Novo caos com o Strava expõe mais de 500 soldados britânicos com as suas rotas
Centenas de soldados britânicos, que prestam serviço em instalações de alta segurança, divulgaram dados através do Strava. Estas partilhas "inocentes" abrem vários buracos na segurança nacional britânica.
O Strava volta à polémica. Depois do Porta-aviões nuclear francês ter a sua localização exposta por militar que realizou um treino, agora uma investigação do meio The i Paper revelou que mais de 500 militares britânicos publicaram rotas de treino e dados de perfil a partir de algumas das instalações mais sensíveis do Reino Unido.
Estes dados permiram expor movimentos, destinos e até ligações pessoais de quem trabalha nesses locais.
O problema dos dados cruzados
O problema não é tanto que essas bases sejam secretas, porque muitas não o são, mas sim o que pode ser deduzido ao cruzar percursos, horários e perfis públicos.
Este rasto digital pode não fornecer informação de forma individual, mas ao entrelaçá-lo com outras rotas de soldados pode identificar que pessoal está colocado em cada local, como se desloca e que padrões de atividade repete ao longo dos dias.
Segundo a informação publicada a partir da investigação do The i Paper, as rotas e perfis localizados estavam ligados a enclaves como Northwood, Faslane e bases de North Yorkshire.
Inclusive, num dos casos, uma atividade pública aparecia com a etiqueta “Security Breach”, um detalhe que resume bastante bem até que ponto a exposição era visível para qualquer pessoa que fosse verificar.
Faslane: um ponto crítico
Um dos pontos mais delicados é Faslane, onde se encontra a HM Naval Base Clyde, base dos submarinos nucleares Trident do Reino Unido. A partir dos registos no Strava, a investigação conseguiu identificar submarinistas e membros das suas famílias, além de localizar atividade nas imediações da base e publicações de imagens de navios a entrar no porto.
A chave está no facto de uma aplicação de desporto não mostrar apenas que alguém saiu para correr. Também pode revelar onde começa e termina essa rota, a que horas costuma treinar ou com que frequência repete o percurso.
Um especialista citado pelo The i Paper, Dan Lomas, alertou que atores estrangeiros podem juntar pequenos fragmentos de informação pública para construir um retrato muito mais completo da vida de um indivíduo.
Reações e críticas no Reino Unido
O escândalo provocou críticas imediatas no Reino Unido. A Sky News refere que o deputado conservador Ben Obese-Jecty, ex-oficial do exército, afirmou ser difícil acreditar que as forças armadas não tenham melhor controlo sobre algo deste tipo no contexto atual.
Além disso, um funcionário de inteligência militar britânico descreveu a situação como “francamente ridícula”, pela quantidade de informação que continuava acessível de forma aberta.
No entanto, este caso não é novo. Há poucos dias falou-se de um oficial naval francês que terá denunciado a localização do seu navio de guerra com uma corrida registada no Strava.
Na verdade, este não é um problema novo à escala global, já que em 2018 as autoridades britânicas alertaram que este tipo de aplicações podia expor os hábitos quotidianos de uma pessoa, algo crítico no setor militar.
Um risco já identificado há anos
De facto, esse aviso do Ministério da Defesa britânico indicava que partilhar dados geolocalizados a partir de bases ou instalações sensíveis representava “um risco claro” para a segurança pessoal e operacional. O problema, portanto, não é novo nem desconhecido.
O mais surpreendente é que, oito anos depois do grande escândalo do mapa de calor do Strava, continuem a surgir casos praticamente idênticos em ambientes militares.























Amadores e irresponsáveis.
Isto é o que dá querer registar (e ou partilhar) tudo o que se faz na vida.
Comecem a utilizar o deStrava…
Irresponsabilidade no seu melhor.
Noutros tempos o brilho de um relógio metálico de pulso em operações era um problema. Hoje coloca-se um pirilampo na cabeça…
há dias, li numa revista francesa que essa app é usada para outra finalidade que não seja o registo da atividade física, ou seja, é atualmente uma das favoritas para o “engate” … estranho este novo mundo, ou isso, ou estou mesmo muito “velhote” 😉
Outra vez? Parem de recrutar millennials!
E recrutam quem? mais velhos ou mais novos?…
Raio de vício de ter que estar a expor tudo q se faz online, para que raio interessa se o pessoal do lado queimou mais, andou mais, etc
Se passar alguma nave por perto, aceito boleia, este planeta está cada vez mais mal frequentado