A visualização do éter – Pintar com o sinal wifi

À nossa volta o ar, apesar de parecer vazio e desprovido de ruído, está cheio de ondas dos mais diversos tipos. É assim há bastantes anos, desde que as comunicações sem fios começaram a ter uma expressão no nosso dia-a-dia. A passagem do cabo para as redes wireless vieram aumentar ainda mais o preenchimento do espectro e trazer um tipo de poluição diferente, mas igualmente grande.

Apesar de não conseguirmos ver essas ondas, bem como as restantes, elas existem e estão cada vez mais presentes. Mas e se fosse possível representa-las como seriam as imagens produzidas? Essa pergunta ficou na mente da equipa do Touch e depressa passaram à pratica. O resultado está expresso na imagem abaixo e no vídeo que apresentamos dentro deste artigo.


O projecto Immaterials: light painting WiFi surgiu da ideia de explorar o impacto das redes wifi em ambientes urbanos através da pintura com luzes onde é representado a potência das diferentes redes sem fios que se encontram espalhadas. Foi usado um poste com 4 metros e 80 lâmpadas representar esse sinal e as imagens foram captadas recorrendo a fotografia de exposição prolongada.

O resultado são imagens onde são apresentadas as diferentes redes e os seus sinais, numa representação espacial. A potência é representada pelas 80 lâmpadas e quanto maior é o sinal, maior número de lâmpadas são acesas.

Consegue-se desta forma ter uma ideia precisa da dispersão dos diferentes sinais e da força com que eles são disponibilizados. A fotografia de exposição prolongada permite construir um mapa tridimensional da disposição desse sinal pelo espaço.

Este tipo de experiências não é inédito para esta equipa e teve origem num outro projecto onde conseguiram representar a qualidade do sinal em leitores de RFID. O projecto tinha o nome de Immaterials: the ghost in the field e permitiu a esta equipa terem a percepção das fronteiras do campo de um leitor destas ondas.

Este tipo de projectos são meramente representativos e permitem que tenhamos a capacidade de ver e ter a noção espacial de alguns tipos de ondas que nos rodeiam todos os dias, nos ambientes onde nos deslocamos. A equipa do Touch especializou-se investigação da tecnologia NFC e pretende criar aplicações e serviços que permitam às pessoas interagir de forma simples e rápida com os objectos do seu quotidiano.

Homepage: NearField.org

  
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Arquivado na categoria: High Tech, Vídeo


14 Comentários

  1. Por acaso ja tinha visto isso! Isto foi integralmente feito com o Arduino!!! E claro uma DSLR com fotos de longa exposição!

  2. Porreiro era conseguir construir um brinquedo destes. Alguém tem uma ideia para fazer algo semelhante com o Arduino. Isto é, criar um pequeno detector de wireless, que acende um ou vários ledes, dependendo da intensidade do sinal.
    Cumprimentos,

    • Este projecto foi criado com o arduino, tal como o S Pimenta disse.

      Não acho que seja muito difícil, precisas de um shield wifi (eles utilizaram o WiFly), e pelo que percebi, eles no código metem o SSID da rede, por isso o arduino ia tar sempre a “perguntar” ao WiFly a forca do sinal dessa rede, e traduzia no numero de led’s ligados.

  3. Para se fazerem estas fotos são precisos longos tempos de exposição, só me pergunto como é que as fotos não ficam queimadas, sobretudo aquelas onde aparecem pontos de iluminação mais forte, é que uma coisa é uma exposição de 5 ou 10 segundos e outra é uma exposição de vários minutos.

    • Provavelmente tiraram uma foto ao local primeiro, depois e da mesma perspectiva, com longa exposição e filtros na lente tiraram uma série de fotos que montaram no fim.

      Não sei, estou a supor apenas. ;)

    • Quando esta totalmente de noite, mesmo com a iluminação da rua, 20 a 30 segundos não “queima a foto”, o que é mais do que suficiente para tirar fotos assim.

      Se for necessario mais tempo de exposição basta aumentar o valor de F/Stops (abertura) ou adicionar um filtro ND.

  4. Na pagina do flickr diz la o metodo de exposiçao usado: 32seg, f22, iso100

  5. giro :) há malta com ideias porreiras

  6. “…as comunicações sem fios começaram a ter uma expressão no nosso dia-a-dia.”

    E do câncer resultante de todo este bombardeio de ondas na população, ninguém comenta, né?

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