Análise God of War: Sons of Sparta (Playstation 5)
De forma algo surpreendente, a Sony Playstation no inicio deste mês, este God of War: Sons of Sparta. Trata-se de nova aventura de Kratos (uma prequela), que rompe um pouco com o passado da série e nos apresenta um jovem Kratos. Já experimentámos.
Arrisco-me a afirmar que Kratos é, atualmente, um dos nomes mais conhecidos e mais valiosos do mundo dos videojogos. Mas mais, Kratos e a série God of War corresponde também a um dos marcos mais importantes na vida da Sony Playstation e este Sons of Sparta acaba por se tornar num tipo de celebração deste simpático mas brutal herói.
God of War: Sons of Sparta, num movimento de ruptura com a jogabilidade da série, apresenta-se como uma aventura de ação numa perspectiva 2D com um grafismo (personagens e cenários) num detalhado pixel art desenhado à mão. Tem na sua base, uma história completamente nova escrita pela mesma equipa que criou God of War (2018), God of War Ragnarök e God of War Ragnarök: Valhalla. Desenvolvido pela Mega Cat Studios em colaboração com o Santa Monica Studio, o jogo leva a saga para um género completamente novo. Jogada arriscada?
Sons of Sparta centra a sua história em Kratos e no seu irmão Deimos, dois jovens espartanos que anseiam por ingressar no cobiçado Círculo da Vanguarda e de se tornarem parte das poderosas forças espartanas. No entanto, um colega de classe de nome Vasillis desaparece, sendo esse o pontapé de partida para a aventura dos dois irmãos.
Ao se aventurarem na bela, mas mortal, região da Lacónia, para além das muralhas de Esparta, os dois irmãos vão defrontar ameaças implacáveis que levam o seu treino ao limite e pelo caminho irão descobrir o verdadeiro significado do dever, honra e fraternidade.
Mas há muito mais a acontecer nos entretanto e, no centro de Esparta começam a nascer intrigas e conspirações que acabam por criar uma atmosfera perfeita, antecipando o que virá a acontecer nos jogos futuros da série.
O jogo assume a clássica progressão baseada em exploração dos cenários com barreiras e desafios pelo caminho, exigindo que os jogadores desbloqueiem novas habilidades para alcançar áreas anteriormente inacessíveis, ao mesmo tempo que incentiva a melhoria constante das armas, equipamentos e habilidades.
Os dobstáculos a ultrapassar são, de certa forma, os que se poderia esperar encontrar num jogo deste género. Alçapões, escadas, rampas, roldanas, ganchos... um pouco de tudo o que a jogabilidade clássica de plataformas exige. Existem também, e tal como seria suposto, inumeros obstáculos que não podem ser ultrapassados antes de se obter determinada skill, acessório ou habilidade, levando a uma certa rejogabilidade.
Ainda assim, existem várias nuances na jogabilidade e nas mecânicas, acompanhadas por elementos caracteristicos de God of War que se apresentarão como uma agradável surpresas aos jogadores.
Essas habilidades e armas estão intimamente interligadas a um sistema de combate que se verifica versátil e bastante satisfatório. Mas, apesar de parecer demasiado simplista à primeira vista, acaba por ter uma certa profundidade, com os diferentes tipos de ataque e defesa, várias combos e inimigos que têm diferentes pontos fracos. Acaba por ser um jogo que se torna acessível à maioria dos jogadores.
A mecânica de plataformas de Sons of Sparta é bastante bem conseguida e apresenta os condimentos tradicionais neste tipo de jogos. Contudo, o combate tem a sua dose de importância e talvez seja o que os jogadores mais procurarão no jogo.
Basicamente, Kratos usa tanto a sua lança como escudo como armas principais, e mais algumas novidades ao longo do jogo. O ataque simples, com o quadrado será o mais usado e é o suficiente contra os inimigos mais fracos mas outras combos poderão ser aprendidas. Ao se pressionar R1 e quadrado, é lançado um ataque do Espírito Espartano (tem uma barra própria), que atordoa os inimigos permitindo lhes lançar um finish. Acertar golpes normais recarrega a barra.
No decorrer do combate, Kratos pode ainda rebolar através dos inimigos, sendo esta uma estratégia importante contra adversários mais difíceis, não só nos protegendo de danos graves como de permitir contra-ataques pelas costas.
Por sua vez, além do bloqueio normal existe ainda uma habilidade de defesa que permite interromper o ataque inimigo mas também lhes lance contra-ataques devastadores.
A lança de Kratos é a principal arma de Kratos. Tal como o escudo a principal defesa. Ao longo da aventura, ambos poderão ser melhorados. Isto pois, como o loot recolhido dos inimigos e baús, adquirimos recursos e orbs importantes para desbloquear novos acessórios. Por exemplo, novos cabos ou pontas para a lança, ou novas orlas para o escudo que lhes conferem efeitos elementais, bónus de atributos e outras vantagens.
Além de poderem personalizar as armas, os jogadores podem então aprender novas habilidades e usar os Dons do Olimpo, que são poderosos artefactos divinos usados para derrotar os inimigos com ataques brutais e poderosos.
E os ataques de Kratos, bastante responsivos em relação aos comandos que saem do DualSense são bastante aceitáveis de se ver, tanto pela sua simplicidade como pela forma como fluem no écran. Kratos, pode atacar em praticamente todas as direções, seja no solo, seja agachado, ou seja no ar sendo isso imprescindível para o combate num titulo de plataformas.
Sons of Sparta faz um amplo uso dos comandos e das suas capacidades, com vozes dos diálogos a serem projetados pelos altifalantes, assim como apresentando o feedback tátil bastante aprimorado consoante a situação, ou mesmo outro tipo de interações que não irei revelar para não estragar a surpresa.
Fica ainda assim, uma certa sensação de que o combate é lento e um pouco impreciso a momentos, talvez pelo facto do jogo ter um grafismo pixelizado.
Em Sons of Sparta há inimigos para todos os gostos, desde algumas criaturas completamente novas, assim como o regresso de algumas das mais icónicas dos jogos originais, fielmente adaptados e com o estilo artístico em 2D. E logo desde o inicio do jogo, pois na primeira sequência, defrontamos logo um Ciclope.
É ainda impressionante que parte da essência de God of War possa ser encontrada noutros aspectos do jogo. A coleta de orbes vermelhas ao derrotar inimigos, a possibilidade de executar finishes brutais, a constante quebra de vasos, ou a abertura de baús para recolher recompensas... estão presentes um pouco por todo o jogo. O que também acaba por apelar ainda mais a uma maior curiosidade exploratória.
Mas, convém referir que, há muito mais que fazer em Sons of Sparta. Além da demanda principal, existem ainda numerosas missões secundárias para completar, muitos caminhos para descobrir, e inúmeros segredos e itens para encontrar. O jogador tanto pode concentrar-se na missão principal, como se pode "perder" nestas missões alternativas e descobrir muito mais sobre Kratos, Deimos, Sparta e God of War. É claro que isso só por si, não corresponde a nenhuma novidade, apensar sendo um reforço do ADN de Sons of Sparta partilhar o de God of War.
No entanto, é um jogo que poderá desiludir os fãs mais acérrimos de God of War, isto pois Sons of Sparta mostra muito pouco do lado mais raivoso de Kratos e centra muito da ação em exploração e com muitos diálogos e interações (não só entre Kratos e Deimos mas com o resto do mundo). Estas interações entre Kratos e Deimos são coerentes no âmbito do jogo mas tornam-se, no mínimo estranhas, para quem joga God of War habitualmente, que espera mais ação e sangue e pouca emotividade.
Creio que se pode afirmar com alguma confiança que God of War: Sons of Sparta consegue, duma forma simplificada, adaptar a maior parte dos elementos clássicos de God of War, numa aventura de ação em 2D. Apresentando um grafismo retro, o jogo conta com uns impressionantes cenários em alta definição feitos em pixel art que revelam aos jogadores uma Lacónia bela e com grande nível de detalhe.
Sem dúvida que será uma novidade para os fãs de God of War, em particular para todos os que apreciem experiências diferentes e que após se terminar o jogo pela primeira vez, traz uma nova surpresa....
Resumindo, God of War: Sons of Sparta é um jogo que entretém e que, apesar de poder vir a saber a pouco para os fãs mais bélicos da série, deve ser considerado como uma boa surpresa.




















