McDonald’s não aprendeu com a Coca-Cola… Apresentou um anúncio de Natal feito com IA
O McDonald's Países Baixos retirou a sua campanha de Natal, gerada integralmente com inteligência artificial (IA), após enfrentar uma avalanche de críticas nas redes sociais (tendo sido inclusivamente forçada a desativar os comentários nos seus perfis).
O que aconteceu com a campanha do McDonald's nos Países Baixos
Parece que a reação negativa à utilização de IA no anúncio de Natal da Coca-Cola estabeleceu um precedente, mas não foi suficiente para dissuadir outras grandes corporações. O McDonald's decidiu criar a sua própria felicitação festiva recorrendo a imagens sintéticas, e a resposta foi tão frontalmente negativa que a empresa se viu obrigada a remover o anúncio das redes sociais.
Este incidente traz novamente à discussão temas cruciais como a criatividade, a estética, a primazia da rentabilidade sobre a ética e, sobretudo, o tipo de sentimentos que estas tecnologias estão a despertar nos consumidores.
O anúncio, intitulado ironicamente "It's the most terrible time of the year" (É a altura mais terrível do ano), apresentava-se como uma subversão dos clássicos natalícios. O vídeo exibia desastres com ambiente festivo: engarrafamentos onde o Pai Natal estava envolvido, árvores de Natal rebeldes e familiares difíceis de suportar - todo o pacote de sofrimento típico desta época, para recordar que, pelo menos, existe o McDonald's.
McDonald's unveiled what has to be the most god-awful ad I've seen this year – worse than Coca-Cola's.
Fully AI-generated, that's one. Looks repulsive, that's two. More cynical about Christmas than the Grinch, that's three.
I don't wanna be the only one suffering, take a look: pic.twitter.com/lRYODLkkBJ
— Theodore McKenzie (@realTedMcKenzie) December 6, 2025
O problema estético e a questão ética
Tal como sucedeu com a Coca-Cola, o problema é bidimensional. Esteticamente, o resultado foi considerado perturbador: físicas inquietantes, rostos inexpressivos e um humor físico (slapstick) levado ao extremo devido à estranha violência elástica e surreal característica dos vídeos gerados por IA.
Porém, a questão central reside no facto de espectadores e críticos questionarem a legitimidade ética deste tipo de operações, que prescindem totalmente do capital humano para produzir em maior quantidade e com maior rapidez. Estamos perante os primeiros passos de uma experiência que as corporações tentarão acelerar assim que a rejeição do público diminuir.
A marca de hambúrgueres confiou a produção ao duo californiano MAMA (Mark Potoka e Matt Starr Spice), juntamente com a divisão de IA The Gardening.club do estúdio The Sweetshop. Numa publicação que foi posteriormente eliminada, os diretores defenderam o seu trabalho, alegando que o anúncio exigiu "sete semanas intensas" de dedicação, investindo nele "mais horas do que numa produção tradicional".
A IA não o fez. Nós fizemo-lo.
A controvérsia repete-se após o caso Coca-Cola
O fracasso da McDonald's representa a segunda grande controvérsia natalícia do ano relacionada com publicidade gerada por IA. Há cerca de um mês, a Coca-Cola acendeu um debate semelhante ao lançar o remake do icónico anúncio "Holidays Are Coming" de 1995, desta vez produzido através de IA generativa e protagonizado por animais.
Isto ocorreu após a má receção, em 2024, de um anúncio com o mesmo conceito mas protagonizado por pessoas. A multinacional de Atlanta contratou três estúdios especializados (Secret Level, Silverside AI e Wild Card), mas a reação do público e da crítica foi devastadora.
Antes do anúncio da Coca-Cola, em junho de 2024, a Toys R Us apresentou "o primeiro anúncio comercial criado com Sora", a ferramenta de texto para vídeo da OpenAI. O vídeo de um minuto narrava as origens da empresa através do seu fundador, Charles Lazarus, combinando imagens do rapaz que acabaria por criar a loja com a mascote Geoffrey, a Girafa, em sequências completamente sintéticas.
A reação da indústria foi quase unânime, com figuras como o realizador Joe Russo a classificar o anúncio de forma muito pejorativa. O impacto na perceção da marca foi medido pela Marketing-Interactive, que documentou reações negativas por parte de 53,4% dos espectadores do anúncio.
Leia também:






















Vai tudo trabalhar, para a pesca.
Nos países Benelux, tudo é possível.
A cidade de Amsterdã é a Babilônia moderna, uma das doze cidades onde as meninas nas vitrinas cobram 60 euros por 10 minutos segundo reportagem, no youtube.
Em Portugal, os anúncios de Natal em anos anteriores da Vodafone e MEO desagradaram muitos clientes.
Os Portugueses e os povos em quase todo o mundo acham a época natalícia bonita.
Nota referente a Coca Cola:
Portugal em 1927 antes e durante o Estado Novo – António de Santa Comba Dão) com medo de “americanização”, a proteção das bebidas nacionais como o vinho e refrigerantes e preocupações com a saúde devido à cafeína.
Só em 1977 foi autorizado a entrar e produzida em Portugal.
Os Americanos são gordos, feios e ignorantes.
Nota adicional: 1 kg de bacalhau custa cerca de 20€ (quatro mil escudos).
Boa consoada, bom Natal e boas festas para todos.
Passei lá em março…. Nas vitrines… Entre Coca-Cola e McDonald’s, prefiro mesmo um bom bife…
Dois prompters da tanga a singrar na publicidade, com parcerias e projetos com grandes marcas, pelo mundo todo. Belas cunhas.
Hehe o melhor é que aprendeu pois o intuito é publicidade gratuita e conseguiram como a Coca-Cola.
Não existe má publicidade, apenas publicidade.
Elementar meu caro.
Isso não é bem assim. Não acho que esta possa chamada de “má publicidade” mas existe efetivamente má publicidade e nos últimos anos temos uns quanto exemplos de acontecimentos que prejudicaram marcas/ pessoas.
Para consumidores exigentes e conscientes isso de não existir má publicidade não cola, para a carneirada ainda acham piada que gozem na cara deles.
+1
Comida rápida, anúncios “IA”. Faz sentido. Se pouparem dinheiro a fazer os anúncios, porque não iriam adoptar essa tecnologia? Pelos vistos ainda não acertaram é na empresa/ criativos para o fazer da forma certa. Mas estão a ser falados, logo o anúncio até correu bem, segundo a teoria do falem bem ou falem mal mas falem, e este tipo de falar mal não me parece que vá ter impacto nas vendas.
A comida também é falsa portanto está tudo bem.
+1000