A guerra no Médio Oriente está a pesar na fatura energética dos europeus, e Bruxelas já tem planos para agir. A Comissão Europeia vai apresentar um conjunto de medidas para travar a crise, incluindo uma que pode mudar a sua semana: um dia obrigatório de teletrabalho.
Conforme noticiado pelo jornal El País, a Comissão Europeia irá propor aos estados-membros uma série de medidas para atenuar a crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente.
Iniciado no final de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão, o conflito abalou profundamente os mercados energéticos globais, com o encerramento do Estreito de Ormuz a interromper rotas que representavam até 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Para a Europa, que ainda não recuperou totalmente da crise energética de 2022 provocada pela invasão da Ucrânia, o cenário é preocupante.
Aliás, de acordo com dados de Bruxelas, a guerra no Médio Oriente já custou à União Europeia (UE) mais de 22 mil milhões de euros em importações adicionais de combustíveis fósseis.
Com soluções a médio e longo prazo a serem estudadas pelos Estados-membros e pela Comissão Europeia, a resposta de curto prazo para faturas de eletricidade mais baratas na Europa está nos impostos. Leia mais aqui.
Medidas da UE para enfrentar a crise energética
Por forma a fazer face à crise energética, a Comissão Europeia proporá que os Estados-membros incentivem as empresas a estabelecer um dia obrigatório de teletrabalho e que os edifícios públicos sejam encerrados “sempre que possível”.
A ser apresentado na próxima quarta-feira, o pacote de medidas da UE sugerirá, também, que as administrações reduzam os preços dos transportes públicos e que estes sejam gratuitos para determinados grupos.
A proposta prevê ainda conceder aos Estados-membros maior flexibilidade para aprovar medidas energéticas e reduzir as faturas de eletricidade, tal como já havia anunciado a própria presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, na passada segunda-feira, segundo o jornal catalão Ara.
Com as novas medidas, a Comissão Europeia pretende incentivar os Estados-membros a ajudarem as famílias e a indústria a suportar o custo da energia.
Concretamente, de acordo com o projeto da proposta, ainda sujeito a alterações, as administrações estatais e regionais poderão assumir até 50% do custo adicional dos preços dos combustíveis e, por exemplo, dos fertilizantes no caso do setor primário.
Além disso, a UE irá fazer uma série de recomendações que os Estados-membros poderão aplicar de forma voluntária, como subsidiar total ou parcialmente as faturas de eletricidade dos agregados familiares mais vulneráveis, e aplicar reduções totais ou parciais nos impostos especiais sobre a eletricidade para determinados grupos.
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