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Baterias dos carros elétricos não duram o tempo que deviam, e a culpa é dos condutores

Ainda que as baterias dos carros elétricos estejam a ser concebidas para durarem mais tempo do que nunca, eliminando a ansiedade associada aos modelos electrificados, os hábitos dos condutores parecem estar a travar o progresso.


Por aqui, já explorámos muitas vezes a chamada range anxiety, que denomina uma preocupação comum entre condutores de carros elétricos, que temem ficar sem carga antes de chegarem ao destino.

Este receio leva muitos condutores a carregar a bateria com frequência e a manter níveis de carga elevados, mesmo quando não é necessário.

Embora compreensível, este comportamento tem um efeito contrário ao desejado: em vez de proteger a autonomia, aparentemente acelera a degradação da bateria ao longo do tempo.

Quanto se degrada a bateria de um carro elétrico por ano?

É uma pergunta importante para quem está a considerar comprar um carro elétrico e a avaliar a sua fiabilidade a longo prazo.

A responder-lhe está um novo estudo, que indica que a longevidade das baterias não está necessariamente a aumentar, devido à tecnologia introduzida nos modelos mais recentes.

Uma empresa de investigação que recolhe dados sobre tecnologia de carros elétricos e hábitos de carregamento, a Geotab realizou o seu primeiro estudo sobre longevidade das baterias, em 2020, e concluiu que o conjunto de baterias de um elétrico médio perde cerca de 2,3% da sua capacidade inicial por ano.

No final, isto resulta num veículo com pouco mais de 80% da sua autonomia máxima original: por exemplo, cerca de 450 km se inicialmente oferecia 560 km com uma carga completa, após oito anos.

Quando a empresa retomou o estudo, em 2023, determinou que a degradação média anual tinha diminuído para 1,8%, numa conclusão encorajadora.

No entanto, os dados mais recentes de 2025 indicam que a média do setor voltou a subir para 2,3%.

A que deve a queda na longevidade das baterias?

As fabricantes e fornecedores de baterias têm explorado formas de melhorar a longevidade dos seus packs, através de uma melhor gestão térmica e de novas químicas.

Contudo, esse avanço está a ser anulado pelo aumento do uso de carregamento rápido em corrente contínua (em inglês, Direct Current Fast Charging – DCFC) pelos condutores.

Para o estudo, os veículos foram analisados conforme várias variáveis, incluindo a frequência de utilização do DCFC.

Segundo os resultados, veículos em que o carregamento rápido representou menos de 12% das sessões totais apresentaram uma degradação média anual de 1,5%.

Por sua vez, os que ultrapassaram esse valor registaram uma perda anual de capacidade de 2,5%.

Perceber padrões de comportamento para aproveitar os carros ao máximo

O clima foi, também, tido em conta, assim como aquilo a que a Geotab chamou “exposição ao estado de carga”. Esta última variável refere-se essencialmente ao tempo que o veículo passa com a bateria carregada acima de 80%, uma condição que acelera o envelhecimento do componente.

Conforme explorado pelo The Drive, este estudo importa para aqueles que querem compreender o panorama atual dos carros elétricos e perceber como o avanço tecnológico e a mudança de comportamentos dos consumidores podem resolver, ao mesmo tempo que podem criar outros.

No futuro, à medida que inovações transformadoras como as baterias de estado sólido entrarem em cena, será interessante observar como as conclusões de estudos deste tipo evoluem.

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