no seu foco na logística. Os recursos não existem apenas num inventário global, e precisam ser transportados entre os diferentes pontos da cidade. Madeira, pedra, minério, cereais, combustível, armas, armaduras e equipamentos de cerco são recolhidos, armazenados e distribuídos através de uma rede logística que cresce à medida que o assentamento se expande.
A localização de armazéns, celeiros e postos de transporte torna-se, assim, uma decisão estratégica. Uma cadeia logística mal organizada pode atrasar construções, interromper a produção ou impedir o recrutamento de tropas, mesmo quando os recursos já existem dentro da cidade.
No universo de Mandate Order, um exército não surge simplesmente através de um botão de recrutamento. Para transformar trabalhadores em soldados, é necessário produzir e armazenar armas e equipamento adequados. Espadas, lanças, arcos, escudos e armaduras devem ser fabricados nas oficinas e transferidos para os arsenais antes de poderem equipar novas unidades militares.
Esta mecânica cria um equilíbrio constante entre necessidades civis e militares. Cada trabalhador recrutado para o exército deixa de contribuir para a economia da cidade, reduzindo a capacidade de construção, produção e transporte. O resultado é um sistema que obriga os jogadores a ponderar cuidadosamente o momento certo para mobilizar forças.
Por outro lado, a defesa da cidade vai muito além de simples estatísticas. Os jogadores podem desenhar muralhas, posicionar torres, definir portões e instalar equipamentos defensivos que terão impacto direto nos cercos. Os Arqueiros podem disparar a partir de posições elevadas, as balistas podem proteger acessos estratégicos e a disposição das estradas internas influencia a velocidade de resposta das tropas.
O relevo também desempenha um papel importante, oferecendo vantagens táticas aos defensores posicionados em terrenos elevados ou sobre as muralhas.
Nas batalhas, Mandate Order oferece controlo direto sobre as tropas através de um sistema de formação baseado em desenho. Em vez de mover unidades individualmente, os jogadores podem traçar linhas no campo de batalha para definir a disposição e movimento dos seus exércitos. As unidades de lanceiros, arqueiros, soldados com escudo e carros de guerra podem atuar em conjunto, permitindo a criação de estratégias mais complexas e organizadas.
Os carros de guerra assumem um papel particularmente relevante, contribuindo para uma identidade militar inspirada nos conflitos históricos da era dos Reinos Combatentes.
O conceito central de Mandate Order reside na forma como todos os seus sistemas estão interligados. A comida sustenta a população, a população fornece trabalhadores, os trabalhadores produzem recursos, os recursos alimentam as oficinas, as oficinas fabricam armas e as armas permitem formar exércitos. Em vez de tratar o combate como uma funcionalidade separada, o jogo apresenta a guerra como uma consequência direta da eficiência da cidade.
Para os fãs de city-builders, gestão de recursos e estratégia militar histórica, Mandate Order promete oferecer uma experiência onde o verdadeiro desafio não está apenas em vencer batalhas, mas em construir uma sociedade capaz de suportar o peso da guerra.
Desenvolvido pelo chineses Digital Sky, um estúdio independente sediado em Chengdu, China, Mandate Order terá suporte para 12 idiomas e encontra-se atualmente em desenvolvimento para PC, com lançamento previsto para o terceiro trimestre de 2026.



























É mais um daqueles jogos que acerta nos clichés todos ao mesmo tempo. Normalmente não dá bom resultado, mas a ver vamos. Pode ser que saia alguma coisa decente.